Data Centers Espaciais: Como a Inteligência Artificial Está Levando a Infraestrutura Digital para Órbita

A corrida espacial ganhou um novo protagonista: data centers orbitais que prometem energia solar ilimitada, resfriamento gratuito e a solução definitiva para a sede insaciável de energia da inteligência artificial.

Data centers espaciais

A corrida para colocar servidores em órbita

A indústria de tecnologia está enfrentando um problema crescente que pode parecer surpreendente para muitos. Os data centers tradicionais, aquelas enormes instalações cheias de servidores que alimentam a internet e processam bilhões de dados diariamente, estão consumindo energia em níveis alarmantes.

Projeções indicam que os data centers representarão quase metade do crescimento da demanda elétrica dos Estados Unidos entre agora e 2030, com suas necessidades globais de energia podendo dobrar até o final desta década, à medida que empresas treinam modelos de IA cada vez maiores.

Diante desse desafio energético monumental, gigantes da tecnologia como Google, SpaceX e Blue Origin estão propondo uma solução que parece saída de ficção científica: construir data centers espaciais. A ideia não é apenas ambiciosa, mas representa uma mudança fundamental na forma como pensamos sobre infraestrutura digital. Essas instalações orbitais poderiam funcionar com energia solar praticamente ilimitada, sem interrupções causadas por céus nublados ou pela escuridão da noite.

Baiju Bhatt, fundador e CEO da Aetherflux, que também cofundou a empresa de serviços financeiros Robinhood, afirmou que a corrida pela inteligência artificial geral é fundamentalmente uma corrida pela capacidade de computação e, por extensão, pela energia. Essa declaração resume perfeitamente o dilema atual da indústria tecnológica.

Project Suncatcher: o plano ambicioso do Google

Em novembro de 2024, o Google anunciou o Project Suncatcher, uma iniciativa revolucionária que pretende criar data centers espaciais usando constelações de satélites alimentados por energia solar. O projeto visa utilizar chips TPU próprios do Google e transmitir dados entre si através de lasers, com uma missão demonstrativa planejada para 2027.

Os chips TPU, ou unidades de processamento tensorial, são especialmente projetados para aprendizado de máquina e já alimentam o modelo de IA mais recente do Google, o Gemini. O grande desafio agora é adaptar esses chips para sobreviver à radiação e aos extremos de temperatura no espaço, operando de forma confiável em órbita.

As órbitas dos satélites serão sincronizadas com o sol, o que significa que estarão sempre voando sobre lugares ao pôr ou nascer do sol para capturar luz solar quase continuamente. Essa configuração orbital permitiria que os painéis solares gerassem significativamente mais energia por painel do que instalações típicas na Terra, pois evitam perder luz solar devido às nuvens, à atmosfera e aos períodos noturnos.

Starcloud e a computação de alta performance em órbita

Enquanto o Google planeja sua própria infraestrutura orbital, a startup Starcloud está avançando rapidamente com sua visão de data centers espaciais. A empresa comemorou o lançamento de um satélite de 60 quilogramas com uma GPU NVIDIA H100 como prelúdio para um data center orbital que deverá exigir cinco gigawatts de energia elétrica até 2035.

A magnitude dessas ambições é impressionante. Para contextualizar, cinco gigawatts é energia suficiente para alimentar milhões de residências. Philip Johnston, CEO da Starcloud, explica que o plano é construir data centers em órbita onde terão acesso ilimitado à energia solar e ao resfriamento natural do espaço.

Starcloud-2, seu primeiro satélite comercial, apresenta um cluster de GPU, armazenamento persistente, acesso disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, e sistemas proprietários de energia térmica e elétrica dentro de um fator de forma compacto. A empresa prevê que a Starcloud-2 estará totalmente operacional em órbita sincronizada com o sol até 2026, e acredita que, dentro de uma década, a maioria dos novos data centers será no espaço.

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A entrada de Jeff Bezos e Elon Musk na disputa

A competição no setor de data centers espaciais está se intensificando com a entrada de dois dos empresários mais influentes da indústria espacial. Segundo o Wall Street Journal, a Blue Origin de Jeff Bezos também pretende enviar seus próprios data centers para a órbita da Terra. A empresa vem trabalhando secretamente na tecnologia necessária para data centers orbitais há mais de um ano.

Em outubro de 2024, Elon Musk anunciou que a SpaceX se juntaria à corrida, aproveitando sua infraestrutura Starlink para construir data centers no espaço. Musk escreveu nas redes sociais que simplesmente aumentar a escala dos satélites Starlink V3, que possuem links laser de alta velocidade, funcionaria perfeitamente para essa aplicação.

Bezos previu que data centers em escala de gigawatts seriam construídos no espaço dentro dos próximos 10 a 20 anos, afirmando que será possível superar o custo dos data centers terrestres no espaço nas próximas décadas, pois há energia solar disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, sem nuvens, chuva ou condições climáticas adversas.

Vantagens técnicas da computação orbital

A proposta de mover data centers para o espaço não é apenas uma solução criativa para problemas de energia. Há múltiplas vantagens técnicas que tornam essa ideia atraente para empresas de tecnologia. Benjamin Lee, arquiteto de computação e engenheiro da Universidade da Pensilvânia, observa que data centers espaciais se beneficiariam da energia solar contínua, gerada por arranjos de células fotovoltaicas, e isso poderia resolver desafios de longa data relacionados à alimentação de computação em data centers de maneira eficiente em termos de carbono.

No espaço, as temperaturas extremamente baixas eliminam a necessidade de sistemas de resfriamento intensivos em energia que são essenciais nos data centers terrestres. Data centers terrestres consomem até 5 milhões de galões de água por dia para resfriamento evaporativo. Em órbita, o resfriamento é alcançado através da dissipação de calor radiativo no vácuo do espaço, sem bombas, torres ou contas de água.

Christopher Stott, presidente e CEO da Lonestar Data Holdings, afirma que a energia solar de alta intensidade e o resfriamento radiativo tornam a perspectiva altamente atrativa e potencialmente econômica. Instalações terrestres operam a um custo de cerca de 5 centavos por quilowatt-hora para a energia mais barata, enquanto um data center celestial pode reduzir esse valor para cerca de 0,1 centavos por quilowatt-hora, incluindo os custos de lançamento.

Engenharia e manutenção

Apesar das promessas empolgantes, construir e operar data centers espaciais apresenta desafios técnicos formidáveis que não podem ser subestimados. Um data center espacial deve replicar a rede de alta largura de banda e baixa latência dos data centers terrestres.

Se o sistema de comunicação por laser proposto pelo Google vai funcionar na capacidade multi-terabit necessária, há grandes obstáculos de engenharia envolvidos, incluindo manter o alinhamento necessário entre satélites em movimento rápido e lidar com a deriva orbital, onde os satélites saem de sua órbita pretendida.

A manutenção representa outro problema não resolvido. Data centers terrestres dependem de manutenção contínua de hardware e atualizações. Em órbita, reparos exigiriam serviços robóticos ou missões adicionais, ambos custosos e complexos. Se um data center espacial for viável a longo prazo, será vital que evite falhas precoces.

A economia da computação espacial também permanece incerta. A computação baseada no espaço só se torna viável em escala, e somente se os custos de lançamento caírem significativamente. O documento do Project Suncatcher do Google sugere que os custos de lançamento poderiam cair abaixo de 200 dólares por quilograma até meados da década de 2030, sete ou oito vezes mais barato que hoje. Isso colocaria os custos de construção no mesmo patamar de algumas instalações equivalentes na Terra.

A preocupação dos astrônomos com a poluição luminosa

Enquanto empresas de tecnologia celebram o potencial dos data centers espaciais, a comunidade astronômica está expressando sérias preocupações sobre o impacto dessa nova infraestrutura espacial. Samantha Lawler, astrônoma da Universidade de Regina em Saskatchewan, observa que alguns observadores dependem do crepúsculo para caçar asteroides próximos à Terra, e ela se preocupa com qualquer data center orbital com um arranjo de painéis solares de vários quilômetros.

A questão não é apenas teórica. A humanidade lançou mais satélites nos últimos quatro anos do que nas sete décadas anteriores. Com o número atual de cerca de 16 mil satélites em órbita, e propostas para lançar centenas de milhares mais, incluindo data centers orbitais massivos, os astrônomos estão cada vez mais alarmados.

A órbita sincronizada com o sol ideal tornaria os data centers orbitais visíveis no céu noturno ao amanhecer ou anoitecer. No entanto, mesmo essa visibilidade limitada poderia prejudicar observações cruciais. Os painéis solares necessários para alimentar esses data centers seriam enormes, potencialmente criando objetos brilhantes no céu que competem com os sinais fracos que os telescópios tentam capturar de galáxias distantes.

Ameaça aos telescópios espaciais

Um estudo recente publicado na revista Nature trouxe revelações ainda mais preocupantes. As constelações de satélites em rápido crescimento levantaram fortes preocupações na comunidade científica. Reflexões de satélites podem ser visíveis a olho nu e extremamente brilhantes para telescópios profissionais.

O estudo prevê que, se as constelações propostas forem concluídas, um terço das imagens do Telescópio Espacial Hubble será contaminado por rastros de satélites. Para telescópios futuros como SPHEREx, ARRAKIHS e Xuntian, os valores são ainda mais altos, chegando a 96 por cento.

À medida que os satélites viajam pelo céu noturno, deixam rastros de luz brilhante que superam vastamente a emissão fraca de fontes astronômicas como planetas, asteroides e galáxias. Esses rastros de satélites apagam os poucos fótons que os astrônomos conseguem reunir do Cosmos, muito além de qualquer possível restauração.

Contrariamente à crença popular, a poluição luminosa não é um problema exclusivo da astronomia baseada em terra. Observatórios espaciais como o Hubble orbitam nas mesmas altitudes que os satélites de telecomunicações, e encontros próximos estão se tornando cada vez mais comuns.

Problema crescente do lixo espacial

Além da poluição luminosa, há preocupações significativas sobre o aumento do lixo espacial. Lawler teme que projetos de data centers espaciais possam piorar o problema crescente de lixo espacial, à medida que mais hardware é lançado e mais detritos e fragmentos caem de volta através da atmosfera, com muita poluição das reentradas já acontecendo e peças atingindo o solo.

A órbita baixa da Terra é a via mais congestionada, e objetos nesta órbita são os mais propensos a colidir com outros satélites ou detritos. À medida que novos objetos chegam e objetos existentes se fragmentam, a órbita baixa da Terra pode se aproximar da Síndrome de Kessler.

A Síndrome de Kessler é um cenário teórico proposto pelo cientista da NASA Donald Kessler em 1978, no qual a densidade de objetos em órbita baixa da Terra se torna tão alta devido à poluição espacial que colisões entre esses objetos se tornam uma cascata, aumentando exponencialmente a quantidade de detritos espaciais ao longo do tempo. Cada colisão produziria fragmentos orbitantes, cada um dos quais aumentaria a probabilidade de colisões futuras, levando ao crescimento de um cinturão de detritos ao redor da Terra.

O Project Suncatcher propõe um cluster de satélites carregando grandes painéis solares. Eles voariam com um raio de apenas um quilômetro, com cada nó espaçado a menos de 200 metros de distância. Para colocar isso em perspectiva, imagine uma pista de corrida aproximadamente do tamanho do Daytona International Speedway, onde 81 carros correm a 17.500 milhas por hora, separados por lacunas sobre a distância necessária para frear com segurança na estrada.

Implicações ambientais das reentradas

As preocupações ambientais não se limitam ao que acontece em órbita. Diretrizes internacionais, como as do Escritório do Programa de Detritos Orbitais da NASA, estipulam que detritos que reentram na atmosfera não devem representar mais do que uma chance em 10.000 de causar danos no solo.

Com data centers espaciais envolvendo grandes estruturas com painéis solares massivos, a questão de como esses objetos se comportarão durante a reentrada atmosférica é crucial. Aproximadamente 20 a 40 por cento da massa de espaçonaves de maior porte ou corpos de foguetes, ou peças feitas de ligas de aço ou titânio particularmente resistentes ao calor, podem sobreviver à reentrada.

O problema é agravado pela escala proposta desses projetos. Com milhares de satélites planejados e grandes estruturas orbitais, o volume de material potencialmente reentrando na atmosfera é sem precedentes. Os modelos preditivos atuais frequentemente ficam aquém da precisão necessária, usando geometrias simplificadas e modelos de correlação desatualizados que subestimam as taxas de aquecimento ou superestimam o arrasto.

Soluções propostas e regulamentação

Diante desses desafios, várias soluções estão sendo propostas para mitigar os riscos associados aos data centers orbitais e ao aumento do lixo espacial. Uma taxa de uso ou taxa de uso orbital cobraria dos operadores de satélites uma taxa baseada no estresse orbital que sua constelação impõe, assim como veículos maiores ou mais pesados pagam taxas maiores para usar estradas públicas. Esses fundos financiariam missões de remoção ativa de detritos, que capturam e removem os pedaços mais perigosos de lixo.

A Agência Espacial Europeia assinou recentemente o contrato para uma missão que removerá o primeiro grande pedaço de detrito da órbita. Prevista para lançamento em 2025, a ClearSpace-1 usará o método de rede para capturar o Adaptador de Carga Útil Secundária Vega antes de destruir a si mesma e o item capturado na reentrada.

O Centro da União Astronômica Internacional para a Proteção do Céu Escuro e Silencioso da Interferência de Constelações de Satélites tem se comunicado com várias empresas de satélites, pedindo que reduzam suas interferências ópticas e de rádio. Meredith Rawls, astrônoma da Universidade de Washington e codiretora da iniciativa SatHub da IAU CPS, observa que a maioria das pessoas com quem conversaram tem sido bastante aberta, mas isso não escala.

O CPS não pode possivelmente alcançar todos os atores relevantes para levantar preocupações e continuar acompanhando suas soluções propostas e impactos.

Debate sobre necessidade e sustentabilidade

Aaron Boley, professor associado e presidente de pesquisa do Canadá em astronomia planetária na Universidade da Colúmbia Britânica, articula bem o dilema. Ele enfatiza que quer deixar muito claro que a infraestrutura de satélites é incrivelmente importante, e todos reconhecem isso. Mas o argumento é, em última análise, quanta infraestrutura em órbita precisamos? Quanto podemos colocar lá com segurança? Quanto podemos colocar lá sem ter impactos ambientais de muito longo prazo?

Katherine Courtney, presidente do conselho diretor da Rede Global sobre Sustentabilidade no Espaço, afirma que sem a astronomia, a economia espacial moderna simplesmente não existiria. A indústria espacial deve sua compreensão da mecânica orbital, e muito do desenvolvimento tecnológico que desbloqueou oportunidades comerciais para operadores de satélites, à astronomia.

Courtney acrescenta que agora há uma necessidade urgente de maior diálogo e colaboração entre astrônomos e operadores de satélites para mitigar esses impactos e encontrar maneiras inovadoras para que operações comerciais e científicas possam coexistir no espaço.

Perspectivas para 2027 e além

Com múltiplas empresas planejando lançamentos demonstrativos para 2027, os próximos anos serão decisivos para determinar a viabilidade dos data centers espaciais. Uma missão de teste de dois satélites até 2027 parece plausível. Ela poderia validar se as TPUs sobrevivem à radiação e ao estresse térmico, se a energia solar é estável e se o sistema de comunicação por laser funciona como esperado.

No entanto, mesmo uma demonstração bem-sucedida seria apenas o primeiro passo. Não mostraria que data centers orbitais em larga escala são viáveis. Há questões fundamentais sobre a longevidade do hardware no ambiente espacial hostil, a viabilidade econômica em escala completa e os impactos cumulativos no ambiente orbital e nas observações astronômicas.

Os especialistas concordam que a computação baseada em espaço só se torna viável em escala, e somente se os custos de lançamento caírem significativamente. A previsão de que os custos de lançamento poderiam cair para 200 dólares por quilograma até meados da década de 2030 é otimista, mas não garantida. Se os satélites exigirem substituição antecipada ou se a radiação encurtar sua vida útil, os números poderiam parecer bem diferentes.

Inovação e responsabilidade

A proposta de construir data centers espaciais representa uma convergência fascinante de necessidade tecnológica, engenhosidade humana e ambição comercial. A pressão crescente sobre os recursos energéticos da Terra e as limitações dos data centers terrestres tornam a ideia atraente do ponto de vista puramente técnico e econômico.

Por enquanto, data centers orbitais são principalmente uma ideia, um punhado de pequenos protótipos e uma pilha de apresentações ambiciosas. A física básica da luz solar quase constante em órbita é real, e os custos de lançamento estão se movendo na direção necessária.

No entanto, a comunidade científica levanta questões legítimas e urgentes sobre as consequências não intencionais dessa nova fronteira. A poluição luminosa que já afeta observatórios terrestres está se estendendo para o espaço, ameaçando décadas de investimento em telescópios espaciais. O risco de aumentar dramaticamente o lixo espacial e potencialmente desencadear uma cascata de colisões não pode ser ignorado.

O caminho à frente exige um equilíbrio cuidadoso entre inovação e responsabilidade. Precisamos de políticas internacionais mais robustas, diálogo genuíno entre operadores comerciais e a comunidade científica, e compromisso com práticas sustentáveis no espaço. A órbita da Terra é um recurso compartilhado, finito e insubstituível. Como a utilizamos hoje determinará se as gerações futuras terão acesso tanto aos benefícios da tecnologia espacial quanto à capacidade de continuar explorando e compreendendo o cosmos.

A questão não é se devemos inovar, mas como fazê-lo de forma que preserve tanto nossas capacidades tecnológicas quanto nossa herança científica. Os próximos anos revelarão se conseguiremos encontrar esse equilíbrio delicado ou se a corrida pela computação orbital criará problemas mais sérios do que aqueles que pretende resolver.

Foto de Jonnhy Carvalho

Jonnhy Carvalho

Redator de tecnologia pelo ClicaTech, com foco principal em hardware, inteligência artificial e robótica. Atuo na produção de notícias, cobertura de lançamentos e análise de produtos tecnológicos, sempre com o compromisso de oferecer conteúdo informativo, atualizado e de alta qualidade. No ClicaTech, participo ativamente da curadoria de pautas, avaliação de dispositivos e elaboração de análises críticas sobre componentes de hardware, sistemas embarcados e baseados em IA e avanços no campo da robótica..

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