A CES 2026 mal começou e já está cumprindo sua promessa de ser a feira mais empolgante do ano para quem respira tecnologia. Em Las Vegas, gigantes como AMD, Lenovo, Nvidia e Intel subiram aos palcos para revelar inovações que vão muito além de simples atualizações incrementais. Estamos falando de saltos tecnológicos que podem mudar a forma como trabalhamos, nos divertimos e interagimos com o mundo digital.
Imagine chips de inteligência artificial mil vezes mais poderosos que os atuais, notebooks cujas telas literalmente crescem na sua frente em poucos segundos, óculos que traduzem conversas em tempo real enquanto você mantém contato visual com seu interlocutor. Tudo isso deixou de ser ficção científica e virou realidade comercializável em 2026. A AMD apresentou suas principais novidades neste evento.
Neste artigo, vamos mergulhar nas novidades mais impactantes reveladas nos primeiros dias da CES 2026. Prepare-se para conhecer tecnologias que vão fazer você repensar o que é possível em termos de computação, mobilidade e inteligência artificial.
AMD aposta alto em Chips de IA para desafiar a Nvidia
Se tem uma empresa que chegou com tudo na CES 2026, essa empresa é a AMD. A fabricante de processadores liderada por Lisa Su não veio apenas para mostrar produtos, mas para estabelecer uma visão ousada do futuro da inteligência artificial e da computação em geral.
Lisa Su abriu a apresentação da AMD com uma previsão audaciosa que deixou muita gente de queixo caído. Segundo ela, o número de usuários de inteligência artificial vai saltar dos atuais 1 bilhão para impressionantes 5 bilhões até 2030. Para entendermos melhor, estamos falando de 62% de toda a população mundial usando a IA regularmente.
A executiva foi clara ao afirmar que a IA vai se tornar tão indispensável quanto a própria internet ou os smartphones são hoje. Ela não está falando apenas de assistentes virtuais ou geradores de texto, mas de aplicações profundas em saúde, ciência, manufatura, comércio e praticamente todas as indústrias que você possa imaginar.
Para sustentar essa explosão de usuários, será necessário aumentar a capacidade da computação mundial em mais de cem vezes nos próximos cinco anos. Deixa eu traduzir isso em números que fazem a cabeça doer: de 1 zettaflop em 2022, já saltamos para mais de 100 zettaflops em 2025. A meta agora é chegar a 10 yottaflops até 2030.
Se essas palavras parecem saídas de um filme de ficção científica, você não está sozinho. Um zettaflop representa um sextilhão de operações por segundo. Um yottaflop é um número 1 seguido de 24 zeros. Estamos falando de um poder computacional que hoje parece absurdo, mas que será necessário para que a IA realmente transforme as nossas vidas.
Novos Chips AMD Instinct para Data Centers
Depois de estabelecer essa visão grandiosa, Lisa Su apresentou o hardware que vai torná-la realidade. O destaque foi a família de processadores AMD Instinct MI400, especialmente o modelo MI455 voltado para data centers de grande porte.



Esses chips são os componentes que ficam dentro dos racks de servidores que empresas como OpenAI, criadora do ChatGPT, utilizam para treinar e executar seus modelos de inteligência artificial. A AMD está tentando desafiar o domínio absoluto da Nvidia nesse mercado lucrativo que movimenta dezenas de bilhões de dólares trimestralmente.

Um dos anúncios mais interessantes foi o MI440X, uma versão adaptada do MI400 projetada especificamente para uso empresarial. Enquanto o MI455 é feito para clusters gigantes de IA em data centers especializados, o MI440X foi pensado para empresas que querem rodar inteligência artificial em suas próprias infraestruturas, sem necessariamente transformar tudo em um sistema dedicado exclusivamente a IA.
Essa estratégia mostra que a AMD entende que nem toda empresa quer ou pode construir supercomputadores do zero. Muitas organizações precisam integrar capacidades de IA em ambientes existentes, e o MI440X atende exatamente essa necessidade.
MI500: Olhando Para 2027 e além

Se os anúncios sobre 2026 já eram impressionantes, Lisa Su não parou por aí. Ela deu uma prévia da próxima geração de chips da AMD, a série MI500, prevista para chegar em 2027.
Segure-se na cadeira para esse número: os chips MI500 oferecerão desempenho mil vezes superior comparado à versão MI300 lançada em 2023. Sim, você leu certo. Mil vezes mais poder de processamento em apenas quatro anos.
Esse salto exponencial em capacidade computacional não é apenas impressionante do ponto de vista técnico. Ele representa a diferença entre modelos de IA que levam horas ou dias para treinar e modelos que podem ser desenvolvidos em minutos. Significa a diferença entre a IA que só funciona em grandes data centers e a IA que pode rodar localmente em empresas menores.
Helios: O Monstro de Três Toneladas

Para coroar sua apresentação, a AMD revelou a plataforma Helios, um conjunto completo de racks para data centers capaz de processar dados na escala de yottaflops. Lisa Su não economizou nas palavras ao descrever o equipamento, chamando-o literalmente de monstro.
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E não é para menos. Pesando mais de três toneladas, o Helios representa o estado da arte em infraestrutura para inteligência artificial. Ele usa placas e chips desenvolvidos internamente pela AMD, demonstrando a capacidade da empresa de entregar soluções completas, não apenas componentes isolados.
A Parceria Bilionária Com a OpenAI

Um dos momentos mais simbólicos da apresentação foi quando Greg Brockman, presidente da OpenAI, juntou-se a Lisa Su no palco. A presença dele não foi acidental. Em outubro de 2025, a AMD e a OpenAI firmaram um acordo de grande escala que deve adicionar bilhões de dólares à receita anual da fabricante de chips.
Para contextualizar a importância dessa parceria, precisamos entender que a OpenAI é uma das empresas mais influentes no mundo da inteligência artificial. O ChatGPT transformou a percepção pública sobre IA e demonstrou o potencial comercial dessa tecnologia. Ter a OpenAI como cliente e parceira representa um voto de confiança importante nos chips e softwares da AMD.
A primeira implementação dos chips MI400 da AMD pela OpenAI acontecerá ainda em 2026, servindo como uma vitrine poderosa para a capacidade da fabricante em competir com a Nvidia. Analistas, no entanto, são cautelosos ao prever que isso balançará significativamente o domínio da Nvidia no curto prazo, já que a líder de mercado continua vendendo todos os chips que consegue produzir.
Um Robô Humanoide Movido por AMD
Em um momento que misturou demonstração tecnológica com entretenimento, Lisa Su recebeu no palco Daniele Pucci, CEO da Generative Bionics, uma desenvolvedora italiana de inteligência artificial. Pucci apresentou o GENE.01, um robô humanoide que será o primeiro produto comercial da empresa.

O robô, que utiliza processadores AMD, está programado para começar a ser fabricado no segundo semestre de 2026. Esse tipo de demonstração serve para mostrar as aplicações práticas dos chips da AMD além dos data centers tradicionais. Robótica é um mercado emergente que depende fortemente de processamento de IA em tempo real, e a AMD quer garantir seu espaço nesse segmento.
Processadores Ryzen: IA Chega aos Computadores Pessoais

Enquanto os chips para data centers roubaram boa parte dos holofotes, a AMD não esqueceu dos consumidores comuns. A empresa anunciou várias novidades na linha Ryzen voltadas tanto para usuários que buscam recursos de inteligência artificial quanto para gamers que não abrem mão do desempenho máximo.
Ryzen AI Série 400: IA para todos
A linha Ryzen AI 400 representa a aposta principal da AMD para PCs com Copilot Plus, aquela categoria de computadores que a Microsoft vem promovendo como o futuro da computação pessoal. Pela primeira vez, além de notebooks, a AMD está trazendo esses processadores também para desktops.
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Os chips combinam núcleos de processamento Zen 5, gráficos RDNA 3.5 e uma unidade de processamento neural XDNA 2. Essa última é a chave para executar tarefas de inteligência artificial diretamente no seu computador, sem depender de conexão com internet ou servidores na nuvem.

Na prática, o que isso significa? Imagine editar fotos com IA que entende o contexto da imagem, transcrever reuniões em tempo real enquanto elas acontecem, ou ter um assistente virtual capaz de processar documentos complexos sem enviar seus dados para servidores externos. Tudo rodando localmente, com mais privacidade e velocidade de resposta.
Comparando com a geração anterior Ryzen AI 300, os novos chips aumentam a frequência de operação em até 200 MHz e elevam a capacidade da unidade neural de 50 para 60 TOPS. TOPS, que significa Tera Operations Per Second ou Trilhões de Operações Por Segundo, é a medida usada para avaliar o desempenho em tarefas de inteligência artificial.
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A AMD destacou ganhos práticos em produtividade, especialmente quando você está longe de uma tomada. A eficiência energética melhorada significa que você pode usar recursos de IA o dia inteiro sem drenar a bateria do notebook rapidamente.
Os primeiros produtos equipados com Ryzen AI 400 começam a chegar ainda no primeiro trimestre de 2026, com fabricantes como Dell, Asus e Lenovo já preparando suas ofertas. Um detalhe curioso que chamou atenção foi o anúncio de um teclado inteligente equipado com o chip, embora detalhes sobre esse produto ainda sejam escassos.
Ryzen AI Max Plus: Para Criadores e Desenvolvedores
Para quem precisa de ainda mais poder de fogo, a AMD apresentou a linha Ryzen AI Max Plus, uma categoria completamente nova que visa atender desenvolvedores de software e criadores de conteúdo.
A grande sacada aqui é a memória unificada com grande capacidade combinada com gráficos integrados RDNA 3.5 de alto desempenho. Essa configuração permite executar modelos complexos de inteligência artificial, renderizar projetos 3D pesados e até mesmo rodar jogos AAA sem precisar de uma placa de vídeo dedicada.
Os modelos 392 e 388 se destacam por trazerem a mesma GPU poderosa do top de linha 395, oferecendo desempenho comparável ao PlayStation 5 em notebooks portáteis, mas com custo potencialmente mais acessível. Para criadores que precisam de mobilidade sem sacrificar capacidade, essa pode ser a solução ideal.
A AMD posiciona esses processadores como uma ponte entre notebooks premium convencionais e workstations compactas. Durante as demonstrações, a empresa mostrou sistemas executando modelos de linguagem localmente, editando vídeos em 4K e realizando tarefas de design gráfico complexo, tudo em máquinas relativamente compactas.
Ryzen 7 9850X3D: Para Gamers
Para o público gamer entusiasta, a AMD também apresentou o Ryzen 7 9850X3D que mantém a fórmula de sucesso da tecnologia 3D V-Cache aliada à arquitetura Zen 5 mais recente.
O 3D V-Cache é uma inovação onde a AMD empilha camadas adicionais de memória cache diretamente sobre o processador. Cache, para quem não está familiarizado, é uma memória super rápida que fica próxima aos núcleos do processador e armazena dados que são acessados com frequência. Quanto mais cache, melhor o desempenho em tarefas que dependem de acesso rápido a informações.
Para jogos, especialmente títulos competitivos onde cada frame por segundo conta, essa cache extra faz diferença real. O 9850X3D promete taxas de quadros mais altas e, mais importante ainda, maior consistência no desempenho ao longo de sessões prolongadas de jogos.
Uma vantagem adicional é a compatibilidade com o soquete AM5, a plataforma atual da AMD. Isso significa que quem já tem uma placa-mãe recente que pode fazer upgrade apenas trocando o processador, sem a necessidade de substituir outros componentes. Essa filosofia de compatibilidade é algo que os fãs da AMD valorizam muito.
Continue acompanhando as novidades da CES 2026 aqui no ClicaTech. A feira ainda tem alguns dias pela frente e mais anúncios certamente surgirão. Além dos grandes nomes que já se apresentaram, dezenas de startups e empresas menores estão mostrando inovações em áreas específicas que podem se tornar as próximas grandes tendências.
Continue acompanhando a cobertura para não perder nenhum detalhe importante. As tecnologias apresentadas na CES 2026 vão definir conversas, decisões de compra e estratégias corporativas ao longo de todo o ano.
E lembre-se: hoje esses produtos parecem futuristas e caros, mas a história da tecnologia nos ensina que o que é inovação de ponta hoje se torna commodity acessível amanhã. Os smartphones que carregamos no bolso teriam parecido mágica há apenas 15 anos. As tecnologias mostradas na CES 2026 seguirão o mesmo caminho, tornando-se parte natural das nossas vidas mais cedo do que imaginamos.
