Projeto Toscana: O Google está Desenvolvendo um Desbloqueio Facial que pode finalmente rivalizar com o Face ID da Apple

Com Sensores de infravermelho escondidos sob a tela, processamento 3D do rosto e velocidade comparável ao Face ID, o novo sistema biométrico do Google pode chegar ao Pixel 11 em agosto de 2026 e transformar a segurança biométrica no Android

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Segundo uma reportagem exclusiva do site Android Authority, o Google está Desenvolvendo um Desbloqueio Facial avançado chamado Projeto Toscana, que promete funcionar com a mesma precisão e velocidade em qualquer condição de iluminação, sem alterar visivelmente o design do aparelho.

A fonte do Android Authority afirma ter testado pessoalmente o sistema no campus do Google em Mountain View, na Califórnia, em sessões conduzidas com as equipes de experiência do usuário. O Projeto Toscana é uma tecnologia que possivelmente utiliza o infravermelho como recurso acessório, além da câmera propriamente dita.

A função aparentemente exige uma única câmera frontal para funcionar, sem a necessidade de um segundo sensor escondido sob a tela como os rumores anteriores sugeriam. Segundo quem participou dos experimentos, o resultado seria tão rápido quanto o Face ID do iPhone, porém especialmente otimizado para condições ruins de iluminação.

Se tudo correr como planejado, a tecnologia pode ser apresentada ao público pela primeira vez durante o lançamento do Pixel 11, previsto para agosto de 2026, com a integração nos Chromebooks possivelmente acontecendo ainda no mesmo ano. Mais detalhes podem surgir durante a palestra principal do Google I/O, o evento anual de desenvolvedores da empresa.

Desbloqueio Facial do Pixel não é Suficiente

O Google está Desenvolvendo um Desbloqueio Facial
(Imagem: reprodução/Carphone Warehouse)

Para entender o que o Projeto Toscana representa, é necessário entender primeiro as limitações do sistema atual. Desde a série Pixel 7, o Google oferece desbloqueio facial em seus aparelhos usando apenas a câmera frontal convencional e algoritmos de inteligência artificial.

Com a série Pixel 8, o sistema evoluiu e passou a ser aceito para autenticação em aplicativos bancários, pagamentos pelo Google Pay e outros serviços que exigem alto nível de segurança biométrica.

Mas há uma limitação estrutural que nenhuma atualização de software consegue resolver completamente: a câmera frontal depende da luz visível para enxergar o rosto do usuário. Quando a iluminação é insuficiente, o sistema ou falha completamente ou funciona de forma mais lenta e imprecisa, forçando o usuário a recorrer à impressão digital.

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Vários fabricantes experimentaram sistemas avançados de reconhecimento facial 3D no final dos anos 2010, mas a maioria recuou depois que as primeiras tentativas adicionaram complexidade de hardware sem uma ampla adoção pelos consumidores.

Sensores de infravermelho dedicados, componentes de mapeamento de profundidade e recortes maiores na tela aumentavam o custo e limitavam o design em um momento em que displays mais finos e bordas menores eram prioridade.

Como resultado, os sensores de impressão digital, primeiro na traseira, depois sob a tela, tornaram-se o padrão biométrico seguro nos aparelhos Android. A Apple tomou um caminho diferente: ao integrar de forma rígida o hardware com infravermelho em torno do Face ID, estabeleceu um sistema consistente de autenticação facial baseado em hardware que funcionava em ambientes escuros e se tornou central para pagamentos e segurança de aplicativos.

O Google tentou algo parecido com o Face ID na série Pixel 4, lançada em 2019. O sistema usava uma tecnologia chamada Soli, que combinava radar de curto alcance com câmeras de infravermelho para mapear o rosto do usuário em três dimensões.

Funcionava bem, mas gerou dois problemas: o design com entalhe largo na parte superior da tela não agradou o público, e o custo adicional dos componentes era difícil de justificar. A tecnologia foi abandonada na geração seguinte.

O Projeto Toscana é uma segunda tentativa, mas desta vez com foco em superar exatamente os pontos que levaram ao abandono anterior.

Como o Projeto Toscana Funciona: Infravermelho Invisível e Mapeamento 3D

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A Tecnologia Central do Projeto Toscana envolve o infravermelho, que é uma faixa de radiação eletromagnética invisível ao olho humano, mas detectável por sensores especializados. O infravermelho está presente na natureza em qualquer objeto que emite calor, inclusive o rosto humano.

Ao usar o Projeto Toscana com infravermelho, o dispositivo projeta milhares de pontos invisíveis no rosto do usuário, criando um mapa tridimensional único. Isso significa que o sistema não pode ser enganado com fotografias ou máscaras realistas e, o mais importante, não precisa de luz visível para ler o rosto.

É esse o salto que o Google quer dar para finalmente conseguir rivalizar com o Face ID da Apple em todos os aspectos, desde a velocidade até a confiabilidade em qualquer cenário.

Essa abordagem é fundamentalmente diferente do que os Pixels atuais fazem. O reconhecimento facial atual funciona em duas dimensões: a câmera captura a imagem do rosto, os algoritmos de inteligência artificial analisam os contornos e os comparam com os dados armazenados.

É um processo eficiente e rápido, mas bidimensional. Uma foto impressa em alta resolução ou um vídeo do rosto do usuário poderia enganar sistemas 2D de menor qualidade, motivo pelo qual sistemas baseados apenas em câmera raramente recebem o mais alto nível de certificação biométrica para uso em pagamentos e autenticação bancária.

O mapeamento tridimensional com infravermelho cria um perfil do rosto que inclui profundidade e geometria, algo que uma fotografia plana nunca consegue reproduzir. Isso torna o sistema resistente a tentativas de fraude com imagens, vídeos ou até máscaras físicas, elevando o nível de segurança ao mesmo patamar do Face ID.

Como os Sensores ficam Ocultos sem alterar o Design

Desbloqueio Facial
(Imagem: Reprodução/Google)

Um dos pontos mais intrigantes dos rumores sobre o Projeto Toscana é a afirmação de que o sistema funciona sem nenhum sensor visível adicional na parte frontal do aparelho. Isso é tecnicamente desafiador, mas há caminhos possíveis para realizá-lo.

A abordagem mais provável, segundo analistas e especialistas em hardware que comentaram o relatório do Android Authority, envolve componentes de infravermelho integrados sob o painel OLED da tela. O OLED, sigla para Organic Light Emitting Diode ou Diodo Orgânico Emissor de Luz, é uma tecnologia de tela onde cada pixel emite sua própria luz.

Diferente das telas LCD, que usam uma camada de iluminação traseira e filtros de cor, as telas OLED podem ter áreas que se tornam temporariamente translúcidas para o infravermelho, permitindo que sensores posicionados abaixo do painel emitam e captem a radiação infravermelha sem que isso seja perceptível a olho nu durante o uso normal.

O Projeto Toscana apresenta o desbloqueio facial com infravermelho sob a tela que funciona com precisão mesmo em escuridão total, sem alterar o design frontal do aparelho. O sistema foca em maior velocidade de autenticação e segurança biométrica mais robusta, com o objetivo de igualar as experiências de reconhecimento facial premium já disponíveis no mercado.

A fonte do Android Authority mencionou ter testado o Projeto Toscana em um Pixel com um furo circular convencional para a câmera frontal, sem nenhum recorte adicional visível. Isso sugere que os sensores de infravermelho estão de fato integrados sob a tela ou posicionados de forma a não exigir espaço adicional.

O Histórico do Google com Reconhecimento Facial e por que desta vez pode ser Diferente

A trajetória do Google com o reconhecimento facial é marcada por avanços e recuos. O Pixel 4, lançado em outubro de 2019, foi a aposta mais ambiciosa da empresa no segmento até hoje. O aparelho usava a tecnologia Soli, um sistema de radar desenvolvido pelo próprio Google que combinava detecção de movimento por radar de curto alcance com câmeras de infravermelho para criar um mapeamento facial 3D.

O sistema funcionava bem: era rápido, preciso e funcionava no escuro. O Pixel 4 foi durante algum tempo o único smartphone Android com desbloqueio facial de Classe 3, o mais alto nível de certificação biométrica do Android, que permite autenticação em aplicativos bancários e pagamentos.

Mas o hardware adicional exigiu um entalhe largo na parte superior da tela, e o público não aceitou bem. A geração Pixel 5, lançada em 2020, abandonou completamente o sistema Soli e o reconhecimento facial de alta segurança.

Com o Pixel 7, em 2022, o Google reintroduziu o desbloqueio facial baseado em câmera e software, mas inicialmente apenas para desbloquear a tela, sem suporte a pagamentos ou aplicativos bancários. A série Pixel 8 evoluiu o sistema com aprendizado de máquina aprimorado e alcançou a certificação necessária para autenticação em apps financeiros, mas manteve a limitação com a dependência da luz visível.

O Projeto Toscana representa uma terceira abordagem: hardware de infravermelho como o Pixel 4 tinha, mas desta vez integrado de forma invisível ao design, sem a necessidade de um entalhe ou espaço adicional na tela.

Por que o Abandono Anterior não se Repetirá desta vez

Há dois fatores que tornam o cenário do Projeto Toscana diferente do que levou ao abandono da tecnologia Soli. O primeiro é o avanço na miniaturização dos componentes de infravermelho. Em 2019, integrar esse tipo de hardware em um smartphone exigia espaço físico considerável. Em 2026, a indústria avançou o suficiente para que componentes similares possam ser posicionados sob a tela OLED sem exigir uma área física adicional.

O segundo fator é o chip Tensor G6, o processador que o Google deve incluir na série Pixel 11. O Tensor G6 deve ser o cérebro por trás dessa transformação biométrica. Chips proprietários permitem controle total sobre a segurança, a criptografia e o processamento de inteligência artificial.

O módulo de segurança isolado do Tensor G6 pode armazenar o mapa facial de forma criptografada, garantindo que os dados nunca deixem o dispositivo. Além disso, o chip deve oferecer aceleração de visão computacional, processamento dedicado para redes neurais, redução de consumo energético e reconhecimento facial com menor latência.

A integração entre o hardware biométrico de infravermelho e o processamento dedicado do Tensor G6 é o que potencialmente torna o Projeto Toscana uma evolução sustentável, não mais uma experiência descartada na próxima geração.

O Projeto Toscana vs. o Face ID da Apple: O que a Comparação revela

A comparação com o Face ID é inevitável, e o próprio Google a abraça ao desenvolver o Projeto Toscana. A Apple introduziu o Face ID no iPhone X em 2017 e, em quase nove anos, manteve o sistema como referência absoluta em reconhecimento facial seguro para smartphones.

O Face ID funciona com um módulo de hardware no topo da tela que inclui um projetor de pontos infravermelhos, uma câmera infravermelha e outros sensores. O conjunto projeta mais de 30 mil pontos invisíveis sobre o rosto, cria um mapa 3D, e o processa localmente no chip neural da Apple. O sistema funciona na escuridão total, é resistente a tentativas de fraude e é rápido o suficiente para ser imperceptível na maioria dos usos.

A diferença principal que o Projeto Toscana promete introduzir é a invisibilidade dos componentes. O Face ID da Apple ainda exige o entalhe ou a ilha dinâmica no topo da tela para acomodar o módulo de hardware. Se o Google conseguir integrar seus sensores de infravermelho sob a tela sem nenhum recorte visível além do furo da câmera frontal convencional, isso seria um diferencial de design real em relação à solução da Apple.

Se o Google entregar um sistema de desbloqueio facial de Classe 3 que iguale o Face ID da Apple em segurança e confiabilidade, eliminará uma das últimas grandes diferenças de recursos entre o Pixel e o iPhone. Para os usuários do Android que invejam a conveniência de autenticar pagamentos com um olhar, o Toscana representa uma resposta há muito esperada.

Para o Google, representa algo talvez mais significativo: a prova de que a empresa pode competir com a Apple não apenas em fotografia computacional e recursos de inteligência artificial, mas na engenharia de hardware.

Os Chromebooks também entram na Estratégia Biométrica

Projeto Toscana
(Imagem: Reprodução/Google)

Uma das informações mais interessantes dos rumores sobre o Projeto Toscana é que a tecnologia não está sendo desenvolvida exclusivamente para smartphones. O Google está testando o sistema também em Chromebooks, o que indica uma visão mais ampla de unificação biométrica entre dispositivos.

A integração entre plataformas mostra que o Google está focado em criar um ecossistema mais coeso e seguro. Ao trazer o Projeto Toscana para os Chromebooks, a empresa garante que a experiência de uso é consistente entre o telefone e o computador de trabalho. A segurança deixa de ser uma barreira e passa a ser um facilitador no dia a dia tecnológico.

Os Chromebooks atuais dependem de senha ou PIN para autenticação, ou de leitores de impressão digital em modelos mais avançados. O reconhecimento facial por câmera convencional está disponível em alguns modelos, mas com as mesmas limitações de iluminação dos Pixels atuais.

A integração do Projeto Toscana nos Chromebooks traria uma experiência de login instantâneo semelhante ao que os MacBooks oferecem com o Touch ID, mas potencialmente ainda mais conveniente por dispensar qualquer toque físico.

A fonte do Android Authority mencionou ter testado o Projeto Toscana em dois Chromebooks durante as sessões de avaliação em Mountain View. Os dispositivos usavam câmeras externas com circuitos expostos, o que indica que não eram os designs finais de produto, mas que o sistema já estava funcional nesses aparelhos.

É mais difícil precisar o prazo de lançamento do Projeto Toscana para Chromebooks e se esses Chromebooks seriam fabricados pelo Google ou por outra empresa, mas em algum momento de 2026 parece uma aposta segura.

Quando e como o Projeto Toscana deve chegar ao Público

O Google não confirmou oficialmente a existência do Projeto Toscana, o que é esperado para projetos em fase de testes internos. Mas os indícios apontam para uma linha do tempo bastante específica.

Com o Google I/O a poucos meses de distância, e dado o histórico do Google de usar a palestra principal do I/O para mostrar projetos de hardware como este, pode não demorar muito para que todos tenham uma ideia do que a empresa está desenvolvendo.

O Google I/O é o principal evento anual da empresa para desenvolvedores, normalmente realizado em maio. Historicamente, o Google usa esse evento para anunciar e demonstrar novos produtos e tecnologias que chegarão ao mercado nos meses seguintes.

Se o Projeto Toscana for apresentado no I/O 2026, o lançamento nos dispositivos consumidores aconteceria alguns meses depois, em linha com o lançamento tradicional da série Pixel, que normalmente ocorre em agosto ou outubro.

A série Pixel 11 é o destino mais provável para a estreia do Projeto Toscana nos smartphones. A linha deve incluir o Pixel 11, o Pixel 11 Pro e o Pixel 11 Pro XL, com o chip Tensor G6 como processador central. Se o Projeto Toscana estiver nos planos para agosto de 2026, os testes de usuário que estão sendo conduzidos agora fazem todo o sentido dentro de um cronograma de desenvolvimento de produto.

O que isso Significa para o Futuro da Biometria no Android

O impacto potencial do Projeto Toscana vai além do Google e dos Pixels. Se o sistema funcionar como descrito e alcançar uma adoção significativa, ele pode mudar as expectativas dos usuários Android em relação ao desbloqueio facial de forma mais ampla.

Com o Google possivelmente entregando um sistema comparável no Pixel 11, a demanda por soluções similares em outros fabricantes Android deve crescer. Samsung, OnePlus e outras marcas que já monitoram de perto a evolução biométrica provavelmente acelerarão seus próprios desenvolvimentos se o Projeto Toscana se provar bem-sucedido.

Para o usuário final, a consequência mais imediata seria simples e significativa: poder desbloquear o celular com o rosto, pagar com um olhar e autenticar aplicativos bancários sem precisar de luz, sem precisar posicionar o dedo com precisão no sensor e sem ter que pensar no processo. A biometria ideal é aquela que funciona sem que o usuário perceba que ela está acontecendo, e é exatamente isso que o Projeto Toscana promete entregar.

Foto de Rodrigo dos Anjos

Rodrigo dos Anjos

Rodrigo é redator do ClicaTech e formado em Ciências da Computação com Especialização em Segurança da Informação. Amante declarado da tecnologia, dedica-se não apenas a acompanhar as tendências do setor, mas também a compreender, aplicar, proteger e explorar soluções que unam inovação, segurança e eficiência.

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Conteúdo elaborado e revisado pela redação do ClicaTech.  Pode conter tradução com auxílio de Inteligência Artificial.

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