Quando a Canonical publicou as notas de lançamento do Ubuntu 26.04 LTS, a maioria das atenções foi para o GNOME 50 e o Linux 7.0. Mas escondida numa seção de especificações técnicas, havia uma linha que gerou muito mais debate nos fóruns especializados: Mínimo de RAM do Ubuntu Sobe para 6 GB.

usuário do Ubuntu @ndoki )
É o primeiro aumento desse requisito desde 2019, quando o Ubuntu 18.04 LTS foi atualizado para exigir 4 GB. E é uma mudança de 50% num cenário que muita gente chama de RAMpocalypse: a combinação de alta demanda de memória impulsionada pelo uso de inteligência artificial com escassez de componentes de hardware que pressiona os preços para cima.
A boa notícia é que a Canonical deixa claro que isso é um “aumento de honestidade” e não uma limitação técnica. O Ubuntu 26.04 ainda funciona em sistemas com 4 GB ou até 2 GB, mas você não vai ter um sistema em pleno funcionamento. E há alternativas de peso para quem não pode ou não quer fazer upgrade de hardware.7
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O Histórico dos Requisitos de RAM do Ubuntu: Uma Linha do Tempo
Para entender o impacto da mudança, é útil olhar como os requisitos de RAM do Ubuntu evoluíram ao longo dos anos. O que fica evidente é que a Canonical foi conservadora por muito tempo.

O que essa tabela revela é que a Canonical manteve o requisito em 4 GB por sete anos consecutivos, num período em que o Ubuntu passou por mudanças técnicas significativas. A pergunta que muita gente faz é: por que agora?
Por que a Canonical Aumentou os Requisitos de RAM Agora?
A Canonical não publicou um comunicado oficial detalhando a decisão. Mas a resposta está nas notas de versão e no contexto técnico da versão 26.04.
O GNOME 50 e a Realidade Moderna
A versão 26.04 LTS traz o GNOME 50, um salto de quatro versões maiores em relação ao GNOME 46 que era usado no Ubuntu 24.04. O GNOME é o ambiente de desktop padrão do Ubuntu, ou seja, toda a interface gráfica: o gerenciador de arquivos, as configurações, a barra de tarefas, as animações, a integração com apps online.
As versões mais recentes do GNOME adicionaram recursos como escalonamento fracionário para monitores de alta resolução (que permite ajustar o tamanho da interface em incrementos de 25% em vez de só 100% ou 200%), suporte a taxa de atualização variável (VRR, que sincroniza a taxa de atualização do monitor com o que o computador está renderizando), aceleração de hardware para área de trabalho remota via Vulkan e VAAPI, e melhorias no leitor de tela Orca. Esses recursos, somados, consomem mais memória.
“Aumentar a RAM recomendada não é porque o Resolute Raccoon requer 2 GB a mais somente para carregar o sistema operacional. É a forma como computamos que mudou. Os requisitos de memória do Ubuntu 26.04 LTS refletem melhor a multitarefa do mundo real.”OMG Ubuntu, análise dos requisitos do Ubuntu 26.04 LTS — omgubuntu.co.uk, abril de 2026
O Argumento Técnico
Especialistas que cobrem o Ubuntu chamam esse ajuste de “aumento de honestidade”. O argumento é simples: com 4 GB de RAM, abrir o Firefox com algumas abas, ter o LibreOffice rodando e manter o gerenciador de e-mail aberto ao mesmo tempo já sobrecarregava o sistema. O Ubuntu funcionava na teoria, mas era lento na prática.
Para referência: o próprio time da OMG Ubuntu testou o Ubuntu 26.04 Beta num laptop com apenas 2 GB de RAM. O resultado? O sistema instalou e iniciou, mas era “lento ao ponto da frustração na prática”. Com 4 GB, a experiência é utilizável, mas longe do que a Canonical considera adequado para uso cotidiano moderno.
Vale notar que essa é uma recomendação, não uma barreira técnica. O Ubuntu 26.04 ainda será instalável em sistemas com menos de 6 GB. A diferença é que a Canonical deixa claro: se você instalar com menos memória e o sistema ficar lento, essa é a consequência esperada.
O que Mais Mudou no Ubuntu 26.04 LTS além dos Requisitos de RAM
O aumento de RAM é o item que gerou mais debate, mas o Ubuntu 26.04 LTS tem mudanças técnicas substanciais que vão muito além dos requisitos mínimos.

GNOME 50 Exclusivamente no Wayland
Uma das mudanças mais impactantes para usuários com hardware mais antigo é a adoção do Wayland como único protocolo de servidor gráfico para a sessão GNOME. O X11, protocolo de gráficos que existia há décadas, não está mais disponível como opção de login no ambiente GNOME.
O Wayland é o protocolo de exibição que substitui o X11, oferecendo melhor segurança, desempenho mais consistente em monitores modernos e latência menor.
O que é o protocolo Wayland? O Wayland é um sistema de comunicação entre aplicativos e o hardware gráfico do computador. Pense nele como o “idioma” que o ambiente de desktop usa para se comunicar com a placa de vídeo e exibir janelas na tela.
Para a maioria dos usuários, a transição será transparente. O XWayland, que garante compatibilidade retroativa para aplicativos que ainda dependem do X11, continua instalado e funcional.
O X11 era o padrão há mais de 30 anos, mas foi projetado numa época em que monitores com 4K, telas touchscreen e múltiplos displays de frequências diferentes não existiam. O Wayland foi criado para resolver essas limitações de forma arquitetural.
Rust como Linguagem de Segurança para Utilitários do Sistema
O Ubuntu 26.04 adota por padrão o sudo-rs, uma reimplementação do comando sudo escrita na linguagem de programação Rust, e substitui partes do GNU coreutils (os utilitários básicos de linha de comando) pela versão uutils/coreutils, também em Rust.
A linguagem Rust é projetada para evitar uma classe inteira de falhas de segurança relacionadas ao gerenciamento de memória, como buffer overflows e use-after-free, que historicamente causaram vulnerabilidades críticas em software escrito em C.
Linux 7.0 e o Novo Gerador de Ramdisk
O Ubuntu 26.04 adota o Linux 7.0, o kernel mais recente no momento do lançamento. Junto com isso, o gerador de ramdisk inicial mudou do initramfs-tools para o Dracut.
O ramdisk inicial é um sistema de arquivos temporário carregado na memória durante a inicialização do sistema, antes do disco real ser montado.
O Dracut usa o systemd internamente e suporta tecnologias modernas como inicialização via NVMe-oF (NVMe sobre rede), Bluetooth e criptografia com TPM.
Ubuntu 26.04 com mais RAM que o Windows 11? A Comparação
Nos fóruns e redes sociais, a comparação inevitável surgiu: o Windows 11 da Microsoft exige apenas 4 GB de RAM em sua documentação oficial, enquanto o Ubuntu 26.04 agora pede 6 GB. Para muita gente que usa Linux exatamente por ser considerado mais leve, isso soou como uma ironia estranha.
Mas a comparação é enganosa, e a razão é interessante. A Microsoft lista o requisito mínimo do Windows 11 como 4 GB, mas esse número não reflete a realidade do uso cotidiano com o sistema.
Na prática, o Windows 11 com seus processos em segundo plano, o Windows Defender, o telemetria e os serviços do sistema consome regularmente entre 3 GB e 5 GB de RAM logo após a inicialização, antes do usuário abrir qualquer aplicativo.
O Ubuntu, ao aumentar seu requisito para 6 GB, está sendo mais transparente sobre o que a experiência real exige para ser funcional. É um número maior no papel, mas mais honesto na prática.
Para colocar em perspectiva: o Ubuntu 26.04 com GNOME 50 em repouso ocupa entre 1,5 GB e 2 GB de RAM. Com um navegador aberto e algumas abas, LibreOffice Writer rodando e o gerenciador de e-mail ativo, o consumo pode chegar a 4 GB com facilidade. Os 6 GB recomendados garantem que essas tarefas simultâneas ocorram sem pressionar o sistema ao limite.
O que Fazer Caso o seu PC Tenha Menos de 6 GB de RAM: As Melhores Alternativas
A boa notícia é que o ecossistema Ubuntu é amplo. A palavra “sabor” (flavor, em inglês) é usada na comunidade para descrever distribuições que compartilham o mesmo núcleo do Ubuntu, os mesmos repositórios de pacotes e o mesmo ciclo de suporte, mas utilizam ambientes de desktop diferentes, mais leves ou mais pesados, dependendo da proposta.


E se Eu Quiser Instalar o Ubuntu Principal em um PC com 4 GB?
É possível. O Ubuntu 26.04 pode ser instalado e executado em sistemas com 4 GB de RAM. A experiência será funcional, mas mais lenta do que o esperado em situações de multitarefa.
Para usuários que têm memória soldada na placa (comum em laptops finos e Chromebooks), que não pode ser expandida, essa é uma realidade permanente.
A Canonical recomenda esses casos como candidatos aos sabores leves ou ao Ubuntu Minimal, que permite instalar o sistema base sem ambiente gráfico e adicionar apenas o que for necessário.
Comparativo Completo: Ubuntu 26.04 LTS vs Versões Anteriores e Sabores





