Projeto Smartwatch da Meta: Lançamento do Malibu 2 em 2026 com IA Integrada e Controle de Óculos Inteligentes

Depois de cancelar projeto em 2022, Meta retoma desenvolvimento de relógio inteligente focado em saúde, Meta AI e integração com ecossistema de vestíveis da empresa

Projeto Smartwatch da Meta

A Meta surpreendeu o mercado ao confirmar que está retomando o desenvolvimento de um smartwatch após ter cancelado o projeto há quatro anos. O Dispositivo, conhecido internamente pelo codinome Malibu 2, deve chegar ao mercado ainda em 2026 com foco em monitoramento de saúde, integração inteligência artificial e uma proposta que pode finalmente diferenciar a Meta no competitivo Mercado de vestíveis dominado pela Apple, pela Samsung e pela Garmin.

A notícia, revelada pelo site The Information, indica que a decisão de ressuscitar o projeto do Smartwatch da Meta foi tomada durante uma reunião estratégica de alto nível na casa de Mark Zuckerberg no Havaí. O encontro teria reafirmado o compromisso da Meta com o hardware de consumo além da realidade virtual e aumentada, posicionando o Malibu 2 como uma peça fundamental na estratégia mais ampla da empresa de criar um ecossistema completo de dispositivos vestíveis interconectados.

Para entender a importância disso e o que podemos esperar do primeiro smartwatch da Meta, vamos explorar todos os detalhes disponíveis, o histórico conturbado do projeto, como ele se encaixa na visão maior da empresa e que desafios a Meta enfrentará ao tentar conquistar espaço em um mercado já estabelecido.

A História do Smartwatch que quase não Existiu

A jornada da Meta no desenvolvimento de smartwatches é marcada por idas e vindas, projetos ambiciosos e cancelamentos. Os primeiros rumores sobre um relógio inteligente da Meta surgiram ainda em 2021, quando a empresa estava fortemente focada em construir o metaverso e investindo bilhões de dólares em sua divisão Reality Labs.

Em 2022, imagens vazadas pela Bloomberg mostraram um protótipo bastante inusitado: um smartwatch equipado com nada menos que três câmeras. A câmera frontal ficava acima da tela, enquanto outras duas câmeras estavam posicionadas na lateral do dispositivo. A ideia era que o relógio pudesse capturar fotos e vídeos de ângulos diferentes, funcionando como um dispositivo de criação de conteúdo para redes sociais direto do pulso.

Smartwatch da Meta
(Fonte da imagem: Bloomberg)

O Design apresentava uma tela destacável que podia ser removida da pulseira para uso como um dispositivo independente. Era um conceito ousado e diferente de tudo que existia no mercado, mas também levantava questões óbvias sobre privacidade, praticidade e se alguém realmente queria câmeras apontando para todos os lados no próprio pulso.

No final de 2022, em meio a uma onda de cortes de custos e reestruturação da divisão Reality Labs, que já acumulava prejuízos bilionários ano após ano, a Meta tomou a decisão de arquivar o projeto do smartwatch. A empresa estava demitindo milhares de funcionários e reavaliando prioridades, e um relógio inteligente com três câmeras simplesmente não parecia fazer sentido naquele momento.

Agora, quatro anos depois do início dos rumores iniciais e dois anos após o cancelamento, o projeto Malibu 2 ressurge em uma forma que parece muito mais madura e alinhada com as realidades do mercado de wearables. A estratégia mudou, o contexto mudou, e as ambições da Meta aparentemente também.

O Que Sabemos Sobre o Malibu 2: Especificações e Recursos Esperados

Embora detalhes técnicos específicos ainda sejam escassos, as informações disponíveis permitem traçar um perfil razoavelmente claro do que a Meta está planejando para o Malibu 2.

O foco principal do dispositivo estará no monitoramento de saúde e fitness. Isso significa que podemos esperar os sensores padrão encontrados em smartwatches modernos: monitor de frequência cardíaca, oxímetro de pulso para medir a saturação do oxigênio no sangue, acelerômetro e giroscópio para rastreamento de atividades, e possivelmente sensor de temperatura corporal.

A grande novidade e o diferencial do Malibu 2 será a integração profunda com a Meta AI, a plataforma de inteligência artificial da empresa. A assistente estará incorporada diretamente no relógio, permitindo interações por voz e gestos.

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Você poderá fazer perguntas, obter recomendações personalizadas sobre saúde e fitness, controlar dispositivos inteligentes da sua casa e executar diversas tarefas usando comandos naturais na linguagem cotidiana.

Uma característica que pode diferenciar o smartwatch da Meta é a compatibilidade multiplataforma. Ao contrário do Apple Watch, que funciona exclusivamente com iPhone, ou dos Galaxy Watch mais recentes que têm funcionalidades limitadas fora do ecossistema Samsung, o Malibu 2 deve trabalhar tanto com smartphones Android quanto com iOS. Isso eliminaria uma barreira e permitiria que usuários de qualquer plataforma pudessem aproveitar o dispositivo sem restrições.

A integração com os óculos inteligentes da Meta, especialmente os modelos Ray-Ban Meta e Ray-Ban Display, é outro componente fundamental da estratégia. O smartwatch funcionaria como um dispositivo complementar aos óculos, permitindo gerenciar configurações de forma mais rápida, controlar a câmera embutida nos óculos e oferecer uma experiência unificada entre os vestíveis.

A Evolução da Neural Band para um Smartwatch Completo

Para entender a lógica por trás do smartwatch da Meta, é essencial conhecer a Meta Neural Band, a pulseira neural que acompanha os óculos Ray-Ban Display lançados em setembro de 2025.

Malibu 2
(Imagem: Rprodução/Meta)

A Neural Band é um dispositivo de pulso que usa tecnologia de eletromiografia (EMG em inglês, sigla para electromyography). Ela possui sensores que detectam sinais elétricos musculares sutis no pulso do usuário, interpretando esses sinais como gestos das mãos e transformando-os em comandos para os óculos inteligentes.

Com a Neural Band, você pode controlar os óculos Ray-Ban Display usando movimentos muito discretos. Basta pinçar os dedos indicador e polegar para um clique, deslizar o polegar para rolar por menus, ou girar o pulso para ajustar volume e brilho como se estivesse girando um botão invisível. É uma forma de controle extremamente natural e intuitiva que parece mágica quando funciona bem.

A pulseira tem classificação de resistência à água IPX7, bateria que dura até 18 horas de uso contínuo, e é feita com materiais de alta tecnologia incluindo eletrodos revestidos com carbono tipo diamante e malha de Vectran, o mesmo material usado nas almofadas de impacto do rover Curiosity em Marte.

Andrew Bosworth, Diretor de Tecnologia da Meta, já havia comentado publicamente que as funções da Neural Band poderiam encontrar um lugar em outro dispositivo de pulso no futuro. Um smartwatch completo com recursos de monitoramento de saúde e fitness seria o vetor perfeito para levar essas capacidades de controle por gestos para o braço de muito mais usuários.

O Malibu 2, portanto, pode ser visto como uma evolução natural da Neural Band: mantém toda a tecnologia EMG de controle por gestos, mas adiciona tela, sensores de saúde, processador mais potente e funcionamento independente como um smartwatch completo. É o pacote completo que une as duas propostas de valor em um único dispositivo.

Como o Malibu 2 se Encaixa no Ecossistema de Vestíveis da Meta

A Meta está claramente construindo um ecossistema abrangente de dispositivos vestíveis que trabalham juntos de forma integrada. Vamos entender cada peça desse quebra-cabeça e como o smartwatch se encaixa nessa visão maior.

No topo do portfólio estão os óculos de realidade virtual e mista, como o Meta Quest 3 e os futuros óculos Phoenix que foram adiados para 2027. Esses dispositivos são focados em experiências imersivas completas, jogos, produtividade e socialização em ambientes virtuais.

No meio termo ficam os óculos de realidade aumentada que a Meta está desenvolvendo com previsão de lançamento também em 2027. Esses óculos prometem sobrepor informações digitais ao mundo real de forma mais sutil e integrada do que os headsets de realidade virtual.

Os óculos inteligentes Ray-Ban Meta representam o nível de entrada mais acessível. Eles parecem óculos comuns, mas têm câmeras, microfones, alto-falantes e a assistente Meta AI embutidos. Você pode tirar fotos, gravar vídeos, fazer ligações, ouvir música e interagir com a IA, tudo mantendo as mãos livres e sem precisar tirar o smartphone do bolso.

A versão Ray-Ban Display elevou esse conceito ao adicionar uma tela colorida de alta resolução nas lentes dos óculos. Agora você pode ver notificações, mensagens, direções de navegação, capas de álbuns e muito mais projetado diretamente no seu campo de visão, tudo controlado pela Neural Band através de gestos sutis.

E onde entra o smartwatch Malibu 2 nesse cenário? Ele seria a ponte entre todos esses dispositivos e seu smartphone. Funcionaria como um hub central de saúde e fitness, coletando dados biométricos e de atividade.

Serviria como um dispositivo de controle para gerenciar seus óculos inteligentes. Atuaria como ponto de acesso rápido para a Meta AI quando você não estiver usando os óculos. E manteria você conectado com notificações e comunicações mesmo quando não quiser usar outros dispositivos.

A visão parece clara: a Meta quer criar um conjunto completo de vestíveis que cobrem diferentes casos de uso e trabalham juntos de forma harmoniosa, com a inteligência artificial servindo como cola que une tudo.

A Parceria Provável com a Garmin: Experiência em Fitness

Um aspecto interessante que vários analistas têm mencionado é a possibilidade de parceria entre a Meta e a Garmin para o desenvolvimento do Malibu 2. A Garmin é uma das principais fabricantes de relógios esportivos e de fitness do mundo, com décadas de experiência e tecnologia própria de sensores e algoritmos de monitoramento.

A Meta já demonstrou predileção por parcerias estratégicas em hardware. Os óculos Ray-Ban Meta são desenvolvidos em conjunto com a EssilorLuxottica, proprietária da marca Ray-Ban, combinando a expertise da Meta em tecnologia com o design icônico e a experiência em óptica da parceira italiana.

Os óculos Oakley Vanguard, voltados para esportes, também são fruto de parceria e incluem sensores de frequência cardíaca em LED projetados para trabalhar em sincronia com smartwatches da Garmin.

Uma colaboração entre Meta e Garmin para o Malibu 2 faria muito sentido. A Meta traz sua força em inteligência artificial, processamento de linguagem natural e integração de ecossistema. A Garmin contribuiria com sensores precisos de saúde, algoritmos avançados de análise de métricas esportivas, mapas detalhados para navegação e confiabilidade comprovada em dispositivos vestíveis.

Diferentemente da Apple, da Google e da Samsung, que têm seus próprios sistemas operacionais móveis e ecossistemas fechados, a Garmin é independente e poderia colaborar com a Meta sem conflitos de interesse. A fabricante americana já trabalha com várias plataformas e é neutra em relação à guerra entre iOS e Android.

Embora nenhuma confirmação oficial tenha sido feita, a possibilidade de ver a tecnologia da Garmin alimentando o lado fitness do Malibu 2 é empolgante para quem leva a sério o monitoramento de saúde e de atividades físicas.

O Timing Estratégico e a Corrida para a Computação Ambiente

Apesar dos desafios, o timing do lançamento do Malibu 2 em 2026 pode ser mais estratégico do que parece à primeira vista. Estamos no limiar de uma mudança importante na forma como interagimos com a tecnologia, e a Meta está tentando se posicionar na vanguarda dessa transformação.

O conceito de computação ambiente, ou ambient computing em inglês, refere-se a tecnologia que desaparece no plano de fundo da sua vida mas está sempre disponível quando você precisa. Em vez de tirar o smartphone do bolso dezenas de vezes por dia para checar notificações ou buscar informações, você simplesmente olha para seus óculos inteligentes ou fala com seu smartwatch.

A ideia é que a tecnologia se torne tão integrada e natural que você nem perceba que está usando computadores o tempo todo. Os dispositivos entendem o contexto, antecipam as necessidades e fornecem informações úteis no momento certo sem exigir uma atenção constante.

A Apple está claramente perseguindo essa visão também. Há rumores de que a empresa está desenvolvendo óculos inteligentes próprios e possivelmente um dispositivo portátil tipo pin ou broche que funcionaria em conjunto com os óculos. Os AirPods estão evoluindo para ter câmeras e recursos de áudio espacial que criam experiências imersivas.

O Google confirmou que seus óculos inteligentes previstos para 2026 trabalharão em conjunto com smartwatches Android, criando um ecossistema vestível integrado similar ao que a Meta está construindo.

Todo mundo está correndo para conquistar não apenas seu pulso, mas também seus ouvidos e seus olhos. O Malibu 2 é uma peça fundamental nessa corrida, e a Meta está apostando que chegar em 2026 com um pacote completo de óculos mais smartwatch lhe dará vantagem competitiva antes que a Apple e o Google estejam prontos com suas próprias ofertas integradas.

A Inteligência Artificial como Diferencial

Projeto Smartwatch da Meta: Lançamento do Malibu 2 em 2026 com IA Integrada e Controle de Óculos Inteligentes

Se há uma área onde a Meta pode competir de igual para igual com as gigantes da tecnologia é em inteligência artificial. A empresa tem investido bilhões em pesquisa e desenvolvimento de IA, lançou a família de modelos de linguagem Llama que compete com o GPT da OpenAI, e integrou capacidades avançadas de IA em todos os seus produtos.

A Meta AI, a assistente conversacional da empresa, já está embutida nos óculos Ray-Ban Meta e Ray-Ban Display, no Facebook, no Instagram, no WhatsApp e em outros serviços. Com o Malibu 2, ela estaria presente também no seu pulso, pronta para responder perguntas, fornecer insights sobre sua saúde, e ajudar com tarefas do dia a dia.

A diferença em relação a concorrentes pode estar na profundidade da integração da IA e no tipo de experiências que ela possibilita. Imagine, por exemplo, um cenário onde você está correndo com seu smartwatch Malibu 2 e seus óculos Ray-Ban Meta. A Meta AI analisa seus dados biométricos do relógio, observa o ambiente através das câmeras dos óculos, entende sua localização e o contexto da atividade, e fornece orientações personalizadas em tempo real.

Ela poderia avisar quando você está se esforçando demais com base na frequência cardíaca, sugerir uma rota alternativa menos íngreme se detectar que você está fatigado, ou recomendar uma pausa para hidratação com base na temperatura ambiente e no tempo de exercício. Tudo isso de forma proativa, sem que você precise perguntar.

Esse nível de assistência contextual e preditiva é o que a Meta promete que a IA integrada em seus vestíveis poderá entregar. Se a empresa conseguir realizar essa visão de forma convincente, pode ter um argumento poderoso para atrair consumidores mesmo enfrentando concorrentes estabelecidos.

Meta Connect 2026: O Palco do Lançamento

Caso o cronograma se confirme, o lançamento oficial do Malibu 2 deve acontecer durante a Meta Connect, a conferência anual da empresa focada em hardware e software. A Meta Connect tradicionalmente ocorre em setembro, tornando esse o mês mais provável para vermos a apresentação formal do smartwatch.

O evento seria também a oportunidade para a Meta revelar a versão atualizada dos óculos Ray-Ban Display, internamente codinome Hypernova 2. Esses novos óculos devem trazer melhorias na tela, na duração da bateria, nos sensores e possivelmente novos estilos e opções de design.

A Meta Connect também seria o momento de anunciar parcerias com desenvolvedores de aplicativos e serviços de terceiros que suportarão o Malibu 2. Um smartwatch é tão bom quanto o ecossistema de apps disponíveis para ele, e a Meta precisará garantir que aplicativos populares de fitness, saúde, produtividade e comunicação estejam prontos para o lançamento.

Preço Especulado e Estratégia de Posicionamento

Embora não haja informações oficiais sobre preços, podemos fazer algumas especulações com base em como a Meta precificou outros produtos e na necessidade de competir no mercado de smartwatches.

Os óculos Ray-Ban Display com a Neural Band incluída custam 799 dólares, aproximadamente R$ 4.574 na conversão direta. Esse é um preço premium que coloca o produto na mesma faixa que o Apple Watch Series 10 e abaixo do Apple Watch Ultra 2.

Para o Malibu 2, a Meta provavelmente visará uma faixa de preço entre 399 e 599 dólares, ou seja, cerca de R$ 2.285 a R$ 3.429. Isso posicionaria o smartwatch como uma opção competitiva contra o Apple Watch SE e os modelos padrão do Galaxy Watch, sem tentar competir diretamente com os modelos Ultra mais caros.

Um preço mais agressivo abaixo de 400 dólares poderia ajudar a Meta a ganhar campo no mercado rapidamente, especialmente considerando que a marca não tem o mesmo reconhecimento e a confiança que a Apple e a Samsung quando o assunto é hardware de consumo. Por outro lado, a empresa precisa evitar a armadilha de ser vista como uma opção barata ou inferior.

A estratégia mais provável é posicionar o Malibu 2 como produto premium de valor, oferecendo recursos comparáveis aos concorrentes estabelecidos mas com diferenciais únicos como a compatibilidade multiplataforma, integração profunda com a Meta AI e o controle dos óculos inteligentes, tudo a um preço ligeiramente mais acessível.

Autonomia de Bateria: O Eterno Desafio dos Smartwatches

Um dos aspectos mais críticos e difíceis de acertar em qualquer smartwatch é a autonomia da bateria. Os usuários querem dispositivos que rastreiem suas atividades 24 horas por dia, monitorem o sono à noite, tenham telas sempre ativas e respondam instantaneamente a comandos, mas também esperam que a bateria dure pelo menos um dia completo sem precisar de recarga.

A Meta Neural Band consegue até 18 horas de autonomia, o que é razoável para um dispositivo focado exclusivamente em controle por gestos. Porém, um smartwatch completo com tela, GPS, sensores de saúde ativos constantemente e processamento de IA será muito mais exigente em termos de energia.

O Apple Watch Series 10 entrega cerca de 18 horas de uso misto, enquanto o Galaxy Watch 7 alcança aproximadamente 30 horas dependendo do uso. Os Smartwatches da Garmin focados em esportes podem durar uma semana ou mais graças a telas menos exigentes e otimização extrema de software.

Para o Malibu 2, a expectativa seria a autonomia de um dia completo com uso normal, estendendo para dois dias com uso mais leve e recursos para economizar a energia ativados. Conseguir mais do que isso seria um diferencial impressionante, mas provavelmente exigiria compromissos em outras áreas como tamanho da tela ou potência de processamento.

Recursos de Saúde: Além do Básico

Monitoramento de saúde é a funcionalidade mais importante de qualquer smartwatch moderno, e o Malibu 2 precisará entregar recursos robustos nessa área para ser levado a sério.

Os sensores básicos esperados incluem monitor de frequência cardíaca contínuo, oxímetro de pulso para saturação de oxigênio no sangue, acelerômetro e giroscópio para detecção de movimentos e quedas, e sensor de temperatura da pele. Esses são padrão da indústria e qualquer smartwatch competitivo precisa tê-los.

Onde as coisas ficam interessantes é nos recursos avançados. Será que a Meta incluirá sensor de ECG para eletrocardiograma, permitindo detectar fibrilação atrial e outras arritmias cardíacas como o Apple Watch faz?

Terá medição de pressão arterial como alguns modelos da Samsung? Conseguirá estimar níveis de glicose no sangue de forma não invasiva, algo que muitas empresas têm tentado mas nenhuma ainda conseguiu fazer de forma confiável?

O diferencial pode estar na análise e insights fornecidos pela Meta AI com base nos dados coletados. Em vez de apenas mostrar números e gráficos, a assistente poderia interpretar padrões, identificar tendências preocupantes, sugerir mudanças de hábitos e fornecer orientações personalizadas baseadas no seu histórico específico e objetivos de saúde.

Recursos como detecção automática de exercícios, rastreamento de sono com análise de fases, monitoramento de estresse através da variabilidade da frequência cardíaca e lembretes para se mover quando você fica muito tempo parado devem estar presentes.

Privacidade e Segurança de Dados de Saúde

Um smartwatch coleta alguns dos dados mais íntimos e sensíveis sobre você: frequência cardíaca, padrões de sono, localização GPS dos seus treinos, calorias queimadas, níveis de estresse. São informações que revelam muito sobre seu estilo de vida, condição física e até estado emocional.

A Meta não tem exatamente uma reputação estelar quando o assunto é privacidade de dados, tendo enfrentado múltiplos escândalos e investigações regulatórias ao longo dos anos relacionados à forma como coleta, usa e compartilha informações pessoais dos usuários.

Para ter sucesso com o Malibu 2, a empresa precisará abordar essas preocupações de forma transparente e convincente. Isso significa comunicar claramente quais dados são coletados, como são usados, com quem podem ser compartilhados e dar aos usuários controle granular sobre suas informações.

Idealmente, a Meta implementaria criptografia de ponta a ponta para todos os dados de saúde, processamento local no dispositivo sempre que possível para minimizar o envio de informações para servidores externos, e políticas claras garantindo que dados de saúde nunca serão usados para publicidade direcionada ou vendidos a terceiros.

A empresa precisará provavelmente submeter o Malibu 2 a certificações de segurança e privacidade de terceiros, obter aprovação de agências reguladoras de saúde como a FDA nos Estados Unidos e a Anvisa no Brasil, e construir credibilidade ao longo do tempo demonstrando compromisso com a proteção dos dados pessoais.

Design e Estética: Aprendendo com os Erros do Passado

O protótipo vazado em 2022 com três câmeras era, sendo honesto, estranho. Parecia mais um dispositivo experimental de laboratório do que um produto de consumo que alguém realmente usaria no dia a dia.

Para o Malibu 2 ter chance no mercado, ele precisa ser bonito. As pessoas usam smartwatches como acessórios de moda tanto quanto ferramentas tecnológicas. O design tem que funcionar tanto com roupas esportivas na academia quanto com traje social em um jantar.

A Meta demonstrou com os óculos Ray-Ban que aprendeu essa lição. Ao invés de criar óculos que parecem dispositivos tecnológicos óbvios, a empresa fez parceria com uma marca icônica de design e criou produtos que são, antes de tudo, bonitos óculos que por acaso têm a tecnologia embutida.

O mesmo princípio deveria se aplicar ao smartwatch. Múltiplas opções de tamanho de tela, materiais de caixa como alumínio e aço inoxidável, variedade de cores e acabamentos, pulseiras intercambiáveis para diferentes ocasiões, e atenção aos detalhes de design que fazem a diferença.

A interface de usuário também é uma parte importante da estética. Telas sempre ativas com mostradores de relógio personalizáveis, animações suaves e fluidas, tipografia legível, e um sistema de design visual consistente com o resto do ecossistema Meta.

Conectividade e Compatibilidade: O Diferencial da Multiplataforma

Se há um diferencial genuíno que o Malibu 2 pode oferecer sobre a concorrência é a compatibilidade verdadeira com a multiplataforma. O Apple Watch funciona apenas com iPhone. Os Galaxy Watch mais novos têm funcionalidades reduzidas quando pareados com smartphones que não sejam Galaxy. Mesmo os Pixel Watch do Google, embora teoricamente compatíveis com qualquer Android, funcionam melhor com smartphones Pixel.

Um smartwatch da Meta que oferecesse exatamente a mesma experiência completa independentemente de você ter um iPhone, um Galaxy, um Pixel ou qualquer outro smartphone seria revolucionário. Você poderia trocar de telefone sem precisar trocar de relógio. Famílias com a mistura de ecossistemas poderiam todas usar o mesmo modelo de smartwatch.

Claro que implementar isso na prática é desafiador. iOS e Android têm APIs diferentes, permissões diferentes, restrições diferentes. A Meta teria que desenvolver aplicativos nativos robustos para ambas as plataformas e garantir a paridade de recursos entre elas.

Mas se a empresa conseguir entregar essa promessa de forma convincente, teria um argumento de venda poderoso que nenhum outro fabricante de smartwatches pode fazer no momento.

O Mercado Brasileiro e Perspectivas de Lançamento Local

Para os leitores Brasileiros interessados no Malibu 2, a pergunta inevitável é: quando o Smartwatch chegará ao Brasil e quanto vai custar por aqui?

A Meta tem expandido sua presença no mercado brasileiro nos últimos anos, mas ainda de forma seletiva. Os óculos Ray-Ban Meta tradicionais foram lançados no Brasil com preços a partir de R$ 2.799. Os Ray-Ban Display com Neural Band ainda não têm previsão de lançamento oficial no país.

Considerando esse histórico, é provável que o Malibu 2 chegue ao Brasil alguns meses depois do lançamento nos Estados Unidos e em mercados prioritários como Reino Unido, Alemanha e Japão. Uma estimativa razoável seria início de 2027 para disponibilidade no mercado brasileiro.

Quanto aos preços, infelizmente os produtos eletrônicos importados sempre chegam ao Brasil com valores significativamente mais altos do que a conversão direta pode sugerir, devido a impostos de importação, custos logísticos e margens de distribuição. Se o Malibu 2 custar 499 dólares nos Estados Unidos, podemos esperar preços entre R$ 4.000 e R$ 5.500 no lançamento brasileiro.

Haverá também a questão da garantia e suporte local. A Meta precisará estabelecer canais de atendimento ao consumidor e pontos de assistência técnica autorizados para lidar com reparos e trocas, algo que nem sempre é uma prioridade para empresas americanas focadas primariamente no mercado doméstico.

Vale a Pena Ficar de Olho

O smartwatch Malibu 2 da Meta é um projeto ambicioso que enfrenta desafios monumentais, mas também oferece possibilidades intrigantes se a empresa conseguir executar bem.

A combinação de monitoramento de saúde, integração profunda com Meta AI, controle dos óculos inteligentes por gestos, compatibilidade multiplataforma e um ecossistema vestível completo é uma proposta única no mercado. Nenhum outro fabricante está tentando fazer exatamente o que a Meta está fazendo.

Por outro lado, a empresa está chegando tarde em um mercado dominado por concorrentes estabelecidos, enfrenta desconfiança pública em relação à privacidade, e terá que provar que pode criar um hardware de consumo de qualidade além dos headsets de realidade virtual.

O histórico recente da Meta com os óculos Ray-Ban é encorajador. Os óculos foram um sucesso comercial que vendeu milhões de unidades e demonstrou que a empresa pode criar produtos vestíveis que as pessoas realmente querem usar.

Vamos acompanhar os próximos meses com atenção. A Meta Connect em setembro de 2026 promete ser um evento interessante, e finalmente teremos respostas concretas sobre especificações, preços, disponibilidade e se o Malibu 2 realmente tem o que é preciso para competir no disputado mercado de smartwatches.

A corrida pela computação ambiente está apenas começando, e os próximos anos vão definir que empresas conseguirão conquistar nossos pulsos, ouvidos e olhos. Vamos ver se a empresa consegue transformar a ambição em realidade desta vez.

Foto de Rodrigo dos Anjos

Rodrigo dos Anjos

Rodrigo é redator do ClicaTech e formado em Ciências da Computação com Especialização em Segurança da Informação. Amante declarado da tecnologia, dedica-se não apenas a acompanhar as tendências do setor, mas também a compreender, aplicar, proteger e explorar soluções que unam inovação, segurança e eficiência.

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Conteúdo elaborado e revisado pela redação do ClicaTech.  Pode conter tradução com auxílio de Inteligência Artificial.

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