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China apresenta sua estratégia global em inteligência artificial durante evento em Xangai

Na maior conferência de inteligência artificial da China, o país revelou um plano ambicioso de governança de IA, defendendo cooperação internacional e padrões de segurança em contraste com a abordagem dos EUA
Foto de Rodrigo dos Anjos

Rodrigo dos Anjos

Rodrigo é redator do ClicaTech e formado em Ciências da Computação com Especialização em Segurança da Informação. Amante declarado da tecnologia, dedica-se não apenas a acompanhar as tendências do setor, mas também a compreender, aplicar, proteger e explorar soluções que unam inovação, segurança e eficiência.

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Conteúdo elaborado e revisado pela redação do ClicaTech.  Pode conter edição e criação de imagens construídas com o auxílio de Inteligência Artificial.

China

No dia 26 de julho, durante a World Artificial Intelligence Conference (WAIC) em Xangai, a China anunciou oficialmente seu Plano Global de Ação de Governança de Inteligência Artificial.

A iniciativa, ambiciosa e estratégica, posiciona o país como protagonista no debate internacional sobre a regulamentação e o futuro da inteligência artificial, num momento em que os Estados Unidos acabam de divulgar sua própria proposta, com visões e prioridades bem distintas.

China
WAIC-2025-World-Artificial-Intelligence-Conference-BRICS-Brasil (Imagem: Divulgação/ https://bricsbrasil.com.br)

A WAIC 2025 reuniu grandes nomes da indústria e da pesquisa em IA, como Geoffrey Hinton e Eric Schmidt, além de instituições como o Shanghai AI Lab e a Academia Chinesa de Ciências.

Foi notado a ausência significativa das autoridades e de empresas americanas, um reflexo da postura atual nacionalista dos EUA, que contrasta com a aposta chinesa na cooperação multilateral e regulação rigorosa.

Leia também: O avanço da Tecnologia militar Chinesa e o alerta do Pentágono: de caças furtivos a Drones-mãe

O discurso do primeiro-ministro Li Qiang ressaltou a importância de uma governança colaborativa, confirmando que a segurança e a regulação devem ser prioridades globais. Pesquisadores chineses como Yi Zeng defenderam a união de países como Reino Unido, Cingapura e China para criar padrões e barreiras de segurança para a Inteligência Artificial.

A agenda de Inteligência Artificial da China

Ao contrário da abordagem mais flexível e orientada à inovação adotada pelos EUA, a China colocou a segurança da inteligência artificial no centro de sua agenda. Riscos como alucinações de modelos, discriminação algorítmica, ameaças cibernéticas e a necessidade de supervisão escalável foram amplamente debatidos.

A realização constante de eventos sobre segurança de IA em Xangai, incluindo um fórum paralelo organizado pela Concordia AI com nomes como Stuart Russell e Yoshua Bengio, demonstra o compromisso chinês em construir uma infraestrutura regulatória robusta e global.

A nova coalizão internacional liderada pela China

A ausência da maioria dos representantes americanos na WAIC reforça uma possível mudança no eixo geopolítico sobre a regulação da IA. Surgiu uma nova coalizão liderada pela China, União Europeia, Reino Unido e Cingapura, com o objetivo de estabelecer “guardrails” (que em inglês significa literalmente guardas de proteção ou barreiras de segurança) para o desenvolvimento seguro da IA.

Enquanto isso, os Estados Unidos permanecem mais isolados, focando em sua abordagem de mercado e liberdade de inovação, o que pode enfraquecer sua influência no cenário regulatório global de inteligência artificial.

Apesar das diferenças políticas claras, pesquisadores dos dois países mostram convergência nos temas técnicos mais críticos para o avanço da IA, como: métricas de segurança, auditoria algorítmica, modelos confiáveis e supervisão escalável.

Essa convergência é motivada pelo fato de que os principais modelos usam arquiteturas e métodos de treinamento similares, o que exige soluções conjuntas para os desafios globais.

O lançamento do Plano Global de Governança da IA pela China não é apenas uma resposta ao plano dos EUA, mas um movimento que coloca regulação, segurança e cooperação internacional no centro da diplomacia tecnológica.

A disputa pela liderança em IA vai muito além da tecnologia, é uma questão de influência geopolítica, ética e estratégia global.

A aposta chinesa em uma governança coletiva e padronizada contrasta com a postura americana mais nacionalista, criando um cenário onde a colaboração entre países será essencial para garantir transparência, confiabilidade e segurança em escala mundial.

Se a WAIC 2025 indica os rumos do futuro, as decisões sobre IA não serão apenas sobre inovação, mas profundamente políticas, exigindo diálogo e acordos que transcendam fronteiras.

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