Starlink recebeu aprovação para 7.500 Satélites: Internet Satélite 5G chega em 2027

FCC dos EUA autoriza lançamento de mais 7.500 satélites de segunda geração com velocidades de até 1 Gbps e conectividade celular global graças ao espectro de 17 bilhões de dólares da EchoStar

Starlink recebeu aprovação para 7.500 Satélites: Internet Satélite 5G chega em 2027

A era da conectividade total está oficialmente mais próxima. A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos aprovou a expansão mais ambiciosa da história da constelação Starlink, empresa de Elon Musk: A Starlink recebeu aprovação para 7.500 Satélites de segunda geração . Isso eleva o total autorizado para os impressionantes 15 mil unidades orbitando nosso planeta.

Mas o número absurdo de satélites é apenas o começo da história. O que realmente muda tudo é o que esses satélites de nova geração vão fazer: transformar literalmente qualquer smartphone comum em um dispositivo conectado globalmente, mesmo nas áreas mais remotas do planeta onde nenhuma torre de celular jamais chegou.

Estamos falando de internet verdadeiramente ubíqua. Do fim das zonas mortas de cobertura móvel. De conectividade 5G vinda diretamente do espaço. E de uma segunda geração do serviço que promete ser 100 vezes mais potente que a atual, chegando em 2027 graças a um investimento bilionário em espectro de rádio.

A aprovação da FCC em 9 de janeiro de 2026 não foi apenas um carimbo burocrático. Representa uma mudança fundamental em como pensamos sobre conectividade e infraestrutura de telecomunicações. Pela primeira vez na história, estamos vendo a possibilidade real de eliminar completamente as lacunas de cobertura que atormentam até os países mais desenvolvidos.

Vamos destrinchar exatamente o que está acontecendo, o que muda para você, quando tudo isso chega de fato e por que essa aprovação é muito mais revolucionária do que parece à primeira vista.

O que a FCC realmente aprovou?

A autorização concedida pela FCC vai muito além de simplesmente permitir que mais satélites subam ao espaço. O documento oficial traz múltiplas liberações que juntas transformam completamente as capacidades da rede Starlink.

Primeiro, os números crus. A SpaceX pode agora operar 7.500 satélites Gen2 adicionais aos 7.500 já autorizados anteriormente, totalizando 15 mil unidades. Para você ter uma dimensão, a rede Starlink atual opera com cerca de 9.400 satélites em órbita. Estamos falando de quase dobrar o tamanho de uma constelação que já é a maior da história da humanidade.

Mas aqui está o detalhe crítico que muita gente não percebeu: a autorização não é apenas numérica. A FCC também permitiu que a SpaceX modifique todos os 15 mil satélites Gen2 com fatores avançados e tecnologia de ponta.

O órgão autorizou a SpaceX a operar os satélites Gen2 usando frequências adicionais nas bandas Ku, Ka, V e W, além de permitir operação tanto em espectro de serviços móveis via satélite quanto em serviços fixos via satélite em determinadas frequências.

Pense nas bandas de frequência como canais por onde passam os dados (internet, vídeos, mensagens etc.) entre os satélites e a Terra.

Leia Mais: IBM e Cisco anunciam Rede Quântica: Será o início da Internet Quântica?

Cada banda é uma estrada diferente, com características próprias:

Banda Ku

  • É uma banda mais antiga e muito usada
  • Funciona bem em quase qualquer lugar
  • Aguenta chuva e mau tempo melhor que as outras
  • Já é usada por TV via satélite e pela Starlink

Estrada confiável, mas não é a mais larga

Banda Ka

  • Mais moderna que a Ku
  • Permite mais velocidade de internet
  • Suporta mais pessoas conectadas ao mesmo tempo
  • É um pouco mais sensível à chuva

Estrada mais larga, mas exige mais cuidado

Banda V

  • Frequência bem mais alta
  • Transmite muito mais dados
  • Ideal para áreas com muita demanda (cidades, aviões, navios)
  • Precisa de tecnologia mais avançada

Rodovia super larga, porém, mais delicada

Banda W

  • Ainda mais avançada e pouco usada
  • Capacidade gigantesca de transmissão
  • Pensada para o futuro da internet por satélite
  • Exige equipamentos muito modernos

O futuro da internet espacial

Resumo simples

BandaO que oferece
KuEstável e confiável
KaMais velocidade
VMuito mais capacidade
WTecnologia do futuro

Por que a SpaceX quer usar todas as bandas?

Porque assim ela pode usar as bandas Ku e Ka onde a conexão precisa ser estável e usar as bandas V e W onde precisam de muita velocidade e muita gente conectada

Resultado: internet mais rápida, mais estável e para mais pessoas.

E tem mais. A FCC concedeu uma flexibilização temporária dos limites de densidade de fluxo de potência equivalente, conhecidos pela sigla EPFD. Esses limites existiam para evitar que constelações em órbita baixa interferissem com satélites geoestacionários, mas a agência reconheceu que estavam desnecessariamente limitando o potencial das redes da próxima geração.

Traduzindo tudo isso do tecniquês: a SpaceX pode agora operar satélites muito mais potentes, em mais frequências simultaneamente, com maior flexibilidade orbital e com capacidade aprimorada de evitar interferências. É como se antes você dirigisse um carro com limitador de velocidade e pneus velhos, e agora recebesse autorização para instalar motor turbo e pneus de corrida.

O presidente da FCC, Brendan Carr, declarou que esta autorização da FCC é um divisor de águas para habilitar serviços de próxima geração. Não foi apenas uma retórica política. A decisão cria o framework regulatório para uma transformação da conectividade global.

Prazos

A FCC não deu uma carta branca indefinida para a SpaceX. A aprovação vem acompanhada de prazos específicos e rigorosos que a empresa precisa cumprir para manter suas licenças.

A SpaceX deve lançar 50% dos satélites aprovados até 1º de dezembro de 2028, e os 50% restantes até dezembro de 2031. Isso significa 7.500 satélites em menos de três anos e os outros 7.500 nos três anos seguintes.

Para uma empresa que já detém o recorde mundial de lançamentos espaciais, esses prazos são agressivos mas alcançáveis. A SpaceX tem lançado satélites Starlink em ritmo um frenético através de seus foguetes Falcon 9 reutilizáveis. Com o Starship, seu veículo de lançamento super pesado em desenvolvimento, a cadência pode acelerar muito.

A SpaceX planeja começar a lançar satélites V3 maiores em 2026 usando o Starship, com cada satélite capaz de fornecer mais de um terabit por segundo de capacidade de downlink. Leia isso de novo. Um terabit por segundo. Por satélite. Isso é mil gigabits, ou um milhão de megabits.

Para contextualizar, a conexão de fibra ótica residencial mais rápida disponível comercialmente hoje oferece cerca de 10 Gbps. Um único satélite V3 da SpaceX terá capacidade equivalente a 100 dessas conexões residenciais ultra-premium. E a empresa planeja lançar milhares deles.

O cronograma também inclui obrigações específicas sobre os satélites de primeira geração. A SpaceX deve completar o lançamento dos 7.500 satélites Gen1 até o final de novembro de 2027. É uma corrida contra o relógio em múltiplas frentes simultaneamente.

A Compra de 17 Bilhões em Espectro

Aqui chegamos à parte que realmente explica por que 2027 é uma data tão importante: em setembro de 2025, a SpaceX fechou um acordo para adquirir licenças de espectro da EchoStar (fornecedor global de serviços de satélite ) por aproximadamente 17 bilhões de dólares.

Esse não foi um negócio qualquer. Foi a maior aquisição de espectro de rádio por uma empresa espacial na história. O pacote inclui 50 MHz em radiofrequências nas bandas AWS-4 e H-block, além de licenças globais de serviço móvel por satélite.

O pagamento será feito em duas partes iguais: 8,5 bilhões de dólares em dinheiro e 8,5 bilhões em ações da própria SpaceX, tornando a EchoStar acionista minoritária da empresa de Musk. Além disso, a SpaceX financiará cerca de 2 bilhões de dólares em pagamentos de juros relacionados à dívida da EchoStar até novembro de 2027.

Por que a SpaceX pagaria essa fortuna por espectro? Porque sem ele, o serviço celular via satélite nunca poderia operar em escala global e com uma performance verdadeiramente competitiva. O espectro adquirido opera nas bandas de 1,9 GHz e 2 GHz, que são ideais para penetração de sinal e comunicação com dispositivos móveis.

A compra não beneficia apenas a SpaceX. Como parte do acordo, os assinantes da Boost Mobile, operadora da EchoStar, terão acesso ao serviço Starlink Direct to Cell de próxima geração. É uma parceria comercial de longo prazo que cria valor para ambos os lados.

E tem um detalhe geopolítico importante: o acordo foi fechado sob pressão regulatória. A FCC estava investigando se a EchoStar estava usando adequadamente suas licenças de espectro, ameaçando revogá-las. Segundo reportagem da Bloomberg, até o Presidente Donald Trump teria pressionado pessoalmente o CEO da EchoStar a vender as licenças. Com a venda concluída, a investigação foi encerrada.

Como a Segunda Geração do Starlink Celular funcionará?

Starlink recebeu aprovação para 7.500 Satélites: Internet Satélite 5G chega em 2027

Aqui está onde a coisa fica realmente fascinante do ponto de vista técnico. O Starlink Direct to Cell atual, lançado em janeiro de 2024, já opera com mais de 600 satélites dedicados cobrindo cinco continentes e atendendo mais de seis milhões de usuários.

Mas as capacidades atuais são limitadas. O serviço funciona principalmente para mensagens de texto, compartilhamento de imagens e dados rudimentares através de aplicativos otimizados. A largura de banda disponível por usuário é restrita. Pense nisso como o equivalente a uma conexão 2G ou 3G básica.

A segunda geração, prevista para 2027, será uma transformação completa. A expectativa é de um aumento de até 20 vezes no throughput (taxa de transferência) por satélite e 100 vezes na capacidade total da rede, oferecendo conectividade móvel comparável ao 5G terrestre.

Vamos destrinchar o que isso significa na prática. Os novos satélites serão projetados para operar protocolos 5G nativamente. Segundo a SpaceX, a arquitetura contará com chip próprio, antenas capazes de milhares de feixes espaciais e suporte ampliado a aplicativos.

Milhares de feixes espaciais por satélite é o número que impressiona. Cada feixe pode atender múltiplos usuários simultaneamente em uma área geográfica específica. Quando você tem milhares de feixes, consegue atender milhares de usuários ao mesmo tempo com uma qualidade de sinal elevada.

Os aplicativos suportados vão muito além de mensagens. Redes sociais, navegação GPS, serviços de meteorologia, streaming de vídeo e praticamente qualquer aplicativo que você usa no celular funcionará normalmente. A experiência será indistinguível de estar conectado a uma torre de celular convencional.

E talvez o mais importante: funcionará em qualquer smartphone moderno sem hardware especial. Os satélites fazem todo o trabalho pesado de estabelecer conectividade. Do ponto de vista do telefone, é apenas mais uma torre de celular, só que a 500 quilômetros de altitude.

A Velocidade de 1 Gbps que vai envergonhar muita Fibra Ótica

A FCC deixou claro em sua aprovação que os satélites adicionais permitirão serviços móveis da próxima geração, bem como velocidades de internet de até 1 gigabit por segundo.

Um gigabit por segundo via satélite. Para um celular. Em qualquer lugar do planeta.

A maioria das conexões de fibra ótica residenciais oferece entre 100 e 500 Mbps. Empresas vendem planos de 1 Gbps como premium absoluto, cobrando centenas de dólares mensais. E aqui está a SpaceX dizendo que vai entregar essa velocidade via satélite para dispositivos móveis.

Claro, existem nuances. Essa velocidade de 1 Gbps provavelmente representa o pico teórico em condições ideais. Na prática, usuários individuais receberão velocidades variáveis dependendo de quantas pessoas estão conectadas na mesma área, condições atmosféricas, obstruções e outros fatores.

Mas mesmo que a velocidade real seja metade ou um quarto do pico teórico, ainda estamos falando de 250 a 500 Mbps via satélite. Isso é mais rápido que a vasta maioria das conexões residenciais fixas no mundo. É velocidade suficiente para fazer videochamadas em 4K, jogar online sem lag, baixar filmes inteiros em segundos e rodar qualquer aplicativo moderno sem limitações.

O Fim das Zonas Mortas de Cobertura Móvel

Starlink recebeu aprovação para 7.500 Satélites: Internet Satélite 5G chega em 2027

Gwynne Shotwell, presidente e COO da SpaceX, foi categórica sobre a missão: isso fará avançar nossa missão de acabar com as zonas mortas móveis em todo o mundo.

Zonas mortas são aquelas áreas frustrantes onde seu celular simplesmente não pega sinal. Vales entre montanhas. Trechos de rodovias no interior. Parques nacionais e áreas de preservação. Oceanos e mares. Regiões rurais distantes. Países em desenvolvimento com infraestrutura limitada.

Atualmente, essas zonas mortas cobrem a maior parte da superfície terrestre. Segundo estimativas, cerca de 90% da área do planeta não possui cobertura celular confiável. Mesmo em países desenvolvidos como Estados Unidos, vastas extensões territoriais permanecem sem conectividade.

Construir torres de celular nessas áreas é economicamente inviável. O custo de infraestrutura é proibitivo quando você tem pouquíssimos usuários potenciais. É por isso que operadoras tradicionais nunca vão cobrir esses lugares.

Satélites mudam completamente essa realidade. Um único satélite em órbita baixa pode cobrir centenas de milhares de quilômetros quadrados simultaneamente. Quando você tem milhares de satélites trabalhando em conjunto, consegue uma verdadeira cobertura global sem precisar construir uma única torre terrestre.

Alguns setores como a Aviação podem manter a conectividade ininterrupta em rotas transoceânicas. A Navegação marítima obtém comunicações confiáveis em meio ao oceano. A Agricultura de precisão funciona em fazendas remotas. Serviços de emergência podem salvar vidas em áreas sem infraestrutura.

E para os usuários individuais significa simplesmente nunca mais ver aquele ícone frustrante de sem serviço na tela do celular.

A Integração com a T-Mobile e outras Operadoras

A parceria da SpaceX com a T-Mobile nos Estados Unidos serve como protótipo de como o serviço celular Starlink funcionará globalmente. Desde o início de 2024, assinantes da T-Mobile podem usar o sistema que funciona como roaming com redes móveis terrestres, sem a necessidade de aparelhos ou aplicativos especiais.

Quando você está numa área com cobertura convencional da T-Mobile, seu telefone se conecta normalmente às torres terrestres. Quando sai da área de cobertura, o telefone automaticamente faz um roaming para os satélites Starlink. Do ponto de vista do usuário, a transição é completamente transparente.

Atualmente o serviço oferece principalmente mensagens de texto e compartilhamento de imagens. Mas já existem demonstrações de chamadas de vídeo e uso de aplicativos otimizados em telefones selecionados como o Pixel 10 ou Samsung Galaxy S25 Ultra.

Com a segunda geração chegando em 2027, a tecnologia trará conectividade de dados completa em áreas sem cobertura celular, até streaming de vídeo e outras tarefas com uso intensivo de dados. Qualquer iPhone, Pixel ou Galaxy moderno funcionará nativamente com o serviço.

A parceria não se limita à T-Mobile. Com a aquisição do espectro da EchoStar, assinantes da Boost Mobile terão acesso ao serviço de conectividade via satélite direta para o celular na próxima geração da Starlink.

E a SpaceX está negociando com outras operadoras ao redor do mundo. O modelo é simples: as operadoras pagam à SpaceX para que seus clientes tenham acesso aos satélites como cobertura suplementar. As operadoras expandem as suas áreas de serviço sem precisar construir uma nova infraestrutura cara. A SpaceX monetiza sua constelação. Todo mundo ganha.

E no Brasil? Quando o Serviço Celular Starlink chega aqui?

A situação no Brasil é particularmente interessante e está evoluindo rapidamente. Em abril de 2025, a Anatel permitiu que 7.500 satélites de segunda geração da Starlink operem no Brasil.

Mas existe uma complicação regulatória importante. A Starlink ainda não tem autorização do regulador brasileiro para ofertar o serviço celular via satélite. A Anatel está passando por mudanças nas regras que regem esse tipo de serviço.

O conselho da agência decidiu extinguir a atual licença de telefonia via satélite, chamada SGS, e colocá-la sob o guarda-chuva da licença de telefonia móvel, a SMP. As operadoras de satélite terão que fazer transição para a nova outorga seguindo condições que a Anatel deve publicar.

Essa mudança regulatória na verdade abre espaço para que a SpaceX venda internet móvel para celulares no Brasil sem depender de um acordo com operadoras tradicionais. Isso porque a empresa adquiriu licenças da União Internacional de Telecomunicações para operar no espectro de telefonia via satélite.

O Brasil é um mercado absolutamente crucial para a Starlink. Os dados da Anatel mostram que o serviço de internet via satélite avança sobretudo em zonas rurais das regiões Norte e Centro-Oeste, sem infraestrutura de fibra ótica. Esses locais frequentemente também não têm torres de celular.

Até agosto de 2025, a Starlink já tinha 422.850 clientes de internet via satélite no Brasil, muito à frente da concorrente HughesNet com 157.665. É a base de usuários perfeita para eventualmente migrar para o serviço celular quando aprovado.

A questão não é se o Starlink Direct to Cell chegará ao Brasil, mas quando. Considerando que a segunda geração global está prevista para 2027, e que o Brasil é um dos maiores mercados da Starlink, é razoável esperar que o serviço celular esteja disponível por aqui entre 2027 e 2028, dependendo de como evoluem as negociações regulatórias.

Os Rivais que Tentam Alcançar a Starlink

A Starlink não está sozinha nessa corrida por conectividade celular via satélite. Múltiplos concorrentes estão desenvolvendo serviços similares, embora nenhum tenha a escala ou a cadência de lançamento da empresa de Musk.

A AST SpaceMobile está construindo uma constelação de satélites gigantescos chamados BlueBirds, cada um com antenas do tamanho de um campo de basquete quando abertas. A empresa já demonstrou chamadas de voz diretas para smartphones padrão e fechou parcerias com operadoras como AT&T e Verizon nos Estados Unidos.

A Globalstar, parceira da Apple, fornece o serviço de emergência via satélite dos iPhones mais recentes. Embora ainda limitado a mensagens SOS, a Apple está investindo bilhões para expandir as capacidades da constelação Globalstar.

A Amazon desenvolveu o Projeto Kuiper, sua própria constelação de internet via satélite que eventualmente também deve oferecer conectividade celular. A empresa tem contratos garantidos para lançar milhares de satélites nos próximos anos usando múltiplos fornecedores de foguetes.

A China está construindo várias constelações em megaescala, incluindo a Guowang com planos para 13 mil satélites. Embora focadas inicialmente em internet de banda larga, a conectividade celular certamente virá.

Mas a SpaceX possui vantagens competitivas formidáveis. Controla seu próprio meio de lançamento através dos foguetes Falcon 9 e Starship, permitindo cadência e custos que nenhum rival consegue igualar. Já opera a maior constelação de satélites da história com experiência operacional inigualável. E com a aquisição do espectro da EchoStar, garantiu as frequências ideais para o serviço celular global.

Os rivais vão competir, e a competição é saudável. Mas a SpaceX largou com anos de vantagem e está acelerando enquanto outros ainda tentam sair da linha de partida.

As Críticas da Comunidade Científica e Astronômica

Nem tudo são flores. A expansão da constelação Starlink reacendeu críticas recorrentes, especialmente da comunidade astronômica.

Astrônomos alertam para o impacto da poluição luminosa na observação do céu. Satélites em órbita baixa refletem luz solar, criando rastros luminosos que atravessam o campo de visão de telescópios. Para observações de longa exposição, essas trilhas podem arruinar imagens científicas valiosas.

Starlink recebeu aprovação para 7.500 Satélites: Internet Satélite 5G chega em 2027
Simulação da contaminação projetada por satélites. As faixas de luz refletidas pelos satélites artificiais de telecomunicações ofuscam a imagem de duas galáxias em segundo plano.
Fonte: NASA/Borlaff, Marcum, Howell/Nature

A SpaceX tem trabalhado para mitigar o problema. Os satélites mais recentes incluem viseiras especiais para reduzir a reflexividade e são orientados durante passagens críticas para minimizar o brilho. Mas mesmo com essas medidas, a SpaceX deve manter a coordenação contínua com a NASA e a National Science Foundation para mitigar o impacto da luminosidade dos satélites na astronomia ótica e radioastronômica.

Outra preocupação séria é o aumento do risco de lixo espacial e colisões em órbita baixa. Com 15 mil satélites autorizados apenas da SpaceX, mais milhares de concorrentes, e dezenas de milhares de fragmentos de detritos já em órbita, o espaço ao redor da Terra está ficando congestionado.

A própria SpaceX reconheceu isso. Em dezembro de 2025, a empresa disse que um de seus satélites sofreu uma anomalia no espaço, criando uma pequena quantidade de detritos e perdendo comunicação com a espaçonave a uma altitude de 418 km.

Em resposta, a Starlink começará a reconfigurar sua constelação de satélites reduzindo todos os satélites orbitando a cerca de 550 km para 480 km ao longo de 2026, um movimento para aumentar a segurança espacial. Em altitudes mais baixas, satélites desativados reentram na atmosfera e se desintegram mais rapidamente, reduzindo o risco do lixo espacial a longo prazo.

As críticas são legítimas e precisam ser levadas a sério. Mas também é importante reconhecer que a SpaceX está ativamente trabalhando em soluções e que os benefícios sociais de conectividade global podem justificar, especialmente se as mitigações adequadas forem implementadas.

A Limitação Estratégica

Vale notar que a aprovação foi parcial. A SpaceX originalmente solicitou permissão para operar até 30 mil satélites de segunda geração. A FCC autorizou apenas 15 mil.

A FCC adiou a autorização dos 14.988 satélites Gen2 propostos restantes, incluindo satélites propostos para operação acima de 600 km. A agência quer ver como a primeira metade da constelação se comporta antes de liberar a segunda metade.

Isso demonstra uma abordagem regulatória prudente. Aprovar 30 mil satélites de uma vez seria um salto potencialmente arriscado. Autorizando metade primeiro, a FCC mantém controle e pode avaliar impactos reais antes de permitir expansão adicional.

Para a SpaceX, 15 mil satélites já são mais que suficientes para implementar completamente o serviço global de internet e celular via satélite com redundância robusta. Se eventualmente precisar dos outros 15 mil, pode solicitar nova autorização com base nos resultados demonstrados.

Do ponto de vista estratégico, também faz sentido para Musk não colocar todos os ovos na mesma cesta. Se surgirem problemas técnicos ou regulatórios significativos, ainda tem margem para ajustar antes de comprometer o dobro de recursos.

A Revolução Silenciosa que está acontecendo sobre as nossas cabeças

Enquanto você lê este texto, existem milhares de satélites Starlink orbitando silenciosamente sobre sua cabeça a aproximadamente 500 quilômetros de altitude, viajando a 27 mil quilômetros por hora.

Em 2027, esses satélites começarão a fazer algo que parecia ficção científica apenas alguns anos atrás: transformar qualquer smartphone comum num dispositivo conectado globalmente, independente de estar no meio de uma metrópole ou no meio do nada.

A aprovação da FCC para 15 mil satélites não é apenas um número grande. É a infraestrutura regulatória para uma mudança fundamental em como a humanidade se comunica.

Pela primeira vez na história, estamos vendo a possibilidade real da conectividade universal.

As implicações vão muito além de poder checar Instagram no meio da floresta amazônica. Estamos falando da educação remota chegando a aldeias isoladas. Da telemedicina salvando vidas em áreas sem hospitais. De agricultores otimizando colheitas com dados em tempo real. De pesquisadores coletando informações em regiões extremas. De equipes de resgate coordenando operações em desastres naturais.

É uma infraestrutura tão fundamental quanto estradas, energia elétrica e água encanada. Só que em vez de cabos enterrados no chão, são satélites orbitando no espaço.

E diferente da infraestrutura terrestre que leva décadas e trilhões para construir, a SpaceX está fazendo isso em questão de anos com custos ordens de magnitude menores graças a foguetes reutilizáveis e manufatura em escala.

O futuro está literalmente sendo construído sobre nossas cabeças neste exato momento. Em 2027, quando você puder fazer uma videochamada em 4K do topo de uma montanha remota ou do meio do oceano usando seu smartphone comum, lembre-se deste momento. Lembre-se de quando os satélites tornaram isso possível.

Foto de Rodrigo dos Anjos

Rodrigo dos Anjos

Rodrigo é redator do ClicaTech e formado em Ciências da Computação com Especialização em Segurança da Informação. Amante declarado da tecnologia, dedica-se não apenas a acompanhar as tendências do setor, mas também a compreender, aplicar, proteger e explorar soluções que unam inovação, segurança e eficiência.

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Conteúdo elaborado e revisado pela redação do ClicaTech.  Pode conter tradução com auxílio de Inteligência Artificial.

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