Crise Global de Memória RAM: Preços disparam até 246% e escassez deve durar até 2028

Corrida da inteligência artificial provoca escassez histórica de memórias DDR4 e DDR5, com fabricantes priorizando data centers e deixando consumidores sem opções enquanto valores batem recordes

Crise Global de Memória RAM

O Pior pesadelo dos Gamers e entusiastas da Tecnologia virou realidade

Se você planejava montar ou atualizar seu computador nos próximos meses, prepare-se para uma notícia devastadora. O mercado global de memórias RAM está vivendo a pior crise de sua história, com preços disparando para níveis jamais vistos e uma escassez que especialistas preveem durar até pelo menos 2028. Isso mesmo, estamos falando de mais três anos de preços estratosféricos e disponibilidade limitada.

A situação é tão crítica que a Micron, uma das maiores fabricantes de memória do mundo, tomou uma decisão sem precedentes: encerrar completamente sua marca Crucial, voltada para consumidores finais, após 29 anos de existência. Essa marca era sinônimo de qualidade e acessibilidade para milhões de pessoas que construíam ou atualizavam seus computadores. Agora, simplesmente não existe mais.

O motivo por trás dessa decisão drástica e da crise global de Memória RAM tem um nome que você provavelmente já está cansado de ouvir: inteligência artificial. A explosão na demanda por data centers de IA está literalmente sugando toda a capacidade de produção das fabricantes de memória, deixando os consumidores comuns como última prioridade na fila de fornecimento.

Cameron Crandall, gerente de negócios de SSDs de data centers da Kingston, foi direto ao ponto em uma entrevista recente: “os aumentos estão acontecendo em um nível que nunca vimos em 29 anos trabalhando na indústria”. Quando um profissional com quase três décadas de experiência diz que nunca viu nada parecido, você sabe que a situação é séria.

Números que assustam: Aumentos de 246% nos preços das memórias rams em poucos meses

Vamos falar de números concretos para você entender a dimensão do problema. Segundo dados compartilhados por Cameron Crandall da Kingston, os preços da memória NAND aumentaram incríveis 246% desde o primeiro trimestre de 2025. Mas o mais assustador é que 70% desse aumento ocorreu apenas nos últimos dois meses, entre outubro e novembro.

Isso significa que estamos vendo uma aceleração brutal na velocidade dos aumentos. Não é uma subida gradual ao longo de um ano inteiro. É uma explosão concentrada em semanas, pegando consumidores completamente desprevenidos.

Para colocar isso em uma perspectiva prática, kits de memória que custavam valores razoáveis há poucos meses agora estão sendo vendidos pelo dobro, triplo ou até quádruplo do preço. Em Taiwan, na varejista PCHome, kits de DDR4 de 256 GB atingiram o absurdo valor de 98.070 dólares taiwaneses, equivalentes a mais de 3 mil dólares americanos ou cerca de 16 mil reais. Sim, você leu certo: mais de 16 mil reais por um kit de memória RAM.

Os kits de DDR5 de 256 GB não ficam muito atrás, chegando perto de 2 mil dólares, ou aproximadamente 10 mil reais. Esses valores são simplesmente absurdos para o mercado consumidor. Para ter uma ideia da insanidade, alguns desses kits de memória estão mais caros do que uma GeForce RTX 5090, a GPU gamer mais cara disponível no mercado.

A Counterpoint Research, empresa especializada em análise de mercado, reportou que os preços da memória aumentaram 30% apenas no quarto trimestre de 2025, e podem subir mais 20% no início de 2026. Estamos falando de aumentos exponenciais que vão se acumulando e tornando componentes essenciais simplesmente inacessíveis para a maioria das pessoas.

A Micron encerra a Crucial: O Sinal mais claro da crise

O encerramento da marca Crucial pela Micron não foi uma decisão tomada de ânimo leve. Durante 29 anos, a Crucial foi referência em memórias RAM e SSDs para consumidores finais, oferecendo produtos confiáveis a preços competitivos. Era uma marca que você podia recomendar sem medo para alguém montando seu primeiro PC.

A Micron anunciou oficialmente que está saindo do mercado de memória para consumidores, citando textualmente um aumento na demanda vindo do crescimento impulsionado pela IA em data centers. Traduzindo: a empresa decidiu que é mais lucrativo vender exclusivamente para empresas de tecnologia que constroem data centers do que continuar atendendo você, consumidor comum.

Na primeira teleconferência de resultados após o fim da Crucial, o CEO da Micron, Sanjay Mehrotra, revelou números que explicam essa decisão. A empresa reportou receita recorde de 13,64 bilhões de dólares no primeiro trimestre fiscal, um aumento de impressionantes 57% em relação ao ano anterior. A Micron também mencionou uma expansão significativa de margem, ou seja, está lucrando muito mais.

Esse crescimento explosivo vem principalmente de vendas para data centers de IA. Empresas como Meta, Microsoft, Google e Amazon estão expandindo agressivamente sua infraestrutura de inteligência artificial e pagando qualquer preço necessário para garantir fornecimento de memória.

Segundo relatório da McKinsey & Company, essas empresas investirão cerca de 7 trilhões de dólares em custos relacionados à infraestrutura de data centers globalmente até 2030.

Quando você tem clientes dispostos a pagar valores premium e assinar contratos plurianuais garantidos, por que se preocupar com o mercado de consumo, onde as margens são menores e a competição é mais acirrada? Do ponto de vista puramente financeiro, a decisão da Micron faz sentido. Do ponto de vista do consumidor, é um desastre.

A Memória HBM e sua influência desproporcional na crise

Para entender completamente essa crise, precisamos falar sobre HBM, ou High Bandwidth Memory, que significa Memória de Alta Largura de Banda em português. Esse tipo especializado de memória é usado em GPUs de inteligência artificial e servidores de alto desempenho.

A HBM é tecnicamente superior à memória convencional DDR em várias formas. Ela oferece larguras de banda muito maiores, o que é crucial para processar as enormes quantidades de dados necessárias em aplicações de IA. Cada chip de GPU avançada da Nvidia, como a H100 ou a próxima geração Blackwell, usa múltiplos módulos de HBM empilhados.

Aqui está o problema: produzir HBM requer três vezes mais espaço no wafer de silício do que produzir DDR5 convencional. Um wafer é o disco de silício onde os chips são fabricados, e cada fabricante tem capacidade limitada de produzir wafers por mês. Se você destina mais espaço para HBM, automaticamente tem menos espaço disponível para DDR4 e DDR5 que vão para PCs e dispositivos de consumo.

A Micron projeta que o mercado endereçável total da HBM atingirá 100 bilhões de dólares até 2028. Para entender melhor, esse valor superará todo o mercado de DRAM convencional do ano de 2024. Estamos falando de uma mudança tectônica na indústria, onde um tipo de memória especializada para IA se torna maior que todo o mercado tradicional.

A Micron também espera forte crescimento em sua receita com HBM. A empresa já está trabalhando em compromissos de fornecimento plurianuais com grandes clientes de data centers. Esses contratos garantem vendas futuras e permitem planejamento de longo prazo, algo muito mais atraente do que vender no mercado para consumidores.

Fabricantes em pânico: A Corrida para estocar componentes

A situação ficou tão desesperadora que as próprias fabricantes de hardware estão entrando em pânico. Segundo o DigiTimes, grandes fabricantes de placas-mãe e notebooks, incluindo nomes como ASUS, MSI e Gigabyte, começaram a estocar chips DRAM como nunca antes visto na história da indústria.

Essa não é uma prática normal. Fabricantes geralmente operam com estoques relativamente enxutos, seguindo princípios de manufatura just-in-time para minimizar capital imobilizado. Quando empresas desse porte decidem acumular grandes quantidades de estoques, é porque estão preocupadas com a possibilidade de não conseguir componentes no futuro.

O movimento dessas fabricantes está criando um efeito cascata devastador. Elas estão literalmente limpando o mercado de memórias disponíveis para garantir seus próprios estoques e evitar paradas de produção. Imagine uma fila de supermercado onde as primeiras pessoas na fila compram carrinhos inteiros de produtos, não deixando nada para quem vem depois. É exatamente isso que está acontecendo.

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Para o consumidor final no varejo, isso significa que a disponibilidade deve despencar rapidamente. Não adianta ter dinheiro para comprar se simplesmente não há produto disponível. E quando há, os preços estão estratosféricos porque a demanda é muito maior que a oferta.

Alguns fabricantes de memória relataram ao Wccftech que fornecedores estão dando apenas algumas horas para pagamento de lotes de chips. Se o pagamento não for efetuado nesse prazo curto, os fornecedores aumentam os valores imediatamente e vendem os lotes para outros clientes que estão dispostos a pagar mais. Isso está forçando uma espiral ascendente nos preços.

A Samsung, maior fabricante de memória do mundo, já vinha recusando novos contratos e aplicando reajustes pesados nos existentes. O reflexo disso foi visto recentemente, com kits de memória DDR5 dobrando de preço em questão de semanas, atingindo valores históricos nunca antes registrados.

Kingston faz alerta Urgente: Compre agora ou pague muito mais depois

Cameron Crandall da Kingston foi incrivelmente franco durante sua entrevista ao podcast The Full Nerd Network. Quando questionado sobre como os consumidores poderiam lidar com a escassez, sua resposta foi direta e sem rodeios: “Acho que a melhor coisa a fazer se você está pensando em atualizar seu sistema é fazer isso agora e não esperar, porque os preços vão continuar subindo”.

Esse não é um conselho de vendas típico tentando criar urgência artificial. É um aviso genuíno de alguém que está vendo os números internos e sabe exatamente para onde a situação está caminhando. Crandall explicou que os aumentos vão continuar de maneira exponencial pelos próximos meses.

O conselho dele é comprar componentes o quanto antes, porque os preços ficarão mais altos nos próximos 30 dias, e depois novamente mais caros nos 30 dias posteriores. Estamos falando de aumentos mensais consecutivos, não de um reajuste único que depois estabiliza. É uma escalada contínua sem fim à vista.

Para os consumidores acostumados com o mercado de tecnologia onde geralmente vale a pena esperar porque os preços tendem a cair com o tempo, esse é um conceito difícil de aceitar. Historicamente, esperar alguns meses significava poder comprar o mesmo produto por menos dinheiro. Agora, a dinâmica está completamente invertida.

A Kingston não está sozinha nesse alerta. Outras empresas do setor têm feito declarações similares. Chen Qingwen, gerente geral da Teamgroup, comentou que a situação atual não se resume à flutuação de preços, mas é resultado de uma escassez de oferta sem precedentes, impulsionada principalmente pela crescente demanda por plataformas de IA e servidores com DDR5.

A Micron admite: Só conseguimos atender metade da demanda

Talvez a revelação mais chocante da teleconferência de resultados da Micron foi quando o CEO Sanjay Mehrotra admitiu que a empresa prevê conseguir atender apenas de metade a dois terços da demanda de seus principais clientes.

Estamos falando dos principais clientes, não de todo o mercado. Esses clientes prioritários são gigantes da tecnologia com contratos plurianuais e dispostos a pagar preços premium. Se a Micron só consegue atender metade ou dois terços da demanda dessas empresas, imagine a situação para clientes menores e, especialmente, para o mercado de consumo.

Mehrotra afirmou que os clientes da Micron estão preocupados com o acesso à memória a longo prazo e estão firmando contratos plurianuais para garantir fornecimento. Essa é uma mudança fundamental na indústria. Tradicionalmente, memória era vista como commodity, algo que você comprava conforme necessário no mercado consumidor. Agora, está se tornando um recurso estratégico que as empresas precisam garantir com anos de antecedência.

A Micron está trabalhando para expandir sua capacidade de produção. A empresa tem duas fábricas em construção em Idaho, com a primeira prevista para iniciar produção de chips em meados de 2027. Os planos para uma fábrica em Nova York também estão prosseguindo, com início de construção no início de 2026 e produção começando por volta de 2030.

Mas aqui está o problema: essas novas fábricas levarão anos para ficarem operacionais e, quando estiverem, provavelmente toda a capacidade adicional será absorvida pela demanda crescente da IA. Não há indicação de que essa expansão aliviará a pressão sobre o mercado de consumo de forma significativa.

Simon Chen, presidente da ADATA, classificou o momento atual como uma escassez sem precedentes na história do mercado. Com as fabricantes presas em contratos de longo prazo com gigantes da tecnologia, a previsão é que essa crise de oferta se estenda, no mínimo, até 2026, mas fontes indicam que pode durar até 2028.

Impacto nos Smartphones: Uma categoria inteira em risco

Se você acha que essa crise afeta apenas quem está montando PCs gamers, precisa pensar novamente. O mercado de smartphones está sendo gravemente impactado, e isso afetará praticamente todo mundo, já que smartphones são muito mais ubíquos que computadores de mesa.

A International Data Corporation reportou que o mercado de smartphones deve diminuir 0,9% em 2026, em parte devido à escassez de memória. Pode não parecer muito, mas representa uma contração em um mercado que geralmente cresce ano após ano. É o tipo de coisa que assusta fabricantes e investidores.

Yang Wang, analista sênior da Counterpoint Research, foi dramático em sua avaliação: “A situação está praticamente brutal e crítica em todos os aspectos”. Quando analistas de mercado usam palavras como brutal e crítica, você sabe que não é exagero.

Os fabricantes de dispositivos estão enfrentando decisões difíceis sobre quando lançar e como precificar seus produtos. A TrendForce estima que o aumento nos preços das memórias tornará a produção de smartphones entre 8% e 10% mais cara em 2026. Custos mais altos de produção nem sempre se traduzem diretamente em preços mais elevados para o consumidor, mas frequentemente sim.

Nabila Popal, diretora sênior de pesquisa da International Data Corporation, prevê que alguns smartphones podem ficar mais caros já no início de 2026. Celulares Android de entrada devem ser os mais impactados, já que produtos mais baratos costumam ter margens de lucro menores.

“Será praticamente impossível para eles não aumentarem os preços dos celulares Android mais baratos”, disse Popal. As empresas também podem adiar lançamentos de celulares para focar em modelos premium, que tendem a ser mais lucrativos.

O preço médio de venda dos smartphones deve subir para 465 dólares em 2026, em comparação com 457 dólares em 2025. Pode parecer um aumento pequeno, mas levando em conta o volume global de vendas, levará o mercado de smartphones a um valor recorde de 578,9 bilhões de dólares.

A própria Samsung, maior fabricante de smartphones do mundo, está preocupada. Jaejune Kim, vice-presidente executivo de memória da Samsung, disse em outubro que a empresa observou forte demanda por memória para IA e data centers no terceiro trimestre. Ele também afirmou que a escassez de fornecimento para memória de celulares e PCs deve se intensificar ainda mais.

Há discussões entre fabricantes para reduzirem especificações dos aparelhos como forma de amenizar o impacto nos preços. Isso significaria smartphones com menos RAM ou armazenamento, um retrocesso em termos de capacidades em um momento onde os aplicativos, a inteligência artificial e os sistemas operacionais estão cada vez mais exigentes.

Japão limita compras: O exemplo do que pode vir

Em mercados como o Japão, a situação já atingiu níveis críticos. Lojas estão limitando a quantidade de pentes de memória e SSDs que cada cliente pode comprar para evitar o esgotamento total. Imagine ir à loja para comprar componentes para o seu PC e ser informado que você só pode levar um ou dois pentes de memória, não importa quanto dinheiro tenha.

Essas medidas de racionamento são típicas de crises de escassez, não de simples aumentos de preço. Quando varejistas começam a limitar quantidades por cliente, é porque estão preocupados em ficar completamente sem estoque.

Nos Estados Unidos, algumas varejistas estão tomando uma abordagem diferente, mas igualmente reveladora: estão retirando os preços dos componentes de memória das prateleiras. Por quê? Porque os preços estão mudando tão rapidamente, às vezes diariamente, que não faz sentido imprimir etiquetas que estarão desatualizadas em 24 horas.

Quando você vai comprar algo e o vendedor precisa verificar o preço no sistema porque muda constantemente, sabe que está em território de hiperinflação daquele produto específico. É exatamente o que está acontecendo com as memórias RAM nos Estados Unidos agora.

Todos os tipos de Memória estão afetados

Um aspecto importante dessa crise é que ela não afeta apenas um tipo específico de memória. Todas as categorias de DRAM estão enfrentando escassez generalizada, segundo a Teamgroup: DDR5, LPDDR5, GDDR6, GDDR7 e até a já antiga DDR4.

A DDR4, que muitos esperavam que tivesse preços mais estáveis por ser uma tecnologia mais antiga, também está sofrendo aumentos significativos. Isso frustra consumidores que pensaram em adotar ou permanecer na plataforma DDR4 como forma de economizar.

A LPDDR5, usada em dispositivos móveis e laptops finos, está em falta, afetando toda a indústria de dispositivos portáteis. A GDDR6 e GDDR7, usadas em placas de vídeo, estão contribuindo para os preços elevados de GPUs que já estavam caras por outros motivos.

O desequilíbrio entre oferta e demanda deve persistir pelo menos até o primeiro semestre de 2026, segundo a Teamgroup. Mas a maioria das análises sugere que a situação na verdade vai piorar antes de melhorar, com o pico da crise previsto para meados de 2026.

GPUs e Notebooks: A Próxima onda de aumentos

Crise Global de Memória RAM

A DRAM não é usada apenas em kits de memória para PCs. Ela é componente essencial em dois produtos cruciais: placas de vídeo e notebooks. Ambos já estão enfrentando e continuarão enfrentando aumentos de preço substanciais.

Placas de vídeo modernas usam quantidades significativas de GDDR6 ou GDDR7. Uma RTX 5090, por exemplo, vem com 32 GB de GDDR7. Com os preços da memória disparando, o custo de produção dessas GPUs aumenta proporcionalmente. Fabricantes como Nvidia, AMD e Intel inevitavelmente repassarão esses custos aos consumidores.

Notebooks são talvez ainda mais vulneráveis porque a memória é frequentemente soldada na placa-mãe, não sendo possível upgrade posterior. Quando você compra um notebook, está comprando aquela quantidade de RAM para sempre. Se os preços continuarem subindo, notebooks com 16 GB ou 32 GB de RAM podem se tornar artigos de luxo acessíveis apenas para profissionais e entusiastas com orçamentos generosos.

Fabricantes de notebooks estão sendo particularmente atingidos porque operam com margens mais apertadas que fabricantes de componentes individuais. Eles não podem simplesmente repassar 100% dos aumentos de custo sem tornar seus produtos não competitivos. Alguns podem optar por absorver parte do aumento, reduzindo lucros. Outros podem reduzir especificações, oferecendo modelos com menos RAM ou armazenamento.

Mini PCs, dispositivos portáteis de gaming, consoles e praticamente qualquer dispositivo eletrônico que use memória também será impactado. Estamos falando de uma crise que afeta toda a cadeia de tecnologia de consumo.

O Cenário: Pior que Pandemia, a Criptomineração e os Scalpers combinados

Analistas e fontes da indústria consultadas pelo Wccftech estão fazendo uma comparação assustadora: essa crise é pior do que a causada pela pandemia de COVID-19, explosão das criptomoedas e scalpers, tudo combinado.

Vamos relembrar esses eventos. Durante a pandemia, cadeias de suprimentos globais foram interrompidas, fábricas fecharam, transporte foi comprometido. O mercado de tecnologia sofreu escassez de praticamente tudo, de consoles a GPUs e até webcams.

A explosão das criptomoedas, especialmente entre 2017 e 2021, criou demanda insaciável por placas de vídeo para mineração. Gamers não conseguiam comprar GPUs porque mineradores compravam tudo disponível, às vezes diretamente dos fabricantes antes de chegarem ao varejo.

Scalpers, pessoas que usam bots para comprar grandes quantidades de produtos em alta demanda e revender com lucro exorbitante, tornaram impossível comprar consoles de nova geração, GPUs e outros produtos quentes por meses ou até anos após o lançamento.

Agora imagine algo pior do que esses três problemas combinados. É isso que os especialistas estão prevendo para os próximos anos no mercado de memória. A diferença fundamental é que, nos casos anteriores, a causa era temporária e eventualmente se resolveria. A Pandemia acabaria, o interesse em cripto flutuaria, scalpers perderiam interesse quando a demanda normalizasse.

Nesta crise atual, a causa fundamental é a transição estrutural da indústria para priorizar a IA, e essa não é uma tendência que vai reverter. As big techs vão continuar construindo data centers. A demanda por capacidades de IA vai continuar crescendo. As fabricantes de memória não têm incentivo para voltar a priorizar consumidores quando podem ganhar mais vendendo para as empresas.

Quando isso vai acabar? A Projeção sombria para 2027-2028

A pergunta que todo mundo quer saber é: quando isso vai acabar? Infelizmente, a resposta não é animadora. A escassez de memória em produtos que usam DDR5 e DDR4 deve persistir até pelo menos o quarto trimestre de 2027, segundo fontes consultadas pelo Wccftech.

O ano de 2026 nem começou, mas especialistas enfatizam que a crise deve durar pelo menos mais dois anos. Alguns analistas estendem essa previsão até 2028, sugerindo que estamos olhando para potencialmente três anos inteiros de preços elevados e disponibilidade limitada.

Nabila Popal da IDC e Yang Wang da Counterpoint sugerem que o pêndulo pode voltar para a direção oposta no final de 2026, conforme a cadeia de suprimentos se ajusta. Mas ajustar uma cadeia de suprimentos global de semicondutores não acontece rapidamente. Construir novas fábricas leva anos. Treinar trabalhadores qualificados leva tempo. Estabelecer processos de produção estáveis e eficientes é gradual.

Mesmo quando novas capacidades de produção entrarem online, não há garantia de que serão direcionadas para o mercado de consumo. Se a demanda por IA continuar forte e lucrativa, fabricantes continuarão priorizando esse segmento.

Segundo fontes do Wccftech, os preços atuais ainda não representam o ápice da crise, que deve ocorrer por volta de meados de 2026. Isso significa que o pior ainda está por vir. Os preços que parecem absurdos hoje podem parecer barganha daqui a seis meses.

A única perspectiva levemente positiva é que, historicamente, o setor de semicondutores sempre se ajusta eventualmente. Yang Wang da Counterpoint observou que no setor de semicondutores, sempre haverá um descompasso entre oferta e demanda, mas a indústria eventualmente encontra o equilíbrio. O problema é que dessa vez, a velocidade e escala da mudança foram inesperadas.

O que você pode fazer: Estratégias para lidar com a crise

Diante desse cenário sombrio, o que você, consumidor comum ou entusiasta da tecnologia, pode fazer? Aqui estão algumas estratégias práticas baseadas nas informações disponíveis.

  1. Primeiro, se você estava planejando uma atualização ou construção de PC e tem o dinheiro disponível agora, seriamente considere fazer a compra imediatamente. O conselho da Kingston de não esperar não é paranoia ou tática de vendas. É uma avaliação realista baseada em tendências claras de mercado.
  2. Segundo, priorize componentes essenciais. Se você não pode comprar tudo de uma vez, concentre-se em garantir a memória RAM e o armazenamento primeiro. Outros componentes como processadores, placas-mãe e até GPUs têm mercados relativamente mais estáveis. Memória é o gargalo crítico agora.
  3. Terceiro, considere comprar mais capacidade do que você acha que precisa atualmente. Normalmente, o conselho seria comprar apenas o que você precisa e atualizar depois quando necessário. Mas em um ambiente onde upgrades futuros podem custar 2-3 vezes mais, investir em capacidade extra agora faz sentido.
  4. Quarto, explore mercado de usados com cautela. Conforme os preços de componentes novos disparam, mais pessoas podem recorrer ao mercado de segunda mão. Tenha cuidado para não pagar preços inflacionados por produtos usados. Verifique cuidadosamente condição, garantia restante e histórico.
  5. Quinto, se você não precisa absolutamente das especificações mais altas, considere esses compromissos. DDR5 de 6000 MHz vs 5600 MHz pode não fazer diferença perceptível em muitos usos, mas o preço pode ser significativamente diferente. Escolha configurações que oferecem melhor valor, não necessariamente o mais rápido disponível.
  6. Sexto, acompanhe ofertas e promoções cuidadosamente. Varejistas ocasionalmente terão estoque a preços relativamente melhores. Inscreva-se em alertas de preço, siga canais de ofertas, esteja preparado para comprar rapidamente quando aparecer uma oportunidade.
  7. Sétimo, se você é profissional que depende de seu equipamento para trabalho, considere estocar componentes críticos como backup. Ter pentes de RAM extras guardados pode ser a diferença entre continuar trabalhando e ficar parado esperando por componentes indisponíveis ou absurdamente caros.
  8. Oitavo, para empresas e profissionais de TI, revisem e ajustem ciclos de atualização. Pode fazer sentido acelerar atualizações planejadas para 2027-2028 para 2026, antes que os preços atinjam o pico previsto para meados do ano.

Navegando em águas turbulentas

A crise global de memória RAM que estamos enfrentando é sem precedentes em sua escala e duração. Com preços disparando 246% em poucos meses, fabricantes encerrando marcas de consumo, escassez prevista até 2028 e impactos em praticamente toda categoria de eletrônicos, estamos vivendo um momento histórico na indústria da tecnologia.

A causa fundamental, a explosão da demanda por inteligência artificial e a priorização de data centers por fabricantes, não mostra sinais de reverter. As big techs vão continuar investindo trilhões em infraestrutura de IA. As fabricantes de memória vão continuar priorizando esses clientes lucrativos sobre consumidores finais.

Para gamers, entusiastas de PC, profissionais criativos e qualquer pessoa que depende da tecnologia, os próximos anos serão desafiadores. Preços que já parecem absurdos vão continuar subindo. Componentes essenciais vão se tornar cada vez mais difíceis de encontrar. Upgrades e novas construções vão exigir orçamentos significativamente maiores do que estávamos acostumados.

A história nos ensina que crises na indústria da tecnologia eventualmente se resolvem. Oferta e demanda acabam encontrando equilíbrio. Novas capacidades de produção entram online. Novas tecnologias emergem. Mas o caminho até lá pode ser longo e doloroso.

A melhor estratégia é estar informado, ser proativo quando possível e fazer escolhas inteligentes com o orçamento disponível. Se você pode comprar agora.

Foto de Rodrigo dos Anjos

Rodrigo dos Anjos

Rodrigo é redator do ClicaTech e formado em Ciências da Computação com Especialização em Segurança da Informação. Amante declarado da tecnologia, dedica-se não apenas a acompanhar as tendências do setor, mas também a compreender, aplicar, proteger e explorar soluções que unam inovação, segurança e eficiência.

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Conteúdo elaborado e revisado pela redação do ClicaTech.  Pode conter tradução com auxílio de Inteligência Artificial.

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