IBM e Cisco anunciam Rede Quântica: Será o início da Internet Quântica?

Gigantes da tecnologia prometem demonstrar sistemas quânticos interconectados até 2030, abrindo caminho para aplicações transformadoras em escala global

IBM e Cisco anunciam Rede Quântica

Imagine um mundo onde problemas que levariam milhões de anos para serem resolvidos pelos computadores mais poderosos de hoje possam ser solucionados em minutos. Esse cenário está cada vez mais próximo de se tornar realidade.

Em novembro de 2024, a IBM e a Cisco anunciaram uma parceria histórica que promete revolucionar a forma como encaramos a computação: a criação de uma rede de computação quântica distribuída, o primeiro passo concreto rumo à internet quântica.

Essa colaboração, revelada em comunicado conjunto pelas duas gigantes da tecnologia, tem como objetivo combinar a expertise da IBM na construção de computadores quânticos de ponta com a experiência da Cisco em infraestrutura de redes avançadas. O resultado? Um sistema capaz de conectar múltiplos computadores quânticos em uma malha integrada, amplificando exponencialmente o poder de processamento disponível para resolver os desafios mais complexos da humanidade.

Mas o que exatamente significa uma rede de computação quântica distribuída? E por que essa parceria entre a IBM e a Cisco está sendo considerada um marco divisor de águas para o futuro da tecnologia? Vamos explorar cada aspecto dessa iniciativa revolucionária.

O que é Computação Quântica?

Antes de mergulharmos nos detalhes da parceria entre a IBM e a Cisco, precisamos entender o que torna a computação quântica tão especial. Diferente dos computadores tradicionais que usamos no dia a dia, que processam informações em bits que podem ser zero ou um, os computadores quânticos utilizam qubits.

Um qubit é uma unidade fundamental de informação na computação quântica. Enquanto um bit clássico está limitado a representar apenas zero ou um em um dado momento, um qubit pode existir em ambos os estados simultaneamente, graças a um fenômeno da física quântica chamado superposição. Pense nisso como se uma moeda estivesse girando no ar: enquanto ela gira, não é cara nem coroa, mas ambas as possibilidades ao mesmo tempo.

Essa capacidade aparentemente simples tem consequências extraordinárias. Quando você combina vários qubits em um sistema, a quantidade de informação que pode ser processada simultaneamente cresce de forma exponencial.

Internet Quântica
A rendering of IBM Quantum Starling, IBM’s large-scale, fault-tolerant quantum computer planned to be available in 2029. (Credit: IBM)

Dois qubits podem representar quatro estados ao mesmo tempo. Três qubits representam oito estados ou dimensões. E assim por diante. Com apenas 300 qubits trabalhando juntos, você pode representar mais estados do que existem átomos no universo observável.

Mas a mágica dos qubits não para por aí. Existe outro fenômeno quântico ainda mais fascinante chamado entrelaçamento ou emaranhamento quântico. Quando os qubits ficam entrelaçados, o estado de um deles fica intrinsecamente ligado ao estado do outro, não importa a distância entre eles.

Medir um qubit entrelaçado permite saber instantaneamente o estado do outro. É como ter dois dados conectados misteriosamente: quando um mostra seis, você sabe que o outro também mostrará seis, mesmo que estejam em lados opostos do planeta.

Essa combinação de superposição e entrelaçamento permite que computadores quânticos resolvam certos tipos de problemas de forma muito mais eficiente do que os sistemas clássicos. Estamos falando de aplicações transformadoras em áreas como descoberta de medicamentos, modelagem climática, otimização de cadeias de suprimentos, desenvolvimento de novos materiais, inteligência artificial e criptografia.

O Desafio da Escala: Por que precisamos das Redes Quânticas?

Apesar de todo o potencial revolucionário, a computação quântica enfrenta desafios técnicos significativos. O maior deles é a fragilidade dos qubits. Eles são extremamente sensíveis a qualquer interferência do ambiente externo, desde vibrações até ondas eletromagnéticas. Esse fenômeno, conhecido como decoerência, faz com que os qubits percam suas propriedades quânticas rapidamente, resultando em erros nos cálculos.

Para manter os qubits estáveis, os computadores quânticos atuais precisam operar em temperaturas próximas ao zero absoluto, em ambientes criogênicos cuidadosamente controlados. Mesmo assim, os erros continuam sendo um problema constante. Por isso, os cientistas desenvolveram o conceito de computação quântica tolerante a falhas, onde parte dos qubits é dedicada exclusivamente a detectar e corrigir erros.

A IBM tem trabalhado agressivamente para alcançar a computação quântica tolerante a falhas em grande escala até o final desta década. A empresa já desenvolveu processadores quânticos cada vez mais poderosos, como o Osprey com 433 qubits e o mais recente Heron, que demonstrou melhorias significativas em desempenho e taxa de erros.

Leia Mais: Serviço de internet via satélite Amazon LEO anuncia chegada ao Brasil e parceria com a Sky para competir com a Starlink

Mas existe um limite para o quanto você pode escalar um único computador quântico. Adicionar mais e mais qubits a uma única máquina torna cada vez mais difícil controlar todos eles com precisão e mantê-los protegidos contra interferências. É aqui que entra a ideia revolucionária de redes quânticas distribuídas.

Em vez de tentar construir um único computador quântico gigantesco com milhões de qubits, a abordagem da IBM e da Cisco é conectar vários computadores quânticos menores, mas poderosos, em uma rede integrada.

Cada computador poderia ter dezenas ou centenas de milhares de qubits trabalhando de forma tolerante a falhas. Quando conectados por uma rede quântica, esses sistemas poderiam compartilhar informação quântica e trabalhar juntos em problemas ainda mais complexos.

Jay Gambetta, diretor de Pesquisa da IBM, explicou a visão da empresa em um comunicado oficial: trabalhar com a Cisco para explorar como conectar múltiplos computadores quânticos em uma rede distribuída ampliará ainda mais o poder computacional quântico e expandirá as fronteiras do que essas máquinas podem fazer dentro de uma arquitetura de computação de alto desempenho mais ampla.

Como funciona a Rede Quântica distribuída que está sendo proposta

A colaboração entre a IBM e a Cisco estabelece um cronograma ambicioso e metas técnicas desafiadoras. O objetivo é demonstrar a primeira prova de conceito de uma rede que conecte computadores quânticos individuais, em grande escala e tolerantes a falhas, dentro de cinco anos, até o final de 2030.

Essa rede permitiria que problemas fossem executados usando dezenas a centenas de milhares de qubits combinados, potencialmente processando trilhões de portas quânticas. Portas quânticas são as operações fundamentais que manipulam e entrelaçam qubits para realizar cálculos. Quanto mais portas você pode executar de forma confiável, mais complexos são os problemas que pode resolver.

Internet Quântica
A visão futura da IBM para a computação quântica em escala inclui unidades de processamento quântico (QPUs) interligadas em redes de curta distância em data centers e em redes de longa distância. (Imagem: ibm.com)

Para tornar isso possível, as empresas precisam desenvolver tecnologias completamente novas em hardware e software. Vijoy Pandey, vice-presidente da Outshift by Cisco, resumiu o desafio: levar a computação quântica a uma escala útil não é apenas construir máquinas individuais maiores, mas também conectá-las, resolvendo isso como um problema completo do sistema, incluindo hardware para conectar computadores quânticos, software para executar cálculos entre eles e a inteligência de rede que os faz funcionar.

Unidade de Rede Quântica: A Interface entre os Mundos

Um componente central dessa arquitetura é a Unidade de Rede Quântica, ou QNU na sigla em inglês. A IBM está desenvolvendo essa interface especial que servirá como ponte entre a Unidade de Processamento Quântico, onde os qubits realizam os cálculos, e o mundo exterior.

A função da QNU é pegar a informação quântica estacionária dentro da QPU e convertê-la em informação quântica que pode ser transmitida através da rede. Pense nisso como um tradutor universal: ele pega os delicados estados quânticos dentro de um computador e os prepara para viajar até outro computador, mantendo suas propriedades quânticas intactas durante a jornada.

Essa conversão exigirá o desenvolvimento de transdutores ópticos de micro-ondas, dispositivos que nunca foram construídos em escala comercial. Os qubits dentro dos processadores quânticos da IBM comunicam usando sinais de micro-ondas.

Mas para transmitir a informação quântica por longas distâncias, é mais eficiente usar fótons de luz. Os transdutores precisarão converter sinais de micro-ondas em sinais ópticos e vice-versa, preservando perfeitamente o estado quântico durante o processo.

Infraestrutura de Rede da Cisco: Distribuindo o Entrelaçamento

A contribuição da Cisco foca na criação da infraestrutura física e do software de rede que conectará essas QNUs. A empresa está desenvolvendo uma visão para um data center quântico com arquitetura completa de hardware e software projetada especificamente para as necessidades únicas da computação quântica.

Essa infraestrutura precisa realizar tarefas que simplesmente não existem nas redes tradicionais. Ela deve preservar estados quânticos extremamente frágeis, distribuir recursos de entrelaçamento entre computadores quânticos sob demanda, facilitar o teletransporte quântico de informação entre máquinas e sincronizar operações com precisão inferior a um nanossegundo.

O conceito de teletransporte quântico merece uma explicação especial. Não estamos falando de transportar matéria como em filmes de ficção científica, mas sim de transferir o estado quântico de um qubit para outro distante usando o entrelaçamento. É um processo delicado que permite compartilhar informação quântica entre computadores sem que a informação precise literalmente viajar pelo espaço intermediário.

A Cisco está desenvolvendo uma estrutura de protocolos de software de alta velocidade que pode reconfigurar continuamente e dinamicamente os caminhos de rede. Quando um computador quântico termina um cálculo parcial e precisa enviar resultados para outro computador na rede, o sistema deve ser capaz de distribuir entrelaçamento entre os pares certos de QNUs no momento exato.

Juntas, as empresas planejam investigar como uma ponte de rede composta por hardware inovador e software de código aberto poderia usar nós de rede quântica da Cisco para conectar muitas QPUs da IBM dentro de um data center por meio de suas interfaces QNU. No futuro, essa abordagem pode ser estendida para conectar QPUs entre múltiplos data centers, escalando para distâncias ainda maiores.

Cronograma e marcos da parceria

A colaboração entre a IBM e a Cisco segue um cronograma progressivo com marcos bem definidos:

Próximos três anos: Em parceria com o Superconducting Quantum Materials and Systems Center, liderado pelo Fermi National Accelerator Laboratory, a IBM planeja demonstrar múltiplas QPUs conectadas usando QNUs em ambientes de data center. Essa será uma prova de conceito inicial em escala menor.

Até o final de 2030: Demonstração da primeira prova de conceito completa de uma rede que entrelaça qubits de múltiplos computadores quânticos separados, localizados em ambientes criogênicos distintos. Cada computador na rede seria um sistema de grande escala e tolerante a falhas, e eles trabalhariam juntos em cálculos que envolvem dezenas a centenas de milhares de qubits combinados.

Início da década de 2030: Sistema distribuído totalmente funcional operacional, permitindo que computadores quânticos trabalhem colaborativamente em problemas que exigem trilhões de portas quânticas, aplicáveis a desafios massivos de otimização, projeto de materiais e medicamentos complexos, e processamento de dados em escala sem precedentes.

Final da década de 2030: Expansão para uma verdadeira internet de computação quântica, conectando não apenas computadores quânticos, mas também sensores quânticos e sistemas de comunicação quântica ao longo de grandes distâncias, potencialmente em escala planetária.

Esse cronograma é ambicioso, mas não irreal. A IBM tem cumprido consistentemente os marcos estabelecidos em seu roteiro público de desenvolvimento quântico nos últimos anos. A empresa já demonstrou sistemas quânticos úteis que superam computadores clássicos em tarefas específicas e continua avançando em direção à computação quântica tolerante a falhas.

Aplicações Transformadoras de uma Internet Quântica

A criação de uma rede de computação quântica distribuída e, eventualmente, de uma internet quântica, abrirá possibilidades que hoje apenas imaginamos. Vamos explorar algumas das aplicações mais promissoras.

Descoberta e Desenvolvimento de Medicamentos

A simulação precisa de moléculas e reações químicas é um dos problemas naturais para computadores quânticos. Atualmente, o desenvolvimento de um novo medicamento pode levar mais de uma década e custar bilhões de dólares. Grande parte desse tempo é gasto testando inúmeras combinações de moléculas para encontrar candidatos promissores.

Uma rede quântica distribuída poderia simular interações moleculares complexas com precisão sem precedentes, explorando simultaneamente um vasto espaço de possibilidades. Isso aceleraria a identificação de novos medicamentos e a compreensão de como doenças funcionam no nível molecular.

Otimização em Larga Escala

Problemas de otimização aparecem em praticamente todos os setores da economia. Como organizar rotas de entrega para minimizar tempo e combustível? Como alocar recursos em uma cadeia de suprimentos global para maximizar eficiência? Como equilibrar geração e distribuição de energia em uma rede elétrica inteligente?

Esses problemas ficam exponencialmente mais difíceis conforme o número de variáveis aumenta. Uma rede de computadores quânticos poderia avaliar trilhões de configurações possíveis simultaneamente, encontrando soluções ótimas ou quase ótimas para problemas que computadores clássicos levariam milhares de anos para resolver.

Modelagem Climática e Ambiental

Prever o clima com precisão requer simular interações incrivelmente complexas entre atmosfera, oceanos, vegetação, gelo e atividade humana. Os modelos climáticos atuais fazem um trabalho admirável, mas são limitados pela capacidade computacional disponível.

Uma internet quântica permitiria modelagem climática em uma escala e resolução sem precedentes, capturando nuances que os modelos atuais perdem. Isso melhoraria previsões de curto prazo, como previsão do tempo, e projeções de longo prazo sobre mudanças climáticas, permitindo que governos e sociedades se preparem melhor.

Comunicações Ultrasseguras

O entrelaçamento quântico oferece uma propriedade única para a comunicação segura. Qualquer tentativa de interceptar ou medir a informação quântica necessariamente perturba o sistema, revelando a presença de um espião. Isso torna a comunicação quântica teoricamente inquebrantável.

Uma internet quântica poderia formar a espinha dorsal de uma rede global de comunicação ultrassegura, protegendo informações críticas de governos, instituições financeiras e infraestruturas essenciais contra ataques cibernéticos, mesmo de computadores quânticos futuros capazes de quebrar a criptografia tradicional.

Inteligência Artificial Avançada

Muitos algoritmos de aprendizado de máquina envolvem otimização de parâmetros em espaços de alta dimensão. Computadores quânticos podem acelerar certos tipos de processamento usado em inteligência artificial, como reconhecimento de padrões e análise de grandes conjuntos de dados.

Uma rede quântica distribuída poderia processar volumes massivos de dados de treinamento simultaneamente, potencialmente levando a saltos em capacidades de IA em áreas como processamento de linguagem natural, visão computacional e tomada de decisão autônoma.

Sensoriamento e Monitoramento Precisos

Sensores quânticos podem detectar campos magnéticos, gravitacionais e outras propriedades físicas com uma sensibilidade sem precedentes. Uma internet quântica conectando sensores quânticos distribuídos poderia criar sistemas de monitoramento global para atividade sísmica, permitindo detecção precoce de terremotos, monitoramento preciso de mudanças no campo gravitacional da Terra para rastrear movimentos de água subterrânea e gelo, e detecção de objetos submarinos ou subterrâneos com uma resolução impossível com tecnologias atuais.

Como isso se compara a outras iniciativas globais

IBM e Cisco não são as únicas organizações trabalhando em computação e redes quânticas. É útil entender como essa iniciativa se compara a outros esforços globais.

A Google tem seu próprio programa de computação quântica e recentemente demonstrou supremacia quântica, resolvendo em minutos um problema específico que levaria milhares de anos em um supercomputador clássico. No entanto, a abordagem da Google tem focado em demonstrações de princípio com sistemas menores, enquanto a IBM persegue sistemas maiores e mais práticos.

A Microsoft está desenvolvendo uma abordagem diferente baseada em qubits topológicos, que teoricamente seriam mais estáveis e menos propensos a erros. A Amazon oferece serviços de computação quântica através de seu Amazon Braket, dando acesso a diferentes tecnologias quânticas de diversos fornecedores.

Na China, tanto o governo quanto empresas privadas estão investindo massivamente em tecnologias quânticas. A China já demonstrou comunicação quântica via satélite e está construindo redes quânticas terrestres.

A União Europeia lançou a Quantum Flagship, uma iniciativa de um bilhão de euros para acelerar desenvolvimento quântico na região, incluindo esforços em redes quânticas.

O que distingue a colaboração IBM-Cisco é a combinação de expertise complementar das duas empresas, o cronograma ambicioso com marcos específicos, e o foco explícito em escalar para sistemas tolerantes a falhas interconectados. Enquanto muitas iniciativas ainda estão em estágios exploratórios, IBM e Cisco estão traçando um caminho concreto para sistemas práticos dentro desta década.

Implicações para diferentes setores

A chegada de uma rede de computação quântica distribuída terá implicações profundas para praticamente todos os setores da economia. Vamos explorar alguns especificamente.

Setor Financeiro

Bancos e instituições financeiras enfrentam problemas complexos de otimização diariamente, desde alocação de portfólios até detecção de fraude e avaliação de risco. Computação quântica pode transformar essas áreas, permitindo análises mais sofisticadas e tomada de decisão mais informada.

Ao mesmo tempo, o setor financeiro precisará se adaptar à ameaça que computadores quânticos representam para a criptografia atual. A IBM já está desenvolvendo criptografia resistente a quântica para proteger sistemas contra futuros ataques quânticos.

Indústria Farmacêutica e Biotecnologia

Como mencionado anteriormente, a descoberta de medicamentos é uma aplicação natural para computação quântica. Empresas farmacêuticas que adotarem cedo essas tecnologias podem obter vantagens significativas em velocidade e custos de desenvolvimento.

Além de medicamentos, a computação quântica pode acelerar o design de vacinas, a compreensão de mecanismos de doenças e o desenvolvimento de terapias personalizadas baseadas no perfil genético individual de pacientes.

Energia e Sustentabilidade

A transição para energia limpa requer novos materiais para baterias, painéis solares, células de combustível e outras tecnologias. A computação quântica pode acelerar a descoberta e otimização desses materiais.

Redes elétricas inteligentes também podem se beneficiar de otimização quântica para equilibrar geração, armazenamento e demanda de energia de forma mais eficiente, reduzindo desperdício e integrando melhor fontes renováveis intermitentes.

Transporte e Logística

Empresas de transporte e logística lidam com problemas de otimização de rotas em escalas massivas. Amazon, FedEx, UPS e outras grandes operadoras movimentam milhões de pacotes diariamente. Encontrar rotas ótimas para todos esses envios é computacionalmente impossível com métodos clássicos, então usam aproximações.

Computação quântica poderia encontrar soluções significativamente melhores, economizando combustível, reduzindo emissões e acelerando entregas.

Defesa e Segurança Nacional

Governos têm interesse óbvio em tecnologias quânticas tanto para aplicações defensivas quanto ofensivas. Comunicação quântica segura pode proteger informações sensíveis. Sensores quânticos podem detectar submarinos e outras ameaças. E computação quântica pode quebrar criptografia adversária.

Isso está levando a uma corrida quântica global, com países competindo para alcançar vantagem quântica antes dos outros. A parceria entre IBM e Cisco coloca os Estados Unidos em posição forte nessa competição.

Educação e Pesquisa

Universidades e instituições de pesquisa terão acesso a capacidades computacionais sem precedentes para pesquisa fundamental em física, química, biologia, matemática e ciências da computação.

Isso pode acelerar descobertas científicas e formação da próxima geração de cientistas quânticos. A IBM já oferece acesso gratuito a computadores quânticos para fins educacionais através de sua IBM Quantum Network, e essa tendência deve continuar.

O que isso significa para você?

Você pode estar se perguntando como tudo isso afetará sua vida diária. Embora uma internet quântica possa parecer distante e abstrata, suas implicações eventualmente chegarão a todos nós.

No curto prazo, os benefícios serão indiretos. Medicamentos melhores e mais baratos desenvolvidos com ajuda quântica chegarão às farmácias. Produtos se tornarão mais eficientes conforme materiais melhorados sejam descobertos. Serviços online ficarão mais seguros com criptografia resistente a quântica.

No médio prazo, podemos ver aplicações mais diretas. Previsões meteorológicas mais precisas ajudarão no planejamento do seu dia. Sistemas de navegação otimizados quanticamente podem reduzir tempo de viagem. Algoritmos de recomendação alimentados por IA quântica podem se tornar mais úteis e menos invasivos.

No longo prazo, a computação quântica pode ser tão transformadora quanto a internet foi nas últimas décadas. Assim como a internet mudou fundamentalmente como trabalhamos, nos comunicamos, fazemos compras, consumimos entretenimento e organizamos sociedades, uma internet quântica pode habilitar aplicações que hoje nem conseguimos imaginar.

A chave é reconhecer que estamos nos estágios iniciais dessa revolução. A internet comercial começou nos anos 1990 e levou décadas para atingir sua forma atual. A internet quântica seguirá uma trajetória similar, com aplicações e capacidades se desenvolvendo progressivamente ao longo de anos e décadas.

Preparando-se para o futuro quântico

Se você trabalha em tecnologia, ciência ou qualquer campo que possa ser impactado por computação quântica, agora é o momento de começar a se preparar.

Para profissionais técnicos, considere aprender os fundamentos da mecânica quântica e programação quântica. Plataformas como o Qiskit da IBM oferecem recursos educacionais gratuitos para começar. Você não precisa se tornar um físico quântico, mas entender os conceitos básicos será cada vez mais valioso.

Para líderes empresariais, comece a explorar como computação quântica pode impactar seu setor específico. Embora sistemas práticos ainda estejam alguns anos distantes, empresas que começam a experimentar agora estarão melhor posicionadas quando a tecnologia amadurecer.

Para educadores, integre conceitos quânticos aos currículos sempre que possível. A próxima geração de estudantes precisará de familiaridade com essas ideias para prosperar no futuro mercado de trabalho.

Para investidores, a computação quântica representa uma oportunidade de longo prazo em um setor que pode eventualmente atingir centenas de bilhões de dólares em valor. Como sempre, faça sua própria pesquisa e considere seus objetivos de investimento.

E para todos nós como cidadãos, é importante acompanhar desenvolvimentos em tecnologias quânticas e participar de discussões sobre suas implicações éticas, sociais e políticas. Assim como a internet levantou questões sobre privacidade, segurança e equidade que ainda estamos navegando, a computação quântica trará seus próprios desafios societais.

Foto de Equipe ClicaTech

Equipe ClicaTech

A equipe do ClicaTech é formada por profissionais e apaixonados por tecnologia. Responsáveis pela gestão do site, cuidam para que cada publicação mantenha qualidade e precisão nas informações. Reúnem conhecimento técnico com uma linguagem acessível, traduzindo temas complexos de forma compreensível para todos os públicos. Trabalham com foco em oferecer notícias atualizadas, análises detalhadas e orientações úteis para o dia a dia digital. O resultado é um conteúdo confiável, direto e pensado para informar, esclarecer e tirar dúvidas sobre o universo da tecnologia.

Gostou do Conteúdo? Compartilhe:

Quer ficar atualizado?

Acompanhe todas as notícias sobre Tecnologia aqui no ClicaTech.

Conteúdo elaborado e revisado pela redação do ClicaTech.  Pode conter tradução com auxílio de Inteligência Artificial.

Mais resultados...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
"><font style="vertical-align: inherit