Tem uma movimentação interessante acontecendo nos bastidores da Apple, e ela pode mudar completamente a forma como muita gente enxerga os laptops da marca. Por muito tempo, o menor preço de entrada para um MacBook girava em torno dos US$ 999, algo como R$ 5.800 na cotação atual, o que deixava a linha fora do alcance de boa parte dos estudantes e usuários que buscavam um notebook mais acessível. Agora, a empresa de Cupertino parece pronta para mudar esse cenário de vez.
De acordo com o jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, um dos repórteres mais confiáveis quando o assunto é Apple, o novo MacBook com chip A18 Pro de entrada deve ser apresentado ao público já em março de 2026, com um preço que ficará bem abaixo dos US$ 1.000.
As estimativas mais recentes apontam para um valor entre US$ 699 e US$ 799, o que representa, em conversão direta para o Real, uma faixa entre R$ 3.600 e R$ 4.100. E, para quem acompanha o mercado de tecnologia, isso é uma mudança considerável para uma marca que sempre foi associada ao segmento premium.
Mas o que torna esse lançamento ainda mais curioso é o que está dentro da máquina: o chip A18 Pro, o mesmo processador que equipa os modelos mais avançados da linha iPhone 16. Pela primeira vez na história, um Mac vai rodar um processador da série A, normalmente reservado aos smartphones da empresa.
Isso levanta algumas perguntas muito válidas: esse chip é bom o suficiente para um laptop? O que muda na prática para quem vai usar a máquina no dia a dia? E, principalmente, vale a pena esperar por esse lançamento?
Vamos responder tudo isso com calma.
Chip A18 Pro nesse contexto

Para entender o peso dessa escolha, é importante explicar o que é o chip A18 Pro e como ele se diferencia dos processadores que a Apple usa nos seus MacBooks tradicionais.
Os MacBooks atuais, tanto o MacBook Air quanto o MacBook Pro, utilizam os chamados chips da série M, que são processadores desenvolvidos especificamente para computadores. O M4, por exemplo, presente no MacBook Air mais recente, tem 10 núcleos de processamento, 8 núcleos gráficos e 16 GB de memória RAM de fábrica. Já o A18 Pro, que nasceu no universo dos iPhones, conta com 6 núcleos de processamento e 6 núcleos gráficos.
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Parece menos poderoso no papel, e tecnicamente é mesmo. Mas há um detalhe que muda tudo: segundo o site MacRumors, em desempenho de núcleo único (a tarefa mais comum no uso diário, como abrir aplicativos, navegar na internet e editar documentos), o A18 Pro tem pontuação média de 3.451 no Geekbench 6, enquanto o M4 do iPad Pro chega a 3.694.
A diferença é pequena. Onde o A18 Pro perde pontos é no desempenho com múltiplos núcleos ao mesmo tempo, que é mais relevante para tarefas pesadas como renderização de vídeo em 4K ou modelagem 3D.
Na prática, isso significa que um MacBook com chip A18 Pro vai ser mais do que suficiente para o uso diário: navegar na internet, criar documentos, assistir a vídeos e até fazer edição leve de fotos e vídeos. Quem precisa de uma máquina para trabalhos gráficos intensos ou edição profissional de vídeo vai continuar precisando de um MacBook Pro ou MacBook Air com chip M. Mas esse não é o público para o qual esse novo modelo foi pensado.
A novidade mais relevante nesse ponto é que o A18 Pro roda o motor de inteligência artificial chamado Neural Engine (motor neural, em português), com 16 núcleos dedicados. Isso garante que o novo MacBook de entrada seja compatível com o Apple Intelligence, o conjunto de recursos de inteligência artificial da Apple presentes no iOS e no macOS mais recentes. Para um laptop de entrada, esse é um diferencial e tanto.
O Codinome J700 e o novo processo de fabricação em alumínio
Identificado internamente pelo codinome J700, o novo MacBook de entrada traz uma informação que surpreendeu quem esperava ver a Apple fazer concessões na qualidade de construção para chegar a um preço menor.
A Apple desenvolveu um novo processo de fabricação com o objetivo de otimizar a forma como a estrutura externa é moldada, por meio de uma técnica mais rápida e econômica do que a usada nos seus outros laptops. Ou seja, a carcaça continua sendo de alumínio, o mesmo material dos MacBooks mais caros, mas a forma de produzir essa carcaça foi repensada para reduzir custos sem comprometer a aparência ou a durabilidade.
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A empresa quer que o consumidor desse MacBook de entrada sinta na mão a mesma solidez e qualidade de construção de qualquer outro Mac. A diferença está em componentes internos e em escolhas de especificações que impactam menos a experiência cotidiana da maioria dos usuários.
Segundo Gurman, a técnica de fabricação envolve um processo de moldagem mais rápido da carcaça externa, possivelmente com menos etapas de usinagem interna, o que reduz o tempo de produção e, consequentemente, o custo unitário de cada máquina. A qualidade visual e tátil, no entanto, permanece dentro dos padrões que a marca cultiva há anos.
As cores que podem chegar com o novo MacBook
E aqui chegamos a um dos aspectos mais comentados sobre esse lançamento: as opções de cores. Se os rumores se confirmarem, o novo MacBook de entrada pode se tornar o laptop mais colorido da Apple desde o iBook G3, aquele notebook icônico dos anos 1990 que vinha em tons como azul, laranja, verde e grafite e que ajudou a Apple a reconquistar o mercado depois de quase falir.

Seis tonalidades distintas foram testadas durante a fase de desenvolvimento: amarelo claro, verde claro, azul, rosa, prata clássica e cinza escuro. Isso foi confirmado tanto pelo jornalista Mark Gurman em sua newsletter semanal chamada “Power On” (algo como “Liga-se”, em referência ao botão de energia), quanto pelo leaker conhecido como Instant Digital, que publicou a informação em sua conta na rede social chinesa Weibo.
Em uma publicação no Weibo, o leaker Instant Digital afirmou que o esquema de cores do logotipo da Apple, composto por discos transparentes em amarelo, verde e azul, usado no convite do evento deverá refletir os tons desse suposto MacBook.

Isso dá uma pista importante: o convite para o evento do dia 4 de março usou exatamente essas três cores, o que reforça a teoria de que o lançamento está próximo e que pelo menos essas três opções cromáticas serão comercializadas.
Gurman também informou que é improvável que todas as seis cores testadas cheguem ao mercado. A Apple deve selecionar apenas algumas para a versão final do produto. A aposta mais comum entre os analistas é que o amarelo, o verde e o azul sejam as escolhas definitivas, justamente por dialogarem com a identidade visual usada no convite do evento.

Esse movimento não é por acaso. As cores vibrantes tem funcionado muito bem para a Apple em outros produtos. O iMac de 24 polegadas, lançado em 2021, chegou em sete cores e foi um sucesso de marketing.
Os AirPods, os iPhones e os Apple Watch também exploram paletas variadas para atrair públicos diferentes. Trazer essa identidade para os MacBooks é uma forma de tornar o notebook mais pessoal, menos corporativo e mais próximo do estilo de vida de estudantes e jovens consumidores.
A Tela LCD
Outro ponto que vale atenção é a tecnologia de tela escolhida para esse novo MacBook. Enquanto a Apple prepara um MacBook Air com tela OLED para o futuro, o MacBook de entrada vai contar com uma tela LCD, sigla ou “Tela de Cristal Líquido”.
Essa é uma tecnologia mais estabelecida e mais barata de produzir, o que ajuda a manter o preço final do produto dentro da faixa planejada. A tela deve ter 12,9 polegadas de diagonal, um tamanho um pouco menor do que as 13,6 polegadas do MacBook Air atual.
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Segundo o site DigiTimes, citado pelo MacMagazine, o laptop terá uma tela de 12,9 polegadas, número ligeiramente menor que as 13,6 polegadas do atual modelo de entrada da gigante de Cupertino.
A expectativa é que o painel conte com a tecnologia True Tone (ajuste automático da temperatura de cor da tela de acordo com a iluminação do ambiente) e resolução em torno de 2560 x 1600 pixels, características comuns nos outros MacBooks.
O que não deve aparecer por aqui é o mini-LED (tecnologia que usa minúsculas lâmpadas LED para iluminar a tela com maior controle de brilho e contraste) ou o ProMotion (taxa de atualização de tela adaptável, que vai de 24 Hz a 120 Hz para deixar a imagem mais fluida), recursos presentes nos modelos mais caros da linha Pro.
Para o uso cotidiano de um estudante, de alguém que navega na internet, acessa redes sociais, assiste a filmes ou faz videoconferências, essa tela vai ser mais do que adequada. A diferença em relação aos painéis mais avançados só fica perceptível em comparações diretas ou em tarefas muito específicas.
A Bateria e o silêncio que vêm com o chip de iPhone
Um dos benefícios menos comentados, mas bastante relevantes nesse novo MacBook, está ligado diretamente à escolha pelo chip A18 Pro: a eficiência energética e a ausência de ventoinha interna.
Os chips da série A, desenvolvidos para iPhones, foram projetados para operar com a menor quantidade possível de energia, já que os smartphones precisam de baterias duradouras em corpos compactos. Quando esse mesmo chip é colocado num notebook, o resultado é um aparelho que gera menos calor e consome menos energia do que um laptop com processador convencional.
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Isso permite que o MacBook econômico opere de forma totalmente silenciosa, uma característica valorizada em ambientes de biblioteca e salas de aula. Um laptop sem ventoinha é um laptop que nunca faz aquele barulho irritante de resfriamento, o que é um diferencial real para quem trabalha ou estuda em ambientes onde o silêncio importa.
A autonomia da bateria também deve se beneficiar dessa arquitetura. Embora a Apple ainda não tenha confirmado os números, a expectativa é que o novo MacBook de entrada entregue algo próximo às 15 horas de uso anunciadas no MacBook Air com chip M4, já que a filosofia de eficiência energética por trás do A18 Pro é a mesma.
O MacBook de entrada como resposta aos Chromebooks
Há uma leitura estratégica importante por trás de todo esse movimento da Apple. Por anos, os Chromebooks, que são notebooks desenvolvidos pelo Google e fabricados por empresas como Acer, Lenovo e HP, dominaram o segmento de laptops de baixo custo voltados para estudantes, especialmente no mercado norte-americano. Esses aparelhos rodam o Chrome OS (sistema operacional baseado no navegador Chrome) e costumam custar entre US$ 299 e US$ 599.
Ao posicionar um MacBook barato abaixo dos US$ 700, a Apple entra diretamente no território dominado por Chromebooks e notebooks Windows de entrada. Esse movimento pode ter três impactos principais: escolas e universidades que antes optavam por Chromebooks podem considerar o MacBook de baixo custo como alternativa viável; usuários que desejavam entrar no ecossistema Apple, mas eram barrados pelo preço, passam a ter uma porta de entrada real; e países com alta sensibilidade a preço podem ver aumento na adoção de Macs.
Além disso, quem já usa um iPhone tem uma razão extra para considerar esse MacBook: a integração entre os dois dispositivos é nativa e fluida. Recursos como o AirDrop (transferência de arquivos por Wi-Fi e Bluetooth entre dispositivos Apple), o Handoff (que permite continuar uma tarefa iniciada no iPhone direto no Mac), a sincronização via iCloud e o uso do iPhone como webcam tornam a experiência do ecossistema Apple muito mais coesa do que qualquer combinação de dispositivos de marcas diferentes.
O que os analistas e leakers estão dizendo?
As fontes que acompanham os movimentos da Apple convergem em muitos pontos. O jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, tem sido a principal referência nessa cobertura, confirmando detalhes como o prazo de lançamento em março, o material da carcaça e as cores testadas.
O analista Ming-Chi Kuo, conhecido por sua precisão em previsões sobre produtos Apple, também confirmou o uso do chip A18 Pro.
— 郭明錤 (Ming-Chi Kuo) (@mingchikuo) June 30, 2025
O leaker Instant Digital trouxe o dado histórico curioso de que as cores testadas para esse MacBook já haviam sido consideradas pela Apple ainda em 2022 para o MacBook Air com chip M2, que acabou sendo lançado em outras tonalidades.
Segundo o MacMagazine, que acompanhou essa informação de perto, o insider disse que a Apple planejava oferecer esse mesmo esquema de cores para o MacBook Air com chip M2, lançado em julho de 2022 nas cores prateada, cinza-espacial, estelar e meia-noite. Ou seja, a ideia de um MacBook colorido não é nova dentro da Apple: ela simplesmente esperou o momento e o produto certos para colocá-la em prática.
O site MacRumors também registrou que referências a um MacBook com chip A18 Pro apareceram em um conjunto de arquivos vazados da Apple ainda em dezembro de 2025, o que reforça a veracidade das informações e indica que o produto está em estágio avançado de desenvolvimento.
Conectividade e o que pode faltar nesse Modelo
É justo mencionar também o que o novo MacBook de entrada provavelmente não vai oferecer, para que ninguém seja pego de surpresa.
Por usar o chip A18 Pro em vez de um chip da série M, o novo laptop não deve contar com a tecnologia Thunderbolt, que é um padrão de conexão ultrarrápida que permite transferir arquivos a velocidades muito altas e conectar monitores externos com qualidade superior.
O A18 Pro não suporta Thunderbolt, então o MacBook ficará limitado ao USB-C convencional, com velocidade de 10 GB por segundo, o que também limita a conexão a um único monitor externo.
Para a maioria dos usuários do dia a dia, isso não vai fazer diferença nenhuma. Mas quem precisa de uma configuração com dois monitores externos ou de velocidades de transferência profissionais vai precisar olhar para modelos mais avançados da linha.
Outro ponto é a memória RAM. O iPhone 16 Pro, que usa o mesmo chip, tem 8 GB de RAM. Nos Macs atuais, o padrão mínimo é de 16 GB. A expectativa é que a Apple coloque pelo menos 8 GB no novo MacBook de entrada, já que essa é a quantidade mínima para rodar o Apple Intelligence, mas ainda não há confirmação oficial sobre esse ponto.
O Nome Oficial ainda é um mistério
Curiosamente, a Apple ainda não deixou escapar o nome oficial desse novo produto. Internamente ele é identificado como J700, mas no mercado ele pode chegar simplesmente como “MacBook”, retomando um nome que a empresa usou no passado para um notebook de 12 polegadas voltado ao público geral.
Outra possibilidade cogitada é o nome “MacBook SE”, seguindo a nomenclatura já usada no iPhone SE e no Apple Watch SE para identificar versões mais acessíveis de produtos consolidados.
O site MacRumors aponta que, se a Apple seguir a mesma lógica do iPad de entrada (que se chama simplesmente “iPad”), o mais provável é que o novo laptop chegue ao mercado com o nome simples de “MacBook”, sem sufixos ou qualificadores.
Quando e como esse MacBook deve chegar ao Brasil?
O evento da Apple está marcado para o dia 4 de março de 2026, e os indícios apontam para o anúncio do novo MacBook de entrada nessa data. A disponibilidade para compra nos Estados Unidos deve acontecer logo após o evento, como é habitual nos lançamentos da empresa.
No Brasil, a chegada costuma levar algumas semanas a mais. O preço praticado no mercado nacional, como qualquer produto Apple no país, será consideravelmente mais alto do que o valor americano por causa dos impostos de importação e da tributação específica sobre eletrônicos.
Enquanto nos EUA o MacBook de entrada deve partir dos US$ 699 (cerca de R$ 4.100 na cotação atual), no Brasil é possível que o preço oficial fique entre R$ 7.000 e R$ 9.000, dependendo da configuração e da política de preços adotada pela Apple para o país.
Se você tem interesse em adquirir esse modelo assim que chegar ao Brasil, vale já ir pesquisando as melhores formas de compra: lojas oficiais da Apple, revendedores autorizados e as ofertas que costumam aparecer em plataformas de e-commerce nas semanas que seguem o lançamento.
O que esperar dos próximos MacBooks em 2026
O MacBook de entrada com chip A18 Pro não é o único lançamento previsto para 2026 dentro da linha Mac. Gurman confirmou que a Apple também deve apresentar versões atualizadas do MacBook Pro ao longo do ano, além de um MacBook Air equipado com tela OLED, o que representaria a maior atualização de tela dessa linha desde a sua criação.
I’m expecting this low cost MacBook, new MacBook Airs, new MacBook Pros, new Mac displays over the course of the next several weeks. There’s also a new Mac Studio, iMac and Mac mini this year. Huge year for the Mac. And that doesn’t even include the touch MacBook Pro end of 2026. https://t.co/gcAKwOVHpb
— Mark Gurman (@markgurman) February 15, 2026
O Mac Studio, voltado para criadores de conteúdo profissionais, também deve ganhar versões com os chips M5 Max e M5 Ultra, que são os processadores de maior desempenho da série M. E o iMac de 24 polegadas e o Mac Mini também têm atualizações previstas, embora provavelmente não sejam anunciados no mesmo evento de março.
É um ano movimentado para a linha Mac, e o MacBook de entrada funciona como a porta de entrada para todo esse ecossistema renovado.
Vale a pena esperar pelo novo MacBook barato?
Se você está no mercado por um notebook novo e o preço sempre foi o principal obstáculo para entrar no universo Apple, a resposta é: sim, muito provavelmente vale a pena esperar mais algumas semanas para ver o que a Apple vai anunciar.
O novo MacBook de entrada combina um processador competente para o uso cotidiano, uma carcaça de alumínio com qualidade de construção típica da marca, possíveis opções de cores que tornam o produto mais pessoal e um preço que, pela primeira vez, coloca um MacBook numa faixa acessível a um público muito mais amplo.
Não é o laptop certo para quem precisa de máximo desempenho ou de conectividade avançada. Mas para estudantes, usuários corporativos em busca de portabilidade e leveza, ou qualquer pessoa que queira entrar no ecossistema Apple podendo gastar R$ 6.000 ou mais, esse pode ser o produto mais importante que a Apple lança em anos. Fique atento ao dia 4 de março.





