Há empresas que envelhecem. E há empresas que evoluem, se reinventam e, de tempos em tempos, param para olhar para trás com gratidão.
A Apple claramente pertence à segunda categoria. Em 1º de abril de 2026, a empresa fundada por Steve Jobs, Steve Wozniak e Ronald Wayne completou exatamente cinco décadas de existência, e as comemorações desse marco não poderiam ter sido mais coerentes com tudo que a marca representa: criatividade, arte, tecnologia e conexão humana.
Os 50 anos da Apple marcam um dos momentos mais simbólicos da história da tecnologia moderna, consolidando-se como uma das organizações mais influentes do mundo digital.
O que chamou a atenção não foi apenas a grandiosidade dos eventos, mas a escolha deliberada de colocar artistas e criadores no centro das celebrações. Músicos, artistas visuais, produtores e fãs foram os protagonistas. Os produtos da Apple eram o meio; as pessoas eram a mensagem.
O Pontapé Inicial: Alicia Keys em Nova York

No dia 13 de março, a Apple deu início às celebrações de seu 50º aniversário com uma apresentação especial da artista e produtora vencedora de 17 prêmios Grammy, Alicia Keys, na Apple Grand Central, em Nova York.
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O espaço da Apple dentro do Grand Central Terminal, um dos terminais ferroviários mais famosos e movimentados do mundo, foi transformado em um palco intimista.

Keys subiu aos icônicos degraus do local e apresentou um repertório com suas canções mais atemporais, em um show que misturou o peso de uma carreira de décadas com a leveza de quem ainda tem muito a dizer.
O iPhone 17 Pro foi o responsável por registrar cada detalhe do evento, captando a energia e a proximidade de uma performance que, segundo relatos, parou literalmente o fluxo de passageiros no terminal.
O CEO Tim Cook esteve presente, ao lado de outros executivos como John Ternus (responsável pela engenharia de hardware), Greg Joswiak (chefe de marketing) e Deirdre O’Brien (responsável pelo varejo).

(Imagem: Divulgação/Apple)
Alicia Keys não é uma parceira nova da Apple. Keys foi uma das primeiras artistas a lançar seu catálogo em Áudio Espacial no Apple Music e também estrelou uma apresentação do Apple Music Live.
O Áudio Espacial é uma tecnologia de som que vai além do estéreo convencional. Enquanto o estéreo distribui o som entre dois canais (direito e esquerdo), o Áudio Espacial cria uma experiência tridimensional, onde os sons parecem vir de diferentes direções ao redor do ouvinte, como se ele estivesse dentro da música.
Em 2024, Alicia Keys: Rehearsal Room esteve entre as primeiras experiências para o Apple Vision Pro, oferecendo aos fãs um olhar único sobre seu processo criativo durante uma sessão de ensaio intimista.
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Londres Dança: A Noite na Battersea Power Station

Poucos cenários no mundo têm o peso visual e histórico da Battersea Power Station, uma usina elétrica desativada às margens do Rio Tâmisa, em Londres, que foi transformada em um complexo de cultura, lazer e varejo.
É lá que fica a Apple Battersea, simultaneamente uma das lojas mais imponentes da empresa e a sede da Apple no Reino Unido.
Para celebrar o aniversário, a Apple projetou logotipos gigantes no edifício e montou um palco em frente a ele, criando um espetáculo visual difícil de ignorar. E o que aconteceu naquele palco foi à altura do cenário.
Nia Archives e o Retorno do Jungle
Nia Archives é uma DJ, cantora e compositora multi-premiada, nascida em Bradford e radicada em Londres. Apresentada como artista do programa “Up Next” do Apple Music no Reino Unido em 2022, ela se tornou uma das principais figuras do ressurgimento do jungle, um gênero musical.
O jungle é um estilo musical originado no Reino Unido no início dos anos 1990, que mistura batidas aceleradas de percussão (conhecidas como “breakbeats”), linhas de baixo pesadas e influências do reggae e do ragga.
Surgido nas periferias de Londres, o gênero ganhou força novamente nas últimas temporadas, com artistas jovens reinterpretando suas raízes e levando o som para novas audiências ao redor do mundo.
A Apple afirma que Nia Archives é uma usuária dedicada do Logic Pro, o software profissional de produção musical desenvolvido pela própria Apple e utilizado por produtores em todo o mundo para compor, gravar, mixar e masterizar músicas.
Ela já fez remixes para nomes como Jorja Smith, PinkPantheress, Jamie xx e Fred Again, confirmando sua posição de destaque na cena musical britânica contemporânea.
Mumford & Sons Fecham a Noite
Se Nia Archives trouxe o futuro do som britânico, os Mumford & Sons trouxeram uma certa atemporalidade reconfortante.
A banda, já declarada fã de longa data da Apple, subiu ao palco apresentada pela apresentadora da Apple Music, Dotty, e tocou uma seleção de sucessos consagrados ao lado de faixas de seu novo álbum, intitulado Prizefighter.
A combinação dos dois artistas em uma única noite funcionou como um retrato sonoro do que a Apple afirma defender: a diversidade criativa e a liberdade de expressão, independentemente do gênero musical.
Sydney Iluminada: Arte no iPad Transforma a Ópera

Se Londres celebrou com música, a Austrália optou por uma linguagem visual de tirar o fôlego. Em parceria com a Ópera de Sydney, a Apple criou o projeto chamado “Iluminando a Criatividade” (do inglês, “Illuminating Creativity”), que transformou as famosas velas do edifício em uma tela gigante.
De 25 a 27 de março, as velas orientais da Ópera de Sydney foram iluminadas com obras de arte criadas no aplicativo Procreate para iPad, por um grupo de dez artistas australianos emergentes.
Por meio de sessões gratuitas do programa Today at Apple realizadas no início do mês, o público também teve a oportunidade de criar e enviar obras para potencial projeção.
A Apple afirmou que obras selecionadas, tanto dos artistas contratados quanto das submissões públicas, foram curadas e projetadas nas velas orientais da Ópera de Sydney a partir das 20h30 do dia 25 de março.
No total, onze obras foram encomendadas pela Apple a artistas locais, e seis foram enviadas pelo público em geral, totalizando dezessete criações projetadas sobre a fachada do edifício.
Cada uma delas foi criada no Procreate, um aplicativo de ilustração e pintura digital disponível para iPad que se tornou referência mundial entre artistas profissionais e amadores.
O Procreate permite criar desenhos, pinturas e ilustrações com uma experiência próxima ao papel e à tela, mas com todas as vantagens do meio digital: camadas, desfazer ações, exportar em alta resolução e muito mais.
A trilha sonora da projeção foi composta e executada ao vivo pelo músico australiano Bailey Pickles, que utiliza o Logic Pro em seu processo criativo. Em sua página do Instagram, Pickles revelou que a Apple o convidou para compor e executar a música ao vivo durante a celebração do 50º aniversário na Ópera de Sydney.
Tim Cook reagiu ao espetáculo pelas redes sociais com entusiasmo: “Isso é de tirar o fôlego! Incrível ver as velas da Ópera de Sydney iluminadas com desenhos de artistas australianos feitos com o Procreate no iPad. Temos orgulho de apoiar a próxima geração de talentos australianos e continuar a defender a criatividade.”
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China, Coreia e Tailândia: A Celebração Que Atravessou Continentes
O circuito de eventos do 50º aniversário da Apple foi verdadeiramente global. Além dos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália, outros países receberam celebrações igualmente significativas.

Chris Lee em Chengdu, China
Na Apple Taikoo Li Chengdu, na China, a artista Chris Lee subiu ao palco em um encontro que reuniu décadas de história com o espírito inovador da campanha “Think Different”.
Com mais de 260 prêmios musicais conquistados ao longo de 20 anos de carreira e uma sonoridade que mescla pop, eletrônico e alternativo, Lee representa exatamente o tipo de criatividade que a Apple afirma querer celebrar. O CEO Tim Cook marcou presença no evento, sendo fotografado ao lado de Lee e de seus dançarinos.

CORTIS em Seul, Coreia do Sul
Na Apple Myeongdong, em Seul, foi a vez do grupo de K-pop CORTIS encantar o público. O K-pop é um gênero musical originado na Coreia do Sul que combina música pop com coreografias elaboradas, estética visual cuidadosa e uma relação muito próxima com os fãs.
O grupo estreou no verão de 2025 e rapidamente ganhou reconhecimento mundial com seu primeiro EP, Color Outside the Lines.
O grupo se reuniu com fãs na Apple Myeongdong para uma conversa especial sobre sua trajetória como artistas e surpreendeu o público com uma apresentação de três músicas, incluindo “YOUNGCREATORCREW”, do próximo álbum.
O grupo participou do programa The Zane Lowe Show na Apple Music Radio, o que ajudou a construir uma base de fãs leal ao redor do mundo. Recentemente, o CORTIS lançou uma experiência musical imersiva da Apple para o Apple Vision Pro, oferecendo aos fãs um acesso inédito enquanto ensaiam a coreografia de sua música “GO!”.
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Molly em Bangkok, Tailândia
Na Apple Iconsiam, em Bangkok, a artista Molly (criadora da popular série Crybaby) compartilhou com o público como cria seus designs no iPad, chegando a desenhar ao vivo dispositivos icônicos da Apple, como o primeiro Mac, o iPod e os mais recentes iPhone 17 Pro e MacBook Neo.
Tim Cook participou do momento remotamente por FaceTime, demonstrando o quanto esses eventos eram acompanhados de perto pela liderança da empresa.
A Carta de Tim Cook: Um Olhar Raro para o Passado
Não é hábito da Apple se debruçar sobre sua própria história. A cultura interna da empresa sempre priorizou o próximo produto, a próxima ideia, a próxima revolução. Por isso, a decisão do CEO Tim Cook de publicar uma carta aberta examinando os 50 anos da companhia chamou a atenção de especialistas e fãs.
“Pensar diferente sempre esteve na essência da Apple”, disse Tim Cook, CEO da Apple. “É o que nos levou a criar produtos que ajudam as pessoas a se expressar, se conectar e criar algo incrível. À medida que comemoramos 50 anos, somos imensamente gratos a todos que fizeram parte desta jornada e que continuam inspirando o que virá no futuro.”
A carta, disponível em apple.com/br, percorre a trajetória da empresa desde os primeiros protótipos montados em uma garagem até a consolidação como uma das corporações mais valiosas do planeta.
O texto estabelece o tom das festividades e reafirma que a filosofia de “pensar diferente” não é apenas um slogan de marketing, mas uma orientação genuína que moldou cada produto, cada decisão e cada parceria ao longo das cinco décadas.
“Na Apple, estamos mais focados em construir o amanhã do que em lembrar o ontem”, disse Cook na carta. “Mas não poderíamos deixar este marco passar sem agradecer aos milhões de pessoas que fazem a Apple o que ela é hoje.”
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Cinquenta Anos de Produtos Que Mudaram o Mundo
Para entender por que tantas pessoas ao redor do mundo se identificam com as celebrações, é preciso relembrar o que a Apple construiu ao longo dessas cinco décadas.
A empresa não apenas lançou produtos: ela criou categorias inteiras de mercado e redefiniu a maneira como bilhões de pessoas se comunicam, trabalham, criam e se entretêm.
- O Apple II, lançado em 1977, foi um dos primeiros computadores pessoais a ganhar adoção em massa. O Macintosh, em 1984, popularizou a interface gráfica com janelas, ícones e mouse, tornando os computadores acessíveis para pessoas sem conhecimento técnico.
- O iPod, em 2001, revolucionou a indústria da música ao colocar mil canções no bolso de qualquer pessoa. O iPhone, em 2007, redefiniu o conceito de telefone e inaugurou a era dos smartphones modernos.
- Em 9 de janeiro de 2007, a Apple apresentou o primeiro iPhone ao mundo. Mas ele só chegaria às lojas meses depois, em 29 de junho daquele mesmo ano, com um preço de lançamento de 499 dólares americanos — valor que, convertido para o Real brasileiro, representa aproximadamente R$ 2.900. Nenhum brasileiro pôde comprar o aparelho diretamente no país naquele momento: o iPhone só chegou oficialmente ao Brasil com o modelo seguinte, o iPhone 3G, em 2008.

- O iPad criou uma categoria completamente nova de dispositivos. O Apple Watch tornou-se o relógio inteligente mais vendido do mundo. E o Apple Vision Pro abriu as portas para uma nova era da computação espacial, onde o digital e o físico se sobrepõem de maneira inédita.
- Na área de serviços, a App Store transformou a distribuição de software. O Apple Music mudou como consumimos música. O Apple Pay simplificou pagamentos digitais.
- O iCloud conectou dispositivos e tornou o conceito de backup uma experiência automática e invisível. E o Apple TV+ trouxe produções originais premiadas, como o filme CODA, que rendeu o Oscar de Melhor Filme em 2022.
A Filosofia por Trás da Celebração
Olhando para o conjunto dos eventos, fica claro que a Apple não escolheu comemorar seus 50 anos com lançamentos de produtos ou conferências corporativas. A escolha foi celebrar as pessoas e o que elas fazem quando têm as ferramentas certas em mãos.
Músicos compondo no Logic Pro. Artistas criando no Procreate no iPad. Cantores lançando álbuns em Áudio Espacial no Apple Music. Fãs assistindo a experiências imersivas no Apple Vision Pro. Em todos os eventos, a tecnologia aparecia como um meio, não como um fim.
Essa orientação está alinhada com o que a empresa afirma desde o seu início: a tecnologia sozinha não é suficiente. É o encontro da tecnologia com as artes e com o toque humano que cria algo verdadeiramente relevante.
Essa capacidade de reinvenção constante explica por que os 50 anos da Apple são vistos não apenas como um aniversário corporativo, mas como um marco na própria evolução da tecnologia moderna.
Washington e Acessibilidade: Quando a Tecnologia Abre Portas
Entre os eventos do circuito de comemorações, um em particular merece destaque pela profundidade humana que carrega.
Na Apple Carnegie Library, em Washington D.C., o ator Troy Kotsur, primeiro homem com deficiência auditiva a vencer o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo filme CODA, dividiu o palco com Roberta Cordano, primeira mulher com deficiência auditiva a presidir a Universidade Gallaudet, para uma conversa sobre o legado e o futuro da criatividade surda.
A advogada e ativista pelos direitos das pessoas com deficiência Haben Girma, primeira pessoa com deficiência auditiva e visual a se formar pela Faculdade de Direito de Harvard, também participou do evento e compartilhou como a tecnologia da Apple a ajudou a conquistar esse feito histórico e a se conectar com outras pessoas.
O evento reuniu centenas de ativistas, artistas e aliados para refletir sobre o que significa ter tecnologia que funciona para todos, incluindo pessoas com deficiências. Não era apenas uma celebração, mas uma declaração de valores.
O Que Vem Por Aí: Apple Park e o Encerramento das Comemorações
Além das apresentações já realizadas, também há especulações de que a Apple pode estar preparando um grande evento final no próprio Apple Park.
O Apple Park é a sede global da Apple, localizado em Cupertino, na Califórnia, um campus em formato circular projetado pelo arquiteto Norman Foster e inaugurado em 2017. O espaço é frequentemente descrito como uma das obras arquitetônicas mais impressionantes do mundo corporativo contemporâneo.
Se as celebrações ao redor do mundo serviram para mostrar o impacto da Apple nas comunidades criativas globais, um eventual evento no Apple Park seria o encerramento simbólico de um ciclo: a empresa reunida em sua casa para olhar para o futuro.
Meio Século, Milhões de Histórias
Cinquenta anos é tempo suficiente para uma empresa se tornar parte da vida cotidiana de bilhões de pessoas. A Apple fez isso de maneira que poucos conseguiram: ao mesmo tempo em que empurrava os limites do que era tecnicamente possível, mantinha uma obsessão com a experiência humana, com o design intuitivo, com a beleza dos detalhes.
Das velas iluminadas da Ópera de Sydney ao palco da Battersea Power Station, das escadarias do Grand Central ao iPhone 17 Pro que capturou cada momento, as celebrações do 50º aniversário da Apple foram, acima de tudo, uma homenagem às pessoas que escolheram pensar diferente.
Artistas, músicos, desenvolvedores, designers, estudantes e usuários comuns que, com os produtos certos em mãos, criaram coisas que ninguém imaginava ser possível.
E se os últimos 50 anos são algum indicativo do que está por vir, a próxima metade de século promete ser igualmente surpreendente.







