TikTok dos EUA enfrenta Falhas e Polêmicas: 3 Mudanças Preocupantes nos Termos de Serviço após Acordo com a Oracle

Após a aquisição por Larry Ellison e aliados de Trump, o TikTok americano enfrenta falhas técnicas e introduz coleta de localização precisa, análise de vídeos antes da publicação e rastreamento de dados sensíveis que assustam usuários e especialistas

TikTok dos EUA enfrenta Falhas e Polêmicas: 3 Mudanças Preocupantes nos Termos de Serviço após Acordo com a Oracle

Os primeiros dias do TikTok sob nova administração americana estão longe de serem tranquilos. Desde que a plataforma concluiu o polêmico acordo de transferência da operação nos Estados Unidos para um grupo liderado pela Oracle, do bilionário Larry Ellison, o TikTok dos EUA enfrenta Falhas e Polêmicas e os usuários relatam uma série de problemas técnicos acompanhados de mudanças significativas e preocupantes nos Termos de Serviço que regem o uso da rede social.

O acordo que todos esperavam finalmente se tornou oficial em 23 de janeiro de 2026. A TikTok USDS Joint Venture LLC foi formada, com 80,1% de participação nas mãos de investidores americanos, incluindo Oracle, Silver Lake e o fundo de investimento de Abu Dhabi. Larry Ellison, de 81 anos e aliado declarado do presidente Donald Trump, emerge como figura central nessa nova estrutura de poder que controla a plataforma com mais de 170 milhões de usuários nos Estados Unidos.

Mas o que parecia ser apenas uma solução burocrática para evitar o banimento da plataforma se transformou rapidamente em uma situação que muitos descrevem como preocupante ou até mesmo aterrorizante. Usuários começaram a relatar dificuldades para enviar vídeos, visualizações zeradas em seus conteúdos, problemas de conexão generalizados e um comportamento estranho do algoritmo. Ao mesmo tempo, a plataforma atualizou seus Termos de Serviço com mudanças que deixaram especialistas em segurança e privacidade em alerta máximo.

A grande questão que paira sobre a comunidade do TikTok agora é: essas falhas são realmente problemas técnicos ou existe algo mais acontecendo por trás das cortinas? E as novas políticas de privacidade representam apenas conformidade legal ou sinalizam uma mudança fundamental na forma como a plataforma opera?

Leia Mais: Larry Ellison: O Magnata que adquiriu o TikTok e busca o controle global através da Tecnologia e da Mídia

O Acordo que Mudou tudo e seus Principais Personagens

Para entender o que está acontecendo, precisamos olhar para quem são os novos controladores do TikTok americano. Larry Ellison não é apenas o cofundador e presidente da Oracle. Com uma fortuna estimada em cerca de US$ 390 bilhões, segundo os dados mais recentes, ele é uma das pessoas mais ricas do mundo e tem laços profundos com a administração Trump que remontam ao primeiro mandato do presidente.

Ellison foi um dos primeiros a abraçar publicamente Trump na indústria da tecnologia, sediando eventos de arrecadação de fundos e defendendo abertamente o presidente quando outros magnatas do Vale do Silício mantinham distância. Sua relação com o governo não é apenas política, é também financeira e estratégica. A Oracle hospeda dados do TikTok desde 2022, quando o debate sobre a segurança nacional já estava quente.

O filho de Ellison, David, também está expandindo o império familiar na mídia. Ele liderou recentemente a aquisição da Paramount e da rede de TV CBS em uma negociação de US$ 8 bilhões. Esse movimento transformou a família Ellison em players poderosos não apenas na tecnologia, mas também no controle de narrativas e conteúdo de entretenimento nos Estados Unidos.

Outros investidores na nova joint venture incluem Jeff Yass, fundador do Susquehanna International Group e também aliado de Trump, e o fundo MGX dos Emirados Árabes Unidos, liderado pelo conselheiro de segurança nacional do país, Tahnoun bin Zayed Al Nahyan. Esse último ponto é particularmente irônico: os Estados Unidos estavam preocupados com o controle chinês sobre os dados dos americanos, mas agora um estado do Golfo Pérsico com histórico autoritário tem participação igual à Oracle na operação.

As Falhas Técnicas que geraram Suspeitas

O primeiro fim de semana após a conclusão da venda trouxe uma enxurrada de relatórios de problemas técnicos que atingiram usuários em diferentes regiões, inclusive no Brasil. Entre as falhas mais relatadas estavam dificuldades para fazer login, vídeos travados em análise sem prazo definido para publicação, comentários que não carregavam e um comportamento bizarro do algoritmo.

O que mais chamou atenção foi que a aba “Para Você” de muitos usuários parecia ter sido completamente resetada, exibindo conteúdos genéricos e fora do padrão habitual de personalização. Para quem usa o TikTok diariamente, essa mudança é gritante. O algoritmo da plataforma é famoso por sua precisão assustadora em entender exatamente o tipo de conteúdo que você quer ver, então quando começa a mostrar vídeos aleatórios e desconectados dos seus interesses, algo claramente está errado.

Dados do DownDetector, serviço que monitora interrupções em tempo real, registraram um pico de reclamações nas primeiras horas da manhã de domingo, 25 de janeiro. Mas os problemas não ficaram restritos a esse período. Os registros de falhas continuaram subindo ao longo de segunda e terça-feira, com criadores relatando vídeos que simplesmente não foram ao ar mesmo horas após o envio.

Em resposta às crescentes preocupações, o TikTok emitiu um comunicado na noite de segunda-feira, 26 de janeiro, atribuindo os problemas a uma grave falha de infraestrutura provocada por uma queda de energia em um data center nos Estados Unidos, segundo o The Verge. A empresa afirmou estar trabalhando com seu parceiro de infraestrutura para estabilizar o serviço e pediu desculpas pela interrupção.

Vale notar que os Estados Unidos estavam atravessando uma tempestade de neve severa naquele período, que de fato afetou a energia elétrica em várias regiões do país. Isso dá alguma credibilidade à explicação oficial. No entanto, o momento da falha, logo após a transferência de controle, combinado com outros elementos que vamos explorar, fez muitos usuários questionarem se essa é toda a história.

Alegações de Censura e a Morte de Alex Pretti

As suspeitas ganharam força especialmente entre usuários críticos ao governo Trump após relatos de que vídeos sobre as operações do ICE, a polícia migratória americana, estavam sendo bloqueados ou censurados na plataforma. O caso ganhou visibilidade após a morte de Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos morto durante um protesto contra as políticas de imigração em Minneapolis no fim de semana.

Alex Pretti trabalhava como enfermeiro de UTI e participava de um protesto em uma igreja quando agentes do ICE entraram no local. Testemunhas relatam que ele foi alvejado e morto pelos agentes federais. O incidente gerou indignação nacional e virou um ponto de mobilização para grupos que se opõem às políticas de deportação em massa da administração Trump.

Usuários do TikTok que tentaram postar vídeos sobre o caso, compartilhar informações sobre protestos ou criticar as ações do ICE reportaram dificuldades incomuns. Alguns disseram que seus vídeos ficavam presos na moderação indefinidamente. Outros relataram quedas abruptas no alcance de suas publicações, com vídeos que normalmente atingiriam dezenas de milhares de visualizações mal chegando a algumas centenas.

A comediante Meg Stalter, conhecida pela série Hacks e com mais de 270 mil seguidores no TikTok, anunciou no Instagram que deletou a sua conta pelo que chamou de censura flagrante.

“Agora que o TikTok tem novos donos, estamos sendo totalmente censurados e monitorados”, declarou Stalter em seu post no Instagram.

O TikTok negou veementemente qualquer censura deliberada, atribuindo os problemas exclusivamente às falhas de infraestrutura. No entanto, a empresa não explicou por que os problemas pareciam afetar desproporcionalmente conteúdo crítico ao governo ou ao ICE, enquanto outros tipos de vídeos continuavam funcionando normalmente.

As Três Mudanças Preocupantes nos Termos de Serviço

Enquanto os problemas técnicos dominavam as manchetes, uma história igualmente importante se desenrolava nos documentos legais. Para que a transição funcionasse legalmente, os Termos de Serviço do TikTok nos Estados Unidos precisaram ser alterados para atender às exigências da segurança nacional e às leis estaduais como a Lei de Privacidade do Consumidor da Califórnia, conhecida pela sigla CCPA.

Essas leis exigem que as empresas sejam muito mais explícitas e transparentes sobre o que acontece com os dados que você envia aos seus serviços. E quando o TikTok atualizou seus termos, o que foi revelado deixou muita gente desconfortável. Vamos examinar as três mudanças principais que geraram mais preocupação.

Mudança 1: Coleta de Dados de Identidade Sensíveis

A primeira mudança significativa está relacionada aos tipos de informações pessoais que o TikTok pode coletar sobre você. Os novos termos deixam explícito que a plataforma pode coletar informações sensíveis como status imigratório, identidade de gênero, origem religiosa e racial, e diagnósticos médicos.

TikTok dos EUA enfrenta Falhas e Polêmicas: 3 Mudanças Preocupantes nos Termos de Serviço após Acordo com a Oracle
Imagem: Crédito/tomsguide)
TikTok dos EUA enfrenta Falhas e Polêmicas: 3 Mudanças Preocupantes nos Termos de Serviço após Acordo com a Oracle
Tradução: Edição/ClicaTech

Agora, antes de entrarmos em pânico, precisamos do contexto. Segundo informações do site tomsguide, Acredita-se que o algoritmo do TikTok já vinha coletando pelo menos algumas dessas informações no passado para personalizar a página “Para Você” de acordo com seus gostos e interesses. A diferença agora é que essa coleta está sendo declarada abertamente nos termos de uso, ao invés de acontecer nos bastidores sem divulgação clara.

Jennifer Daniels, sócia do escritório de advocacia Blank Rome, explicou ao site TechCrunch que essa transparência forçada é na verdade uma exigência das novas leis de privacidade. De acordo com essas leis, o TikTok é obrigado a notificar os usuários em sua política de privacidade de que informações pessoais sensíveis estão sendo coletadas, como estão sendo usadas e com quem estão sendo compartilhadas, disse Daniels.

“O que para um órgão regulador é interpretado como transparência, para um usuário preocupado é interpretado como uma confissão”, completou a advogada.

Vale ressaltar que a Meta, empresa dona do Facebook e Instagram, também coleta tipos similares de informação em sua política de privacidade, embora não mencione especificamente o status imigratório. Então não é como se o TikTok estivesse sozinho nessa prática.

Mas isso não torna menos alarmante o fato de que uma plataforma agora parcialmente controlada por aliados políticos do presidente dos Estados Unidos possa ter acesso a informações como seu status imigratório ou afiliação religiosa.

Pense no contexto atual dos Estados Unidos, com deportações em massa e operações do ICE intensificadas. Saber o status imigratório de usuários específicos, especialmente aqueles que postam conteúdo crítico às políticas do governo, ganha uma dimensão particularmente preocupante. Mesmo que a empresa não use esses dados de forma maliciosa hoje, o simples fato de coletá-los cria um risco potencial.

Mudança 2: Análise Prévia do Conteúdo Carregado

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Imagem: Crédito/tomsguide)
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Tradução: Edição/ClicaTech

A segunda mudança que gerou alarme está relacionada a quando o TikTok pode analisar o conteúdo que você cria. Os novos termos esclarecem que o TikTok se reserva o direito de analisar o conteúdo gerado pelo usuário mesmo enquanto ele ainda estiver na fase de pré-upload, ou seja, antes de você decidir publicá-lo.

Isso significa que qualquer vídeo que você gravar no aplicativo, editar, revisar e depois decidir não publicar ainda pode ser analisado pelos sistemas do TikTok. Você pode ter feito um vídeo, e decidido que não estava bom o suficiente, descartando-o sem postar, mas mesmo assim a plataforma pode ter processado e armazenado informações sobre aquele conteúdo.

Tecnicamente, essa capacidade já existia pelo menos desde maio de 2025. O aplicativo já fazia isso para ajudar a identificar violações de privacidade ou conteúdo problemático antes que fossem publicados, e para pré-etiquetar seus interesses como usuário para alimentar o algoritmo de recomendação. Mas ver isso explicitamente declarado nos termos cria aquela sensação incômoda de que alguém está olhando por cima do seu ombro o tempo todo.

A justificativa técnica para essa análise prévia faz sentido do ponto de vista da plataforma. Se eles só analisarem conteúdo depois que for publicado, materiais problemáticos como discursos de ódio, pornografia infantil ou incitação à violência já estariam online e potencialmente viralizando antes de serem detectados e removidos. A análise prévia permite a intervenção mais rápida.

Mas essa mesma capacidade também pode ser usada de outras formas menos benevolentes. Imagine que você grava um vídeo criticando algumas políticas do governo, decide não postar porque está com medo das repercussões, mas a plataforma já analisou aquele conteúdo, identificou você como alguém com visões críticas e potencialmente adicionou essa informação ao seu perfil interno. Mesmo sem publicar, você já foi marcado.

George Kamide, coapresentador do podcast de segurança cibernética Bare Knuckles and Brass Tacks, comentou ao HuffPost sobre essas mudanças. “Em última análise, trata-se apenas de tentar trazer para o TikTok o nível de detalhamento de vigilância que já está disponível para muitos outros serviços de mídia social”, disse Kamide ao 
HuffPost.

Ele tem razão no sentido de que essa não é uma prática exclusiva do TikTok. Mas o contexto importa. Quando a plataforma era controlada pela ByteDance chinesa, as preocupações giravam em torno do governo chinês potencialmente acessando dados de americanos. Agora que está sob controle de aliados do governo americano, as preocupações se inverteram: será que críticos do governo Trump estão sendo monitorados através da plataforma?

Mudança 3: Geolocalização Precisa Baseada em GPS

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Tradução: Edição/ClicaTech

A terceira mudança é nova mesmo, não apenas uma divulgação mais transparente de práticas antigas. O rastreamento de localização na versão antiga do TikTok era baseado em localização aproximada através do seu endereço IP. Agora, o novo TikTok americano implementou rastreamento preciso baseado em GPS.

A diferença é significativa. Localização por endereço IP geralmente te coloca em uma área geral, talvez sua cidade ou bairro, com precisão de alguns quilômetros. Localização por GPS pode identificar sua posição exata com precisão de metros, sabendo não apenas em que cidade você está, mas em que rua, em que prédio, às vezes até em que andar.

Outras plataformas de mídia social já implementaram rastreamento GPS há algum tempo, incluindo Instagram, Snapchat e o antigo Twitter. Então, novamente, o TikTok está apenas alcançando o que já é padrão na indústria. Mas combinado com as outras mudanças e o contexto político atual, essa capacidade de rastreamento preciso ganha conotações mais sinistras.

Imagine você participando de um protesto contra políticas de um governo. Seu celular está no bolso com o TikTok instalado. Mesmo que você não abra o aplicativo ou poste nada, se o rastreamento por GPS estiver ativado, a plataforma sabe que você estava lá naquele protesto, naquele horário específico. Essa informação fica armazenada nos servidores da Oracle, empresa controlada por um aliado do presidente Trump.

Talvez seja um alarde? Sim, Talvez. Não há evidência de que o TikTok esteja compartilhando dados de localização de usuários com autoridades federais. Mas o simples fato de que essa capacidade existe, combinada com o histórico de colaboração entre grandes empresas de tecnologia e agências governamentais revelado por Edward Snowden e outros, justifica um nível saudável de ceticismo.

A boa notícia é que você pode desativar esse rastreamento. Vamos falar sobre como fazer isso e outras medidas de proteção na seção seguinte.

Como Proteger sua Privacidade no novo TikTok

Se você está lendo tudo isso e se sentindo compreensivelmente preocupado, mesmo usando a plataforma aqui no Brasil, a primeira coisa que você pode fazer é não aceitar os novos Termos de Serviço e excluir o aplicativo. Essa é a opção mais segura e definitiva. Muitos usuários Americanos já migraram para alternativas como o Upscrolled, que disparou para a 12ª posição na App Store da Apple por causa dessa mudança no TikTok.

No entanto, se você quiser continuar usando o TikTok por qualquer motivo (trabalho, conexões sociais, entretenimento), existem medidas que você pode tomar para minimizar sua exposição de dados. Vou listar três ações práticas que fazem uma diferença real.

Desativar a Localização Precisa

Para impedir que o TikTok rastreie sua localização exata via GPS, você precisa ir nas configurações do seu smartphone, não dentro do aplicativo. No iPhone, acesse Ajustes, depois Privacidade e Segurança, depois Serviços de Localização. Você verá uma lista de todos os aplicativos que têm acesso à sua localização. Encontre o TikTok e altere a permissão para Nunca ou, se precisar que o app funcione corretamente, escolha Ao Usar o App e ative a opção Localização Aproximada.

No Android, o caminho é um pouco diferente dependendo da fabricante, mas geralmente você vai em Configurações, depois Localização, depois Permissões de App. Encontre o TikTok na lista e altere para Não Permitir ou Somente Quando Usar o App.

Vale lembrar que mesmo desativando a localização precisa, o TikTok ainda pode estimar sua localização aproximada através do seu endereço IP e outras informações do sistema. Mas pelo menos você elimina o rastreamento metro a metro que o GPS permite.

Gravar e Editar fora do Aplicativo

Se você está preocupado com a análise prévia de conteúdo que você não publica, a solução é simples: não crie conteúdo dentro do aplicativo TikTok. Use o aplicativo de câmera nativo do seu telefone para gravar vídeos e um aplicativo de edição separado como CapCut, InShot ou Adobe Premiere Rush para editar.

Só quando o vídeo estiver completamente pronto, revisado e aprovado para publicação, você abre o TikTok e faz o upload. Dessa forma, o aplicativo só tem acesso ao conteúdo que você conscientemente decide tornar público, não aos seus rascunhos, testes e experimentações privadas.

Isso adiciona alguns passos extras ao seu processo de criação, mas é o preço da privacidade no ambiente atual.

Limpar Seus Interesses de Anúncios

Dentro do próprio TikTok, você pode limitar um pouco quanto a plataforma sabe sobre você limpando os dados coletados para personalização de anúncios. Abra o TikTok, vá até seu Perfil, toque no menu de três linhas no canto superior, escolha Configurações e Privacidade, depois Anúncios, e toque em Limpar Dados Fora do TikTok.

Isso remove as informações que o aplicativo coletou sobre você em outros sites e aplicativos através de pixels de rastreamento e cookies de terceiros. Não elimina tudo que o TikTok sabe sobre você, mas reduz significativamente o perfil que anunciantes e, potencialmente, outros interessados podem construir sobre seus hábitos e interesses.

O Contexto Político e o Precedente Perigoso

Para entender completamente por que essas mudanças estão gerando tanto alarme, precisamos olhar para o contexto político mais amplo nos Estados Unidos e o precedente que esse acordo pode estabelecer.

Larry Ellison não está apenas controlando o TikTok. Através de seu filho David, a família Ellison também tem participação significativa na Paramount, dona da CBS, uma das principais redes de televisão dos Estados Unidos. Críticos de mídia já notaram uma mudança perceptível na linha editorial da CBS em direção a cobertura mais favorável ao governo Trump desde a mudança de controle.

O grupo liderado pelos Ellison também tentou uma tomada hostil da Warner Bros. Discovery, que controla canais como CNN, HBO e Warner Bros. Se essa aquisição tivesse sido bem-sucedida, uma única família com laços estreitos com um presidente controlaria uma parcela imensa da mídia e do entretenimento consumidos pelos americanos.

Isso levanta questões fundamentais sobre concentração de poder na era digital. Nos Estados Unidos, sempre houve preocupação com monopólios de mídia, que levaram a regulamentações sobre quantos canais de TV ou jornais uma única empresa pode controlar em um mercado. Mas essas regras foram escritas para uma era analógica e não foram atualizadas adequadamente para plataformas digitais.

Sarah Bauerle-Danzman, professora que se especializa em segurança nacional e investimento empresarial na Universidade de Indiana, resumiu bem o paradoxo ao falar com a ABC News. Dado que as empresas e indivíduos que fazem parte do acordo têm laços muito próximos com a administração Trump, surge a questão de se estamos trocando uma forma de influência estatal indevida por outra, disse Bauerle-Danzman.

Se o presidente está insatisfeito com coisas que viralizam na plataforma, eles podem receber muita pressão para suprimir esse tipo de conteúdo, acrescentou.

Isso é especulação? Sim. Mas é especulação baseada em padrões históricos bem documentados de como o poder político e controle de mídia se entrelaçam. E quando você combina esse controle com as capacidades de vigilância detalhadas que exploramos, o potencial de abuso fica claro.

Alternativas ao TikTok e para onde os Usuários Americanos estão indo

Diante de todas essas preocupações, muitos usuários Americanos já começaram a migrar para plataformas alternativas. Vamos dar uma olhada rápida nas opções mais populares que estão ganhando tração.

O Upscrolled é o mais direto concorrente que surgiu em resposta às mudanças no TikTok. O aplicativo oferece funcionalidade muito similar ao TikTok, com vídeos curtos em formato vertical e um feed algorítmico personalizado. A grande diferença é que a empresa por trás do Upscrolled não tem laços políticos explícitos e promete não coletar localização precisa ou analisar conteúdo pré-upload.

O Instagram Reels continua sendo uma alternativa sólida, especialmente se você já tem presença estabelecida no Instagram. A Meta enfrenta suas próprias controvérsias de privacidade, mas pelo menos há anos de escrutínio público e regulatório sobre suas práticas, criando algum nível de transparência e accountability.

O YouTube Shorts também está na briga, aproveitando a enorme base de usuários do YouTube e sua infraestrutura robusta. A plataforma tem moderação mais rigorosa que o TikTok em alguns aspectos, o que pode ser bom ou ruim dependendo do seu ponto de vista.

RedNote, uma plataforma chinesa que se tornou viral entre usuários americanos que queriam experimentar o TikTok original antes da mudança, também ganhou tração. Ironicamente, alguns usuários americanos preocupados com vigilância do governo Trump preferiram migrar para uma plataforma chinesa do que ficar no TikTok sob controle de Ellison.

Considerações Finais sobre Privacidade e a Democracia Digital

O caso do TikTok nos Estados Unidos é mais do que apenas uma história sobre uma plataforma de mídia social mudando de mãos. É um estudo de caso sobre como as democracias lidam com a tecnologia, a privacidade e a concentração de poder na era digital.

Não existem vilões simples ou heróis claros nessa história. O governo chinês de fato tem histórico de usar empresas de tecnologia para vigilância e controle social, então uma das preocupações originais que levaram ao movimento para forçar a venda do TikTok não eram completamente infundadas. Mas a solução implementada pode ter criado problemas diferentes e igualmente sérios.

As mudanças nos Termos de Serviço que exploramos não são necessariamente maliciosas em si mesmas. Muitas são exigências de conformidade legal com leis de privacidade que foram criadas justamente para proteger os consumidores. O problema é o contexto em que essas divulgações estão acontecendo e quem agora tem acesso a todos esses dados.

Para os usuários, a lição aqui é que a privacidade digital exige uma vigilância constante e escolhas conscientes. Não existe aplicativo completamente seguro ou plataforma que não colete dados sobre você. O que existe são diferentes níveis de risco e diferentes graus de controle que você pode exercer.

O mais importante é fazer escolhas de forma informada, entendendo os riscos e benefícios, ao invés de simplesmente aceitar termos de uso sem ler ou continuar usando plataformas por inércia.

As próximas semanas e meses vão revelar muito sobre como o novo TikTok americano vai operar na prática. Se veremos moderação de conteúdo enviesada politicamente, se dados de usuários serão compartilhados de formas problemáticas, se as preocupações atuais são justificadas ou exageradas. Por enquanto, tudo que podemos fazer é permanecer atentos, informados e prontos para agir se as coisas tomarem um rumo ainda mais preocupante.

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Equipe ClicaTech

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Conteúdo elaborado e revisado pela redação do ClicaTech.  Pode conter tradução com auxílio de Inteligência Artificial.

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