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Governo dos EUA Ordenou à Anthropic que Bloqueasse Estrangeiros de Usar o Fable 5: A Empresa Discorda, mas Obedece

Foto de Redação do ClicaTech

Redação do ClicaTech

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Conteúdo elaborado e revisado pela redação do ClicaTech.  Pode conter edição e criação de imagens construídas com o auxílio de Inteligência Artificial.

Governo dos EUA Ordenou à Anthropic que Bloqueasse Estrangeiros de Usar o Fable 5

Às 17h21 (horário do leste dos EUA) de sexta-feira, 12 de junho de 2026 — apenas três dias depois de ter lançado seu modelo mais poderoso para o público geral — a Anthropic recebeu uma carta do governo dos Estados Unidos que mudou tudo em poucas horas.

A carta, enviada pelo Departamento de Comércio e assinada pelo secretário Howard Lutnick ao CEO Dario Amodei: o Governo dos EUA ordenou à Anthropic que bloqueasse estrangeiros de usar o Fable 5.

Governo dos EUA Ordenou à Anthropic que Bloqueasse Estrangeiros de Usar o Fable 5

A diretiva de controle de exportação proibe o acesso ao Fable 5 e ao Mythos 5 por qualquer cidadão estrangeiro. Qualquer cidadão. Em qualquer lugar do mundo. Incluindo os próprios funcionários estrangeiros da Anthropic dentro dos Estados Unidos.

A Anthropic disse que recebeu a diretiva na sexta-feira à noite e que escolheu desativar o acesso completamente, dado que a conformidade seletiva teria exigido o bloqueio de uma grande parcela de usuários — incluindo os próprios funcionários estrangeiros da empresa.

O efeito imediato: um modelo lançado três dias antes para centenas de milhões de pessoas em planos Pro, Max e Enterprise — gratuitamente, até 22 de junho — simplesmente parou de funcionar para todos. Não apenas para estrangeiros. Para todos, porque era a única forma praticável de garantir conformidade com a ordem.

Fable 5 e o Mythos 5: O que São

Para entender a magnitude do que aconteceu, é preciso entender o que foi desativado.

O Fable 5 marcou a primeira vez que a Anthropic lançou uma oferta tão avançada ao público, graças a novas salvaguardas que bloqueiam respostas em áreas específicas de alto risco.

Os modelos construíram sobre o lançamento do Claude Mythos Preview, que cativou Wall Street e autoridades governamentais com suas avançadas capacidades de cibersegurança em abril.

A estrutura dos dois modelos é importante para entender a lógica da situação:

O Mythos 5 é o modelo completo, sem restrições de saída, disponível exclusivamente para autoridades governamentais de segurança cibernética e parceiros da área de ciências biológicas devidamente aprovados.

É o modelo que analistas descrevem como capaz de identificar vulnerabilidades de software que permaneceram não descobertas por décadas.

A IA por trás do Mythos é particularmente hábil em detectar vulnerabilidades de software, algumas das quais permaneceram não descobertas por décadas — essa capacidade tem sido usada por autoridades americanas e empresas selecionadas para corrigir falhas de segurança.

O Fable 5 é construído sobre a mesma arquitetura do Mythos, mas com classificadores — sistemas de filtragem automática — que bloqueiam consultas sensíveis nas áreas de segurança cibernética, biologia e química. É a versão “pública” que a Anthropic considerou segura o suficiente para distribuição ampla.

A IA por trás do modelo Mythos da Anthropic é particularmente hábil em detectar vulnerabilidades de software, algumas das quais permaneceram não descobertas por décadas.

Essa capacidade tem sido usada por autoridades americanas e empresas selecionadas para reforçar seus sistemas. No entanto, uma preocupação desde o início era que tal IA pudesse se tornar uma arma cibernética perigosa nas mãos erradas.

A Justificativa: Um Jailbreak que a Anthropic Discute

A carta do governo não forneceu detalhes sobre a preocupação específica de segurança nacional. Mas a Anthropic, no comunicado publicado em anthropic.com, descreveu o que entende ser a motivação:

O entendimento da Anthropic é que o governo acredita ter tomado conhecimento de um método de contornar, ou “jailbreak”, o Fable 5. A empresa afirma ter revisado um relatório que acredita ser a base da diretiva do governo e validado que o nível de capacidade demonstrado está amplamente disponível em outros modelos — incluindo o GPT-5.5 da OpenAI — e é usado todos os dias por defensores que mantêm sistemas seguros.

A Declaração oficial da Anthropic é: “Até o momento, o governo só nos forneceu evidências verbais de uma possível forma limitada e não universal de desbloqueio, que consiste essencialmente em pedir ao modelo para ler um código-fonte específico e corrigir quaisquer falhas de software.”

A empresa continua: “Estamos cumprindo a diretriz legal do governo e removendo o acesso a Fable 5 e Mythos 5 para todos os usuários. No entanto, discordamos que a descoberta de uma possível vulnerabilidade desbloqueável seja motivo para o recolhimento de um modelo comercial implementado para centenas de milhões de pessoas.”

E então vem a declaração mais significativa de todo o comunicado: “Se esse padrão fosse aplicado em todo o setor, acreditamos que ele essencialmente paralisaria todas as novas implementações de modelos para todos os fornecedores de modelos de vanguarda.”

O Problema de Precedente que a Anthropic Está Apontando

A Anthropic não está apenas reclamando da inconveniência operacional. Está levantando uma questão de política pública que vai muito além desse episódio específico.

A Anthropic havia lançado seu mais recente modelo de IA, o Claude Fable 5, no início da semana, afirmando que ele representa um novo nível de capacidade que ela chama de “classe Mythos”. A empresa afirmou no lançamento que as capacidades do modelo “excedem as de qualquer modelo que já disponibilizamos ao público.”

O modelo era particularmente eficaz em identificar vulnerabilidades de software. Especialistas haviam alertado que as capacidades do modelo representavam um risco de serem usadas em ataques cibernéticos.

A Anthropic reconheceu explicitamente esses riscos quando lançou o Fable 5 em 9 de junho, afirmando que “lançar um modelo tão capaz traz riscos.” A empresa argumentou que seus filtros de segurança eram suficientes para permitir o lançamento público.

O que o governo está argumentando, implicitamente, é que esses filtros não são suficientes — que um jailbreak encontrado invalida a proteção. O que a Anthropic está rebatendo é que a mesma capacidade está disponível em outros modelos públicos como o GPT-5.5 da OpenAI, e que aplicar esse padrão consistentemente tornaria impossível lançar qualquer modelo de fronteira.

Conforme a Fortune, o pesquisador de cibersegurança Peter Girnus ofereceu uma perspectiva crítica sobre a posição da Anthropic em si: “Se você descreve seu produto como munição em cada press release, eventualmente um governo leva você ao pé da letra. Eles escreveram o próprio predicado legal e chamaram isso de marca.”

É uma crítica válida. A Anthropic passou meses descrevendo as capacidades do Mythos em termos que ressaltavam seu poder sem precedente, especialmente em cibersegurança. Quando o governo decidiu que isso era exatamente o tipo de coisa que merecía controle de exportação, estava usando o próprio vocabulário da empresa.

As Implicações Internacionais: Soberania Tecnológica em Debate

O impacto geopolítico foi imediato. O secretário de Comércio Howard Lutnick enviou a carta à Anthropic detalhando as restrições, segundo o Wall Street Journal.

O ministro de IA e Segurança Online do Reino Unido, Kanishka Narayan, MP, afirmou que a pausa afetou clientes tanto nos EUA quanto no Reino Unido, enquadrando o episódio como um caso de soberania tecnológica e apontando para o investimento de £ 1,1 bilhão do governo britânico em chips de IA como parte de uma resposta estrutural à dependência de modelos americanos.

 Governo dos EUA Ordenou à Anthropic que Bloqueasse Estrangeiros de Usar o Fable 5: A Empresa Discorda, mas Obedece
(Imagem: Reprodução/bleepingcomputer)

A reação do ministro britânico ilumina uma tensão que vai além desse incidente específico: quando um governo pode decidir unilateralmente, com horas de antecedência, que nenhum estrangeiro — incluindo aliados de décadas como o Reino Unido — pode usar uma tecnologia comercial americana, que garantias existem para que qualquer país possa depender de infraestrutura de IA controlada por empresas americanas?

Dario Amodei não comentou publicamente sobre o episódio além do comunicado oficial. Mas um ex-funcionário sênior da Anthropic, identificado apenas pelo cargo na cobertura do Fortune, disse no X: “Uma administração cujo posicionamento é que devemos exportar chips avançados de IA para a China, mas que também quer proibir… a Grã-Bretanha (e cada outro não-americano na Terra)… de usar nossos melhores modelos? Não tenho palavras.”

O que o Controle de Exportação Significa Neste Contexto

Para contextualizar a estrutura legal usada pelo governo: um controle de exportação (export control) é uma regulação que restringe a transferência de tecnologia, bens ou conhecimento específicos para entidades ou países estrangeiros. Normalmente são aplicados a hardware militar, tecnologia de duplo uso ou sistemas de comunicação sensíveis.

Aplicar controles de exportação a modelos de IA de acesso público é relativamente novo como mecanismo regulatório. O precedente mais próximo são as restrições que o governo americano impôs à exportação de chips avançados de IA — especialmente GPUs da Nvidia — para determinados países, incluindo a China.

O que torna este caso diferente é a amplitude da diretiva: não é a proibição de exportar para um país adversário específico. É a proibição de acesso por qualquer cidadão estrangeiro, incluindo aliados, incluindo pessoas que vivem e trabalham nos Estados Unidos, incluindo funcionários da própria empresa.

A carta do Departamento de Comércio não explicou qual autoridade legal específica foi usada para emitir a diretiva, e a Anthropic afirmou que o documento “não forneceu detalhes específicos de sua preocupação de segurança nacional.”

O que Aconteceu para os Usuários na Prática

As consequências operacionais foram descritas pela Anthropic em comunicado para desenvolvedores:

Tipo de sessãoComportamento após a diretiva
Novas sessões Fable 5Redirecionadas para o modelo padrão do usuário ou para o Opus 4.8
Sessões existentes Fable 5Encerradas com um erro
Requisições da Plataforma (API)Falham com código de erro
Outros modelos (Opus 4.8, Sonnet, Haiku)Não afetados

A empresa orientou os integradores que usam a API a migrar para outros modelos enquanto a situação não é resolvida.

A Dimensão Mais Ampla: Quanto a IA de Fronteira Pode Ser Regulada

O episódio abre uma questão que a indústria de IA vai precisar responder mais cedo do que tarde: qual é o padrão razoável para que um governo possa ordenar a retirada de um produto de IA do mercado?

A posição da Anthropic, expressa claramente no comunicado, é que o padrão atual — “um jailbreak foi encontrado, portanto o modelo deve ser recolhido” — não é defensável em escala. Todo modelo de linguagem de grande porte tem jailbreaks. É uma característica estrutural de sistemas treinados em texto humano. Se a descoberta de qualquer jailbreak justificasse uma diretiva de recolhimento, nenhum modelo poderia ser lançado publicamente.

A Anthropic afirmou que o governo deveria ter “a capacidade de bloquear implantações inseguras, como parte de um processo estatutário que seja transparente, justo, claro e fundamentado em fatos técnicos.” E acrescentou que “esta ação não adere a esse padrão.”

Antes do lançamento, a Anthropic afirmou que submeteu os modelos a milhares de horas de red-teaming pelos governos dos EUA, Reino Unido e outros, sugerindo que a decisão de tornar o Fable 5 disponível ao público foi uma decisão tomada em colaboração com as autoridades.

O red-teaming mencionado — testes adversariais em que equipes tentam ativamente explorar fraquezas do sistema — foi apresentado pela Anthropic como parte do argumento de que o Fable 5 havia sido suficientemente testado para distribuição pública. A diretiva do governo, emitida três dias depois do lançamento, contradiz essa narrativa de aprovação implícita.

O que Acontece a Seguir

A Anthropic prometeu mais detalhes em 24 horas a partir do comunicado de 12 de junho, afirmando que acredita tratar-se de um mal-entendido e que está trabalhando para restabelecer o acesso.

O desfecho mais provável, dado o histórico de como esses episódios regulatórios se resolvem, envolve negociação entre a Anthropic e o Departamento de Comércio sobre quais salvaguardas técnicas adicionais seriam suficientes para permitir o relançamento.

A empresa pode precisar implementar verificações de nacionalidade, ajustar os filtros de segurança, ou fornecer ao governo mais transparência sobre como o jailbreak identificado funciona — e demonstrar que foi corrigido.

A questão mais ampla sobre se controles de exportação podem ser aplicados de forma coerente a modelos de IA disponíveis publicamente permanece sem resposta.

Modelos de linguagem de grande porte são, por natureza, acessíveis a partir de qualquer ponto do mundo com conexão à internet. Restringir o acesso com base em nacionalidade exige sistemas de verificação de identidade que transformam fundamentalmente o que significa um serviço de IA “público.”

O que está claro é que este episódio estabeleceu um precedente — quer seja confirmado ou revertido — sobre o quanto o governo americano considera os modelos de IA de fronteira como ativos estratégicos sujeitos ao mesmo tipo de controle que hardware militar ou tecnologia de exportação sensível.

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