Arduino Ventuno Q é Anunciado pela Qualcomm: A Placa de Desenvolvimento mais Poderosa da Marca

Com o chipset Dragonwing IQ-8275 da Qualcomm, NPU de 40 TOPS, 16 GB de RAM e suporte ao ROS 2, o Arduino Ventuno Q Une Inteligência Artificial, Robótica e Linux e aponta para onde o desenvolvimento embarcado está indo.

Arduino Ventuno Q é Anunciado pela Qualcomm
(Imagem: Divulgação/Qualcomm)

O nome Arduino está associado, historicamente, a placas simples, acessíveis e voltadas para quem está aprendendo eletrônica. Projetos de automação residencial, sensores ambientais, pequenos robôs controlados por Arduino são projetos que educaram gerações de desenvolvedores e engenheiros. Mas o mundo mudou, e a Arduino também.

O Arduino Ventuno Q é Anunciado pela Qualcomm e o nome Ventuno não foi escolhido por acaso. Em italiano, a palavra significa “vinte e um”, uma referência ao aniversário de 21 anos da Arduino, que a empresa comemora justamente em 2026, ano do lançamento da placa.

É uma forma de dizer que a empresa está crescendo, amadurecendo e entrando em um mercado muito além das prateleiras das lojas de eletrônica para estudantes.

A história por trás do Ventuno Q é a de uma empresa sendo levada para cima da cadeia de valor. As placas anteriores, como a Uno Q, já sinalizavam essa mudança, mas o Ventuno Q vai muito além, mirando aplicações onde a inteligência artificial precisa interagir com o mundo físico em tempo real.

A Aquisição pela Qualcomm: O que Mudou para a Arduino

No ano passado, a Arduino foi adquirida pela Qualcomm, e o primeiro produto lançado após essa aquisição foi o Arduino Uno Q, uma placa capaz de rodar Linux com uma CPU de quatro núcleos Cortex-A53 e GPU Adreno 702, com 4 GB de memória RAM.

A Qualcomm, para quem não conhece, é a empresa americana por trás dos processadores Snapdragon, presentes em boa parte dos smartphones Android do mundo.

Ela também produz chips para PCs com Windows, módulos de conectividade e, agora, processadores voltados para aplicações industriais e de inteligência artificial embarcada, os chamados chips Dragonwing.

A Aquisição pela Qualcomm: O que Mudou para a Arduino
O Arduino Ventuno Q é alimentado pelo Dragonwing IQ-8275. (Fonte: GSMArena)

O Ventuno é o segundo produto dessa nova fase, e deixa claro que a empresa não adquiriu a Arduino para vender mais kits de LED.

O objetivo é usar a marca, reconhecida e respeitada por milhões de desenvolvedores ao redor do mundo, como porta de entrada para um mercado muito mais lucrativo: o de computação de borda com inteligência artificial.

O que é um SBC e Por que o Ventuno Q é Diferente?

SBC é a sigla para Single Board Computer, que em português significa Computador de Placa Única. Diferente de um PC convencional, onde os componentes (processador, memória, armazenamento) são peças separadas conectadas a uma placa-mãe, um SBC concentra tudo em uma única peça compacta.

O Raspberry Pi é o SBC mais popular do mundo. O Arduino Ventuno Q entra nessa mesma categoria, mas com um perfil técnico bem diferente: mais processamento, foco em inteligência artificial e conectividade industrial.

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O que diferencia o Ventuno Q da maioria dos SBCs disponíveis no mercado é a sua arquitetura de dois processadores. De um lado, o processador Dragonwing para inferência de IA e processamento de alto nível. Do outro, um microcontrolador STM32H5 para controle em tempo real de motores, sensores e entradas e saídas de propósito geral.

O que é um SBC e Por que o Ventuno Q é Diferente?
“Cérebro duplo”: Dragonwing IQ-8275 + STM32H5 (Fonte: GSMArena)

Isso importa porque um robô, um nó de visão computacional ou um subsistema industrial inteligente não precisa apenas “pensar”, ele também precisa reagir a tempo.

Essa é exatamente a limitação que a maioria das outras plataformas de IA embarcada enfrenta: são ótimas para rodar modelos, mas fracas na hora de fechar o ciclo de controle com o mundo físico.

O Chipset Dragonwing IQ-8275: Processamento em Camadas

O Arduino Ventuno Q é construído em torno do Qualcomm Dragonwing IQ-8275, um SoC (Sistema em Chip, componente que integra CPU, GPU e outros elementos em um único silício) de 64 bits com CPU Kryo de oito núcleos rodando a até 2,35 GHz, com GPU Adreno 623 e o processador de sinal digital Hexagon com aceleração de aprendizado de máquina e inteligência artificial de até 40 TOPS de computação de precisão mínima.

Para entender melhor a estrutura de núcleos dessa CPU:

  • Os núcleos Gold Prime (2 unidades a 2,35 GHz) são os mais potentes do chip. Eles lidam com as tarefas mais exigentes, como inferência de modelos complexos ou processamento de vídeo em alta resolução.
  • Os núcleos Gold (2 unidades a 2,1 GHz) funcionam em parceria com os Gold Prime para tarefas de desempenho intermediário.
  • Os núcleos Silver (4 unidades a 1,95 GHz) são otimizados para eficiência energética. Eles processam tarefas mais simples consumindo menos energia, prolongando a vida útil da bateria em dispositivos portáteis ou reduzindo o calor gerado em sistemas embarcados.

Em termos de desempenho geral, essa configuração coloca o Ventuno Q em um nível similar ao do Snapdragon 765G, chipset que equipa smartphones intermediários de alto desempenho.

40 TOPS de NPU: O que Significa?

NPU significa Neural Processing Unit, ou Unidade de Processamento Neural. É um componente de hardware especializado em executar cálculos do tipo matricial, que são a base matemática das redes neurais artificiais.

Enquanto a CPU processa instruções sequencialmente e a GPU processa muitas operações em paralelo de forma genérica, a NPU foi projetada especificamente para o tipo de aritmética que os modelos de inteligência artificial utilizam.

TOPS significa Tera Operations Per Second, ou Trilhões de Operações Por Segundo. É a métrica usada para medir a capacidade de processamento de uma NPU.

A NPU do Dragonwing IQ-8275 entrega 40 TOPS de desempenho de IA, um valor comparável ao Intel Panther Lake (que possui NPU de 50 TOPS) e equivalente à metade do que os chips premium Snapdragon X2 Elite oferecem, com seus 80 TOPS.

Para colocar isso em prática: 40 TOPS é mais do que suficiente para rodar modelos de visão computacional em tempo real, modelos de linguagem menores sem a dependência da nuvem e de sistemas de reconhecimento de fala locais.

A Arquitetura

Ao lado do processador de aplicação, o Ventuno Q inclui o microcontrolador STM32H5F5, baseado no núcleo ARM Cortex-M33 rodando a 250 MHz. Esse microcontrolador cuida de tarefas de controle em tempo real, como controle de motores, interfaces de comunicação industrial e respostas determinísticas de entradas e saídas.

O conceito de controle determinístico é fundamental aqui. Em robótica e automação industrial, não basta que o sistema faça a coisa certa. Ele precisa fazer no momento exato. Um servo motor que recebe um comando com 5 milissegundos de atraso pode causar uma falha em uma linha de montagem ou um movimento incorreto em um braço robótico.

O microcontrolador STM32H5 garante que esse timing seja preciso e previsível, algo que um sistema operacional como Linux não conseguem garantir por si só.

Os dois chips se comunicam via ponte RPC (Chamada de Procedimento Remoto, um mecanismo que permite que dois processadores troquem dados e comandos como se estivessem no mesmo sistema), garantindo a sincronização entre o processamento de IA de alto nível e o controle físico em tempo real.

Os Modelos de IA que o Ventuno Q Consegue Rodar

Arduino Ventuno Q é Anunciado pela Qualcomm
Arduino Ventuno Q (Fonte: GSMArena)

O ecossistema de software que acompanha o Ventuno Q é um dos aspectos mais práticos desse lançamento. Veja o que a placa consegue executar localmente, sem precisar de conexão com servidores na nuvem:

YOLO-X (You Only Look Once – eXtended, ou Você Só Olha Uma Vez, Expandido) é um modelo de detecção e rastreamento de objetos em tempo real. É amplamente usado em câmeras de segurança inteligentes, sistemas de controle de estoque visual e robôs que precisam identificar e seguir objetos em movimento.

PoseNet é um modelo que detecta e mapeia posições do corpo humano a partir de imagens ou vídeo. Suas aplicações vão desde análise de movimentos em esportes e fisioterapia até interfaces de controle por gestos corporais.

MediaPipe é uma biblioteca do Google para reconhecimento de gestos das mãos, detecção de expressões faciais e rastreamento de pontos específicos do corpo. É o tipo de tecnologia usada em interfaces sem toque, como controles de máquinas por gestos.

Qwen é um modelo de linguagem de grande porte (LLM, ou Large Language Model) desenvolvido pelo grupo Alibaba. Em versões menores, ele consegue rodar em hardware embarcado, permitindo que o dispositivo responda a perguntas em linguagem natural sem enviar dados para servidores externos.

Melo TTS é um modelo de síntese de fala, ou seja, transforma texto em áudio falado. Whisper, da OpenAI, faz o caminho inverso: transcreve áudio em texto. Ambos podem rodar localmente no Ventuno Q, viabilizando a assistentes de voz totalmente offline.

Conectividade: Tudo o que uma Aplicação Industrial pode Precisar

A conectividade do Ventuno Q é notavelmente mais robusta do que as outras placas, com Wi-Fi 6 tri-banda, Bluetooth 5.3, Ethernet de 2,5 Gb, USB-C, duas portas USB-A 3.0, HDMI, interfaces de câmera MIPI e suporte para saída de vídeo via USB-C.

Destaque especial para três pontos:

  • A Ethernet de 2,5 Gb é especialmente relevante para aplicações industriais que precisam transferir com baixa latência grandes volumes de dados de câmeras ou sensores para servidores locais.
  • As três entradas de câmera MIPI CSI permitem uma visão de 360 graus quando combinadas com câmeras apropriadas, algo essencial em robôs autônomos ou sistemas de segurança perimetral.
  • O protocolo CAN-FD (Controller Area Network Flexible Data-rate, ou Rede de Área Controlada de Taxa de Dados Flexível) é um padrão de comunicação industrial usado em automóveis, maquinário de fábrica e sistemas de controle distribuído. Sua presença no Ventuno Q é um sinal claro de que a placa foi projetada para ambientes profissionais, não apenas para bancadas de laboratório.

Compatibilidade com o Ecossistema Arduino e Raspberry Pi

A placa possui um conector GPIO de 40 pinos no estilo Raspberry Pi, o que facilita a conexão com a enorme variedade de módulos e shields disponíveis para essa plataforma, como sensores, displays, relés e controladores de motor.

Além disso, o Ventuno Q mantém a compatibilidade com os shields Arduino Uno, que são módulos de expansão empilháveis criados especificamente para a família de placas da marca.

Essa decisão de preservar a compatibilidade com o ecossistema existente é inteligente: ela permite que desenvolvedores migrem projetos anteriores sem ter que substituir todo o hardware periférico.

Especificações completas

ComponenteEspecificação
SoCQualcomm Dragonwing IQ-8275 (8 núcleos Kryo, até 2,35 GHz)
GPUAdreno 623
NPUHexagon, 40 TOPS
MicrocontroladorSTM32H5F5 (ARM Cortex-M33, 250 MHz)
Memória RAM16 GB LPDDR5
Armazenamento64 GB eMMC + slot M.2 NVMe Gen 4
Sistema operacionalUbuntu ou Debian Linux, ROS 2
Conectividade sem fioWi-Fi 6 (tri-banda), Bluetooth 5.3
Rede cabeadaEthernet 2,5 Gb
Câmeras3x MIPI CSI
VídeoHDMI + DisplayPort via USB-C
Portas USB1x USB-C, 2x USB-A 3.0
GPIO40 pinos (padrão Raspberry Pi)
Conectores sem soldaQwiic
Protocolo industrialCAN-FD
Dimensões160 x 100 x 25,8 mm

Preço e Disponibilidade

O Arduino Ventuno Q está previsto para ser lançado no segundo trimestre de 2026, com preço abaixo de US$ 300 (o equivalente a aproximadamente R$ 1.740, na cotação atual do dólar), com disponibilidade na Arduino Store e nos distribuidores DigiKey, Farnell, Macfos, Mouser e RS.

Para quem precisa de uma opção mais acessível dentro do mesmo ecossistema, o Arduino Uno Q é vendido a partir de US$ 44 (aproximadamente R$ 256 na cotação direta), tendo sido lançado logo após a aquisição da Arduino pela Qualcomm no ano passado.

A diferença de preço entre os dois produtos reflete também a diferença de proposta: o Uno Q é uma porta de entrada acessível para o desenvolvimento em Linux com hardware Qualcomm, enquanto o Ventuno Q é uma plataforma profissional para quem precisa de desempenho real em aplicações de produção.

Para quem é o Arduino Ventuno Q?

O perfil de usuário para o Ventuno Q não é o estudante de eletrônica no primeiro contato com os microcontroladores. Ele já tem ferramentas mais simples e baratas disponíveis.

O Ventuno Q foi construído para engenheiros de robótica que precisam de uma única plataforma para percepção visual, tomada de decisão com IA e controle de atuadores.

Para pesquisadores que desenvolvem sistemas de visão computacional e precisam de hardware embarcado capaz de rodar modelos localmente, sem latência de rede.

Para empresas industriais que querem adicionar inteligência a esteiras, braços robóticos ou câmeras de inspeção sem depender de servidores externos.

E para educadores que querem ensinar IA aplicada com um hardware real e acessível, usando o ambiente familiar do Arduino App Lab.

A Arduino afirma que o Ventuno Q elimina a complexidade de múltiplos dispositivos ao entregar percepção, decisão e ação sincronizados em uma única placa.

Para quem já passou pela experiência de integrar um Raspberry Pi com um Arduino para separar as responsabilidades de processamento e controle em tempo real, a proposta de ter tudo em um único hardware com a comunicação nativa entre os dois processadores é bastante atraente.

O Sinal de Onde o Desenvolvimento Embarcado está indo

O Ventuno Q não é apenas um produto. É um indicador de tendência. A convergência entre processamento de IA, controle em tempo real e conectividade industrial em um único hardware compacto está redefinindo o que significa desenvolver para sistemas embarcados.

Para o mercado de desenvolvimento embarcado, o Ventuno Q marca uma direção clara: menos subsistemas desconectados, mais plataformas integradas de IA na borda, e uma barreira muito mais baixa para experimentar com robótica e controle inteligente.

Se você trabalha com robótica, automação, visão computacional ou quer explorar IA rodando diretamente no hardware, o segundo trimestre de 2026 vale ser monitorado de perto.

Foto de Rodrigo dos Anjos

Rodrigo dos Anjos

Rodrigo é redator do ClicaTech e formado em Ciências da Computação com Especialização em Segurança da Informação. Amante declarado da tecnologia, dedica-se não apenas a acompanhar as tendências do setor, mas também a compreender, aplicar, proteger e explorar soluções que unam inovação, segurança e eficiência.

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Conteúdo elaborado e revisado pela redação do ClicaTech.  Pode conter tradução com auxílio de Inteligência Artificial.

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