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Ubuntu 26.10 “Stonking Stingray”: a Instalação Simplificada que Prepara o Terreno Para o Futuro do Linux

Ubuntu 26.10

Toda vez que uma nova versão do Ubuntu se aproxima, existe uma tentação de tratá-la como apenas mais um número na sequência. Mas o Ubuntu 26.10, batizado de “Stonking Stingray” (algo como “Arraia Imponente”, em tradução livre), tem um papel que vai além do calendário semestral da Canonical, a empresa britânica responsável pela distribuição Linux mais usada em desktops do mundo.

O Ubuntu 26.10 está em desenvolvimento, com lançamento programado para outubro de 2026. Diferente das versões de suporte estendido (LTS, do inglês “Long Term Support”), que recebem cinco anos de atualizações de segurança, o 26.10 é uma versão interina: vai receber apenas nove meses de suporte. Mas é justamente nessa categoria de lançamento que a Canonical costuma testar as ideias mais ousadas antes de consolidá-las na próxima versão de longo prazo.

Canonical revelou o codinome do Ubuntu 26.10 em 20 de abril de 2026: oficialmente “Stonking Stingray”. Segundo o cronograma da empresa, o lançamento está previsto para 15 de outubro de 2026.

O que é uma versão interina (interim release) do Ubuntu? É uma versão lançada a cada seis meses entre as edições de suporte estendido (LTS). As versões interinas oferecem acesso aos kernels, linguagens e ferramentas mais recentes, com nove meses de atualizações, voltadas para usuários e equipes que querem testar tecnologias novas rapidamente. Já as versões LTS, lançadas a cada dois anos, priorizam estabilidade e recebem cinco anos de manutenção de segurança padrão, sendo a escolha recomendada para ambientes de produção.

Os lançamentos interinos do Ubuntu funcionam como um testbed, ou seja, um ambiente de testes, para tecnologias que a Canonical pretende consolidar na próxima versão LTS, que neste caso será o Ubuntu 28.04. Entender o 26.10 é, portanto, entender o rascunho do que o Ubuntu vai se tornar dali a dois anos.

O Cronograma Oficial: Datas que Você Precisa Saber

Antes de entrar nos recursos, vale registrar o calendário oficial divulgado pela Canonical, já que ele costuma sofrer pequenos ajustes ao longo do desenvolvimento.

A data mais significativa do cronograma, além do lançamento final, é o congelamento de recursos (feature freeze), marcado para 10 de agosto de 2026. É a partir dessa data que, em teoria, novos recursos param de ser adicionados, para que o foco se concentre em correção de bugs e ajustes finais. O congelamento de interface (UI freeze), um mês depois, é quando a aparência final do sistema, incluindo novas artes e mudanças de tema, precisa estar definida. A versão beta estará disponível para testes públicos em 24 de setembro de 2026.

Marco do CronogramaData
Anúncio do codinome20 de abril de 2026
Congelamento de recursos (Feature Freeze)10 de agosto de 2026
Congelamento de interface (UI Freeze)Início de setembro de 2026
Versão Beta pública24 de setembro de 2026
Lançamento final15 de outubro de 2026
Fim do suporteAproximadamente julho de 2027 (9 meses)

O que é o congelamento de recursos (feature freeze)? É a etapa do desenvolvimento de software em que a equipe para de adicionar novas funcionalidades ao sistema, concentrando o trabalho restante em testes, correção de erros e estabilização do que já foi implementado. É um marco importante porque define, na prática, quais recursos efetivamente farão parte da versão final. Mudanças que não entraram a tempo precisam ser solicitadas como uma exceção formal para serem incluídas depois desse ponto.

GNOME 51 e Kernel Linux 7.2: a Base Técnica da Nova Versão

O Ambiente Gráfico Mais Recente

A base do Ubuntu 26.10 já estava prevista havia meses, e a Canonical confirmou oficialmente o que a comunidade já especulava. A Canonical confirmou que o “Stonking Stingray” trará o ambiente de trabalho GNOME 51 por padrão e a série de kernel Linux 7.2.

O que é o GNOME? O GNOME é o ambiente de trabalho gráfico padrão do Ubuntu, ou seja, o conjunto de interfaces, menus, ícones e aplicativos que o usuário vê e interage diretamente na tela. É um dos ambientes gráficos mais populares do mundo Linux, mantido por uma comunidade independente de desenvolvedores, e recebe uma nova versão numerada a cada seis meses, geralmente em março e setembro.

A equipe da Canonical contribui ativamente com melhorias para o projeto GNOME de forma colaborativa (upstream) enquanto refina a experiência específica do Ubuntu. Parte desse trabalho inclui retroportar (trazer de volta para versões anteriores) correções de estabilidade do GNOME 50.1 para o atual Ubuntu 26.04 LTS, e finalizar a transição do antigo dbus-daemon para o dbus-broker.

O que é o D-Bus e por que a transição para o dbus-broker importa? O D-Bus é o sistema de comunicação entre processos (IPC, do inglês “Inter-Process Communication”) usado pelo Linux para que diferentes programas do sistema “conversem” entre si internamente. É praticamente invisível para o usuário comum, mas é fundamental para a estabilidade, a segurança e o desempenho de todo o ambiente gráfico. O dbus-broker é uma implementação mais moderna desse sistema, desenvolvida com foco em melhor integração com o systemd, o gerenciador de processos do Linux. O Fedora usa o dbus-broker desde 2019, e o Arch Linux adotou a tecnologia em 2024. A mudança é praticamente invisível para o usuário final, mas administradores de sistema vão notar ganhos de confiabilidade e desempenho.

RISC-V: o Salto Mais Significativo Para uma Nova Arquitetura

Entre todos os anúncios sobre o Ubuntu 26.10, um se destaca pela importância técnica de longo prazo: o suporte pleno à arquitetura RISC-V.

O Ubuntu 26.10 está se consolidando como uma versão significativa para o RISC-V, entregando uma experiência completa de desktop Ubuntu em hardware compatível com o perfil RVA23.

O que é RISC-V? RISC-V (pronuncia-se “risc-five”) é uma arquitetura de conjunto de instruções de processador aberta e gratuita, alternativa às arquiteturas proprietárias como a x86 (usada pela Intel e AMD) e a ARM (usada na maioria dos smartphones e em chips como os da Apple e Qualcomm). Por ser aberta, qualquer empresa pode projetar processadores baseados em RISC-V sem pagar royalties de licenciamento, o que tem atraído um interesse crescente da indústria de hardware nos últimos anos, especialmente na Ásia.

O que é o perfil RVA23? É uma especificação técnica dentro do padrão RISC-V que define um conjunto de extensões obrigatórias para processadores dessa arquitetura, incluindo recursos de virtualização (hipervisores) e operações vetoriais, que aceleram cálculos matemáticos complexos. Um processador “compatível com RVA23” garante um nível mínimo de recursos que permite rodar um sistema operacional completo, como o Ubuntu Desktop, com boa compatibilidade de software.

O marco reflete anos de investimento da Canonical nessa arquitetura ainda emergente no mercado de desktops. Entregar paridade completa de funcionalidades no RISC-V posiciona o Ubuntu de forma vantajosa num momento em que plataformas de hardware aberto vêm ganhando espaço, especialmente diante das incertezas geopolíticas que cercam a cadeia de fornecimento global de semicondutores baseados em arquiteturas proprietárias.

Multimídia: GStreamer 1.30 e Plugins Escritos em Rust

Codecs Mais Fáceis de Encontrar e Instalar

Para quem usa o Ubuntu para assistir vídeos, ouvir música ou editar conteúdo multimídia, o 26.10 traz uma atualização relevante no motor que processa áudio e vídeo no sistema.

Em relação ao suporte multimídia, o Ubuntu 26.10 vai trazer o GStreamer 1.30 com novos plugins escritos em Rust. A Canonical também está melhorando a descoberta de codecs e as orientações de instalação para fornecer informações mais claras quando codecs proprietários são necessários.

O que é o GStreamer? É o framework (estrutura de software) responsável por processar áudio e vídeo na maioria dos aplicativos multimídia do Linux, incluindo players de vídeo, editores de áudio e navegadores web. Ele funciona como uma camada intermediária que permite que diferentes programas “leiam” e “escrevam” arquivos de mídia em formatos variados, sem que cada aplicativo precise implementar seu próprio suporte a cada formato.

Por que plugins escritos em Rust são uma boa notícia? O Rust é uma linguagem de programação conhecida por unir alto desempenho, comparável ao C e C++, com garantias muito mais fortes de segurança de memória, prevenindo uma categoria inteira de falhas de software que historicamente causaram vulnerabilidades graves em sistemas operacionais. Reescrever componentes críticos do GStreamer em Rust reduz o risco de bugs de segurança nessas peças do sistema responsáveis por processar arquivos de mídia, que costumam ser um vetor comum de ataques.

O Fim da Caça aos Codecs Proprietários

Um problema histórico do Linux para usuários iniciantes é a confusão em torno dos codecs proprietários: formatos de áudio e vídeo licenciados, como certas variantes do MP3 ou H.264, que não podem ser distribuídos livremente junto com o sistema por questões legais. O Ubuntu 26.10 promete tornar esse processo mais transparente, com orientações mais claras sobre quando e como instalar esses componentes adicionais, em vez de deixar o usuário tentando descobrir sozinho por que um vídeo específico não reproduz.

A Reformulação do App Center: Adeus à Fragmentação de Formatos

Um Centro Único, Independente do Formato de Pacote

Um dos componentes mais visíveis no dia a dia de qualquer usuário do Ubuntu é a central de aplicativos, e ela está passando por uma reformulação relevante.

Outro componente central, o App Center, está se tornando independente do formato de pacote, apresentando aplicativos de forma consistente independentemente do formato de empacotamento. Busca, avaliações, categorias e metadados serão unificados, enquanto usuários que preferem selecionar formatos de pacote específicos manterão essa opção.

O que significa “independente do formato de pacote” (package-agnostic)? No Ubuntu, aplicativos podem ser distribuídos em diferentes formatos: o tradicional .deb, o mais recente Snap (formato próprio da Canonical) e o Flatpak (formato multiplataforma popular em outras distribuições Linux). Até agora, cada formato tinha sua própria forma de aparecer e ser gerenciado na central de aplicativos, o que gerava inconsistência visual e de informações para o usuário. Um App Center “independente do formato de pacote” exibe todos os aplicativos de forma padronizada, com a mesma qualidade de informação (avaliações, descrição, categoria), não importando de qual formato de empacotamento eles vêm por trás.

Gerenciamento de Drivers Mais Claro

O gerenciamento de drivers também está sendo aprimorado, com metadados melhores, apresentação mais clara, ordenação aprimorada e indicadores de maturidade para os drivers disponíveis.

Esse indicador de maturidade é particularmente útil: ele sinaliza ao usuário se um driver é considerado estável e amplamente testado, ou se ainda está em estágio experimental, informação que hoje costuma exigir pesquisa em fóruns para ser descoberta.

A Instalação Simplificada: Construindo a Base do Ubuntu 28.04 LTS

O que Realmente Está Mudando

Aqui está o ponto mais importante para entender corretamente o Ubuntu 26.10, e onde versões anteriores de textos sobre o tema costumam gerar expectativas equivocadas: a reformulação completa do instalador e da experiência de primeiro uso (onboarding) está sendo desenhada durante o ciclo do 26.10, mas seu lançamento pleno está planejado para o Ubuntu 28.04 LTS, não necessariamente para o 26.10 em si.

Ao mesmo tempo, a Canonical está desenvolvendo um processo de instalação simplificado, com padrões mais seguros e fluxos guiados para particionamento e armazenamento. Além disso, uma nova experiência de primeiro uso (first-boot) vai conduzir o usuário por escolhas significativas após o sistema já estar em funcionamento. No entanto, essas mudanças no instalador e no onboarding estão planejadas para o Ubuntu 28.04 LTS, com o trabalho de design acontecendo durante o ciclo de desenvolvimento do 26.10.

Isso significa que o 26.10 é, antes de tudo, o laboratório onde essas ideias de simplificação estão sendo desenhadas e testadas, e não necessariamente onde o usuário final vai encontrar a versão completa e polida do novo instalador. É uma distinção importante: muito do entusiasmo em torno da “instalação simplificada” do Ubuntu se refere ao trabalho fundacional que vai amadurecer na próxima versão de longo prazo.

Jean-Baptiste Lallement, diretor de engenharia da Canonical, publicou o roteiro detalhado do desktop Ubuntu no Fórum da Comunidade Ubuntu, explicando a filosofia por trás dessas mudanças: “Nosso objetivo não é remover funcionalidades avançadas. Nosso objetivo é tornar as tarefas comuns simples, preservando a flexibilidade que os usuários experientes esperam.”

Divulgação Progressiva: o Conceito por Trás da Simplificação

A instalação passa por uma reformulação. A configuração de particionamento e armazenamento perde complexidade desnecessária. Padrões seguros guiam a maioria dos usuários. Fluxos de trabalho guiados substituem menus densos. Opções avançadas aparecem apenas por meio de divulgação progressiva.

O que é divulgação progressiva (progressive disclosure)? É um princípio de design de interfaces que consiste em mostrar inicialmente apenas as opções mais simples e relevantes para a maioria dos usuários, escondendo configurações avançadas atrás de um clique ou menu adicional, em vez de exibir tudo de uma vez. A vantagem é dupla: usuários iniciantes não ficam sobrecarregados com escolhas técnicas que não entendem, enquanto usuários avançados ainda conseguem acessar o controle granular que precisam, sem que ele seja removido do sistema.

Essa filosofia de design responde diretamente a uma crítica histórica e legítima sobre o Linux: a sensação de que o sistema exige conhecimento técnico avançado para tarefas básicas como particionar um disco. A divulgação progressiva tenta resolver isso sem sacrificar o controle que usuários experientes valorizam.

Ubuntu 26.10

Voz Nativa: o Primeiro Passo do Ubuntu em Direção a um Desktop “Ciente de Contexto”

Um dos anúncios mais inesperados do roteiro do Ubuntu 26.10 é a exploração inicial de um recurso de interação por voz totalmente local.

Outra adição interessante planejada é que a Canonical está explorando interação por voz usando um motor de conversão de fala em texto que roda diretamente no dispositivo (on-device), como um método de entrada nativo do desktop.

O que significa um motor de fala em texto “on-device” (no próprio dispositivo)? Significa que o processamento de voz acontece inteiramente no computador do usuário, sem enviar o áudio gravado para servidores externos pela internet. Isso traz duas vantagens importantes: maior privacidade, já que nenhuma gravação de voz sai da máquina, e funcionamento mesmo sem conexão à internet. É uma abordagem mais alinhada à filosofia de software livre e controle do usuário sobre seus próprios dados, em contraste com assistentes de voz baseados em nuvem como os usados em smartphones.

Esse recurso ainda está em fase de exploração e não deve chegar pronto e polido no lançamento de outubro, mas sinaliza a direção de longo prazo da Canonical: um desktop progressivamente mais “ciente de contexto”, capaz de entender comandos e intenções do usuário além do mouse e do teclado tradicionais.

Identidade Corporativa: Integração Avançada com Microsoft

Login Corporativo e Autenticação Multifator

Para o público corporativo e empresas que usam o Ubuntu em ambientes gerenciados, o 26.10 traz avanços relevantes em integração de identidade.

No lado da integração empresarial, o Ubuntu 26.10 vai avançar o desenvolvimento do authd, adicionando autenticação por senha da Microsoft e autenticação multifator, incluindo solicitações de aprovação via Microsoft Authenticator. A Canonical também planeja oferecer suporte para derivar valores de UID e GID diretamente dos atributos do provedor de identidade, mantendo a propriedade e as permissões de arquivos consistentes em sistemas gerenciados.

O que é o authd? É o sistema de autenticação da Canonical para o Ubuntu, responsável por verificar a identidade de usuários ao fazer login no sistema. A expansão do authd para suportar contas corporativas Microsoft, incluindo autenticação multifator (MFA, do inglês “Multi-Factor Authentication”), permite que empresas que usam o ecossistema Microsoft 365 ou Azure Active Directory integrem o login do Ubuntu diretamente às mesmas credenciais corporativas, sem precisar manter sistemas de senha separados.

O que são UID e GID? UID (User Identifier) e GID (Group Identifier) são os números que o Linux usa internamente para identificar usuários e grupos de usuários, respectivamente. Eles determinam quem tem permissão para ler, escrever ou executar cada arquivo no sistema. Em ambientes corporativos com muitos computadores gerenciados centralmente, garantir que esses números sejam consistentes entre diferentes máquinas, derivados diretamente do sistema de identidade da empresa, evita problemas de permissão e simplifica a administração.

Administradores também poderão desabilitar a autenticação por senha local para contas gerenciadas remotamente, reforçando políticas de autenticação por meio do provedor de identidade corporativo. Para empresas de médio e grande porte que avaliam o Ubuntu como alternativa ao Windows em parte de sua frota de computadores, essas melhorias reduzem uma das maiores barreiras de adoção: a complexidade de integrar o login do Linux aos sistemas de identidade já existentes.

GRUB e Segurança: o Debate Sobre Remover Recursos do Bootloader

Nem todas as mudanças propostas para o Ubuntu 26.10 são bem recebidas de forma unânime pela comunidade. Uma proposta em debate gerou controvérsia entre usuários avançados.

Engenheiros do Ubuntu estão debatendo formas de reduzir o número de recursos presentes na versão assinada do GRUB, o carregador de inicialização (bootloader) usado em sistemas com Secure Boot habilitado. A proposta prevê retirar drivers de sistema de arquivos e outros recursos.

O que é o GRUB? O GRUB (GRand Unified Bootloader) é o programa responsável por iniciar o sistema operacional quando o computador é ligado, antes mesmo do Linux propriamente dito carregar. Ele permite, por exemplo, escolher entre múltiplos sistemas operacionais instalados na mesma máquina, ou entre diferentes versões do kernel Linux.

O que é Secure Boot? É um recurso de segurança presente na maioria dos computadores modernos que verifica, durante a inicialização, se o sistema operacional e o bootloader que estão sendo carregados possuem assinaturas digitais confiáveis, impedindo que softwares maliciosos sequestrem o processo de boot antes mesmo do sistema operacional carregar completamente.

A proposta de remover suporte a sistemas de arquivos como btrfs, ZFS e à criptografia LUKS diretamente do GRUB assinado tem como objetivo reduzir a superfície de ataque do bootloader, mas levanta preocupações entre usuários que dependem dessas funcionalidades específicas para configurações avançadas de armazenamento criptografado ou sistemas de arquivos modernos. A discussão ainda está em andamento na comunidade de desenvolvimento, e o resultado final pode variar conforme o feedback recebido até o congelamento de recursos.

O que são btrfs, ZFS e LUKS? btrfs e ZFS são sistemas de arquivos avançados, alternativas ao tradicional ext4, que oferecem recursos como snapshots (cópias do estado do sistema em um momento específico), proteção contra corrupção de dados e gerenciamento de volumes mais sofisticado. LUKS (Linux Unified Key Setup) é o padrão de criptografia de disco mais usado no Linux, que protege o conteúdo do disco rígido com uma senha, tornando os dados ilegíveis sem a chave correta.

Como Escolher o Melhor Ambiente Gráfico no Ubuntu

Embora o GNOME continue sendo o ambiente gráfico padrão do Ubuntu, a distribuição mantém sua tradição de flexibilidade para quem prefere outras interfaces. O ecossistema Ubuntu inclui variantes oficiais, chamadas de “flavours” (sabores), que substituem o GNOME por ambientes alternativos desde a instalação: o Kubuntu usa o KDE Plasma, conhecido por sua alta personalização visual; o Xubuntu usa o XFCE, voltado para quem prioriza leveza e baixo consumo de recursos; e o Lubuntu usa o LXQt, otimizado para hardware mais antigo ou modesto.

Uma mudança relevante nas políticas de lançamento, mencionada no roteiro de desenvolvimento do 26.10, é que essas variantes (flavours) como o Kubuntu e o Ubuntu MATE precisarão obrigatoriamente entregar uma versão beta caso queiram lançar oficialmente junto com o Ubuntu principal. Anteriormente, exceções eram ocasionalmente concedidas quando uma variante não ficava pronta a tempo do marco da versão beta, mas essa flexibilidade deixará de existir.

Para quem prefere trocar de ambiente gráfico depois de já ter o Ubuntu padrão instalado, em vez de usar uma variante oficial desde o início, o gerenciador de pacotes do sistema permite instalar ambientes adicionais como o KDE Plasma ou o XFCE diretamente, sem precisar reinstalar o sistema operacional do zero.

Resumo das Principais Novidades do Ubuntu 26.10

Para reunir tudo num só lugar, esta tabela resume os pilares centrais do que a Canonical confirmou para o lançamento de outubro de 2026:

ÁreaNovidade Principal
Ambiente gráficoGNOME 51 com kernel Linux 7.2
Arquitetura de hardwareSuporte completo a RISC-V (perfil RVA23)
MultimídiaGStreamer 1.30 com plugins em Rust
Central de aplicativosApp Center independente de formato de pacote (deb, Snap, Flatpak)
DriversGerenciamento com indicadores de maturidade e melhor organização
InstalaçãoDesign simplificado em desenvolvimento (foco real: Ubuntu 28.04 LTS)
VozExploração inicial de fala em texto local (on-device)
Identidade corporativaLogin Microsoft com MFA via authd
Segurança do bootDebate sobre simplificação do GRUB assinado

O que Isso Significa Para Quem Está Pensando em Migrar Para o Ubuntu

Para quem considera trocar de sistema operacional, especialmente vindo do Windows ou do macOS, é importante posicionar corretamente as expectativas em relação ao Ubuntu 26.10.

Por ser uma versão interina, com apenas nove meses de suporte, o 26.10 não é a recomendação ideal para quem busca estabilidade de longo prazo num computador principal de trabalho. Para esse perfil de usuário, a recomendação mais segura continua sendo a versão LTS mais recente, atualmente o Ubuntu 26.04 “Resolute Raccoon”, lançado em abril de 2026 com suporte garantido até 2031.

O Ubuntu 26.10 é mais indicado para entusiastas, desenvolvedores que querem testar tecnologias de ponta e usuários curiosos sobre o que vem por aí na próxima versão de longo prazo. Quem instala uma versão interina deve estar preparado para atualizar novamente em poucos meses, já que o suporte termina relativamente rápido.

Antes de qualquer migração ou atualização de versão, vale sempre conferir a compatibilidade do hardware com a nova versão e fazer um backup completo dos dados importantes. Mudanças estruturais no sistema, como as alterações no GRUB ainda em debate, reforçam a importância dessa precaução básica antes de atualizar qualquer máquina de produção.

O Ubuntu Está Construindo Algo Maior do que o 26.10

Olhando para o conjunto de anúncios sobre o Ubuntu 26.10, fica claro que essa versão específica não deve ser avaliada isoladamente. Ela é, antes de tudo, o terreno de testes onde a Canonical está moldando a identidade do Ubuntu 28.04 LTS, a próxima grande versão de longo prazo que vai definir a experiência de milhões de usuários pelos próximos cinco anos.

O suporte pleno ao RISC-V, a reformulação do App Center, os avanços em integração corporativa com Microsoft e os primeiros passos em direção a uma interação por voz nativa e local mostram uma Canonical pensando além do ciclo semestral imediato. Ao mesmo tempo, debates como o da remoção de recursos do GRUB lembram que nenhuma dessas decisões acontece sem tensão entre simplicidade para o usuário comum e flexibilidade para quem domina o sistema em profundidade.

Para o usuário final que só quer um sistema operacional funcional e atualizado, o conselho prático permanece simples: se você prioriza estabilidade, espere pelo Ubuntu 28.04 LTS ou continue na atual versão LTS 26.04. Se você gosta de acompanhar de perto a evolução do Linux e não se importa em atualizar com mais frequência, o Ubuntu 26.10, disponível a partir de 15 de outubro de 2026, é uma janela privilegiada para ver o futuro da distribuição sendo construído em tempo real.

Quer continuar acompanhando as últimas novidades do mundo Linux e do universo open source? Fique de olho no nosso blog para não perder nenhuma atualização sobre o Ubuntu e o ecossistema de código aberto.

Foto de Rodrigo dos Anjos

Rodrigo dos Anjos

Rodrigo é redator do ClicaTech e formado em Ciências da Computação com Especialização em Segurança da Informação. Amante declarado da tecnologia, dedica-se não apenas a acompanhar as tendências do setor, mas também a compreender, aplicar, proteger e explorar soluções que unam inovação, segurança e eficiência.

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Conteúdo elaborado e revisado pela redação do ClicaTech.  Pode conter edição e criação de imagens construídas com o auxílio de Inteligência Artificial.