A Microsoft encerra oficialmente o suporte ao Windows 10 nesta terça feira, marcando o fim de um período que começou em 2015. A partir de agora, o sistema operacional não receberá mais atualizações de segurança, correções de bugs ou suporte técnico.

Embora os computadores com o Windows 10 continuem funcionando normalmente, eles passam a estar mais vulneráveis a ataques cibernéticos. Segundo a própria Microsoft, sem atualizações contínuas de patchs de segurança, o computador estará exposto a um risco maior de vírus e malware.
Na prática o fim do suporte representa que a Microsoft interrompeu todas as atualizações oficiais do sistema, incluindo correções de falhas críticas. Isso não impede o funcionamento do PC, mas deixa o sistema sem proteção contra novas vulnerabilidades, o que pode comprometer a segurança de dados pessoais e corporativos.
A recomendação é clara: migrar para o Windows 11 ou para o Windows 365, versão em nuvem que permite acessar o sistema em diferentes dispositivos, mantendo assim as atualizações automáticas de segurança.
De acordo com dados da Steam de setembro de 2025, cerca de 33.74% dos jogadores ainda usam o Windows 10, enquanto o Windows 11 já domina mais de 66.08% da base.
Estatísticas globais da Statcounter (empresa de análise de dados de tráfego web que rastreia o uso de sistemas operacionais como o Windows 10) reforçam essa virada: o Windows 11 ultrapassou o Windows 10 em junho, com 48,94% dos PCs Windows rodando a versão mais recente.
Mesmo assim, especialistas estimam que centenas de milhões de dispositivos ainda possuem instalações do Windows 10. A Consumer Reports calcula que 650 milhões de pessoas ainda usam o sistema, enquanto o Public Interest Research Group alerta que até 400 milhões de computadores não são compatíveis com o Windows 11.
Opções para quem não pode migrar agora
Para quem não pode ou não deseja atualizar agora, a Microsoft lançou o Extended Security Updates (ESU), um programa de atualizações de segurança pagas que se estenderá por até três anos, terminando em 2028.
O ESU custa US$ 30 → R$ 163,80 por ano para usuários domésticos e US$ 61 → R$ 333,06 por dispositivo empresarial, dobrando a cada ano subsequente. No total, o custo pode chegar a US$ 427 → R$ 2.331,42 por máquina para quem mantiver o plano até o fim.
Há, porém, exceções:
- Usuários do Espaço Econômico Europeu (EEE) poderão acessar o programa gratuitamente, desde que usem uma conta da Microsoft
- Usuários domésticos globais podem conseguir o acesso gratuito usando pontos do Microsoft Rewards ou ativando o Backup do Windows para sincronizar dados na nuvem
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Além do ESU, a Microsoft oferece opções voltadas a equipamentos especializados, como dispositivos médicos ou industriais. Essas versões fazem parte do Windows LTSC (Long-Term Servicing Channel), que continua recebendo suporte por mais tempo.
- Windows 10 Enterprise LTSC 2021: suporte até janeiro de 2027
- Windows 10 Enterprise LTSC 2019: suporte até janeiro de 2029
- Windows 10 IoT Enterprise: suporte estendido até 2033
Para empresas que dependem de sistemas estáveis, essa é uma alternativa ao Windows 11 convencional.
Outra possibilidade é o Windows 365, uma solução baseada em nuvem que permite executar o Windows em servidores da Microsoft, garantindo segurança e atualizações automáticas independente do hardware.
Riscos de permanecer com o Windows 10
Continuar usando o Windows 10 após o fim do suporte aumenta significativamente o risco de ciberataques. Sem correções de segurança, o sistema se torna alvo preferencial de hackers.
Além disso, o funcionamento de aplicativos pode ser comprometido, haja vista que os desenvolvedores dependem do sistema operacional para garantir certas funções. Sem as devidas atualizações, o fornecedor não pode assegurar o pleno funcionamento dos aplicativos.
Mesmo com antivírus ativos, o risco permanece alto. Os Antivírus conseguem bloquear apenas ameaças conhecidas, mas não substituem atualizações de segurança do sistema operacional.
Alternativas ao Windows: migrar para o Linux

Para quem não pode migrar para o Windows 11 ou pagar o plano de atualização extensível do Windows 10, sistemas alternativos como o Linux surgem como uma opção viável.
Distribuições modernas, como Ubuntu, Fedora e Linux Mint, oferecem suporte gratuito, segurança constante e compatibilidade crescente com softwares populares.
Segundo especialistas, o Linux é ideal para usuários domésticos e empresas que não dependem de softwares exclusivos da Microsoft e desejam reduzir custos e riscos de segurança.
Se os aplicativos forem compatíveis e as ferramentas de gerenciamento o suportarem, o Linux é uma boa opção”, afirma Paddy Harrington, analista da Forrester.
Críticas e protestos de consumidores
Organizações de defesa do consumidor criticam a decisão da Microsoft. A Consumer Reports, nos EUA, destacou que muitos PCs vendidos até 2023 ainda vinham com Windows 10, o que significa que milhões de consumidores compraram equipamentos que se tornaram obsoletos em menos de três anos.
Na Europa, uma coalizão com 22 associações francesas lançou uma petição pedindo à Microsoft que mantenha atualizações gratuitas até 2030. O grupo argumentou que o fim do suporte gera lixo eletrônico e prejudica a sustentabilidade digital.
O que fazer agora?
Para se manter protegido e garantir compatibilidade com aplicativos, a recomendação é avaliar a migração o quanto antes.
Usuários podem:
- Verificar a compatibilidade do computador com o Windows 11 (a Microsoft oferece ferramenta gratuita);
- Ativar o Backup do Windows e sincronizar os seus dados e arquivos antes da atualização;
- Pagar o plano extensível de atualizações que a Microsoft oferece para o Windows 10;
- Considerar o Windows 365 se o hardware for incompatível;
- Testar distribuições Linux se preferirem uma solução gratuita




