Um Bilhão de Registros Expostos: O Vazamento de Dados que colocou 39 Milhões de Brasileiros em Risco

Descubra como seus dados pessoais podem ter sido expostos em um dos maiores vazamentos e o que fazer agora para proteger sua identidade digital

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Você já parou para pensar quantas empresas têm acesso aos seus dados pessoais neste exato momento? Provavelmente mais do que você imagina. E quando uma dessas empresas falha na proteção dessas informações, o resultado pode ser devastador.

Foi exatamente isso que aconteceu recentemente quando a equipe de pesquisadores do Cybernews descobriu algo assustador: um banco de dados contendo um Bilhão de Registros Expostos, registros pessoais completamente desprotegido na internet.

Isso mesmo que você leu. Um bilhão. Para colocar em perspectiva, é como se os dados de uma em cada oito pessoas no planeta estivessem ali, disponíveis para qualquer um que soubesse onde procurar. E o mais preocupante: O Vazamento de Dados colocou 39 Milhões de Brasileiros em risco.

Mas calma, respire fundo. Este não foi um ataque hacker tradicional, onde criminosos invadem sistemas e roubam informações. Foi algo que, de certa forma, é até mais alarmante: uma falha de segurança básica que deixou todos esses dados expostos sem qualquer proteção, como se alguém tivesse simplesmente esquecido de trancar a porta de um cofre gigantesco.

Neste artigo, vou explicar exatamente o que aconteceu, quais países foram mais afetados, que tipo de informação foi exposta e, principalmente, o que você pode fazer agora mesmo para se proteger das consequências desse vazamento. Porque, acredite, mesmo que você não tenha feito nada de errado, seus dados podem estar em risco.

O que Aconteceu Afinal? Entendendo a Diferença entre Vazamento e Violação de Dados

Antes de mergulharmos nos detalhes desse caso específico, é importante entender uma distinção fundamental que muita gente confunde: a diferença entre vazamento de dados e violação de dados.

Quando falamos em violação de dados, estamos nos referindo a um ataque deliberado. Hackers invadem sistemas, quebram barreiras de segurança e roubam informações. É como se os criminosos arrombassem a porta de um banco.

Já um vazamento de dados é diferente. Nesse caso, as informações ficam expostas acidentalmente, geralmente por erro humano ou falha de configuração. É como se o gerente do banco deixasse o cofre aberto durante a noite.

E foi exatamente isso que aconteceu aqui. No dia 11 de novembro de 2025, pesquisadores de segurança do Cybernews, um veículo especializado em notícias sobre segurança digital, estavam fazendo o que costumam fazer regularmente: vasculhar a internet em busca de bancos de dados expostos. E nessa busca, eles encontraram um tesouro perigoso.

Um banco de dados gigantesco, contendo nada menos que um terabyte de informações pessoais de usuários de 26 países, estava completamente desprotegido. Sem senha, sem criptografia, sem absolutamente nenhuma barreira de segurança. Qualquer pessoa com conhecimento técnico mínimo poderia acessar, visualizar e baixar todas essas informações.

A boa notícia é que o Cybernews agiu rapidamente. Assim que identificaram o problema, contataram imediatamente a empresa responsável, que então protegeu o banco de dados. Mas aqui está o grande problema: ninguém sabe exatamente por quanto tempo esses dados ficaram expostos antes de serem descobertos e protegidos.

A Empresa por trás do Vazamento: Quem é a IDMerit?

Um Bilhão de Registros Expostos, Um Bilhão de Registros Expostos: O Vazamento de Dados que colocou 39 Milhões de Brasileiros em Risco
(Imagem Crédito/Getty Images)

Baseado nas investigações do Cybernews, tudo indica que esse banco de dados pertence à IDMerit, uma empresa que provavelmente você nunca ouviu falar, mas que pode ter seus dados em seus sistemas. A IDMerit é uma provedora de soluções de verificação de identidade digital.

Mas o que isso significa na prática? Sabe quando você cria uma conta em um aplicativo de banco digital e precisa enviar fotos do seu documento, fazer uma selfie ou confirmar seu número de telefone? Muitas vezes, quem está fazendo essa verificação nos bastidores não é o próprio banco, mas sim empresas especializadas como a IDMerit.

Essas empresas atuam como intermediárias, oferecendo serviços de verificação de identidade para outras organizações. Bancos, fintechs, aplicativos de investimento, plataformas de criptomoedas e diversos outros serviços contratam essas soluções para garantir que você é realmente quem diz ser.

O problema é que, para fazer esse trabalho, essas empresas precisam coletar e armazenar uma quantidade enorme de dados pessoais sensíveis. E quando a segurança desses dados falha, o impacto é catastrófico, porque não afeta apenas os clientes diretos que contrataram a empresa responsável, mas todos os usuários dos serviços desses clientes, por exemplo um Banco.

É como se você confiasse sua chave para o porteiro do prédio, e o porteiro deixasse todas as chaves de todos os apartamentos em uma mesa na calçada. Você confiou em uma empresa, mas quem falhou foi o intermediário que você nem sabia que existia.

Os Números Assustadores: Quem foi Afetado e em que escala?

Quando falamos em um bilhão de registros, pode ser difícil dimensionar o tamanho real desse problema. Vamos aos números concretos para entender melhor a magnitude do que estamos falando.

Os Estados Unidos lideram a lista de países afetados, com impressionantes 204 milhões de registros expostos. Isso representa mais da metade da população americana. Logo atrás vem o México, com 123 milhões de registros comprometidos, seguido pelas Filipinas com 72 milhões.

A Europa também foi duramente atingida. A Alemanha teve 60 milhões de registros expostos, a Itália 53 milhões, a França 52 milhões e a Espanha 31 milhões. Quando somamos apenas esses países europeus, estamos falando de quase 200 milhões de pessoas potencialmente afetadas no continente.

E o Brasil? Nosso país aparece na oitava posição desse ranking preocupante, com 39 milhões de registros expostos. Para ser mais claro, isso representa cerca de 18% da população brasileira. Ou seja, quase uma em cada seis pessoas no Brasil pode ter tido suas informações pessoais expostas nesse vazamento.

Outros países da América Latina também foram significativamente afetados. A Argentina teve 20 milhões de registros expostos, a Colômbia 18 milhões e o Peru 14 milhões. No total, apenas considerando Brasil, México, Argentina, Colômbia e Peru, estamos falando de mais de 214 milhões de latino-americanos potencialmente em risco.

Países da Ásia como Malásia (24 milhões), Vietnã (21 milhões), China (8 milhões) e Hong Kong (8 milhões) também foram afetados, assim como nações do Oriente Médio, como Turquia (49 milhões), Emirados Árabes Unidos (6 milhões) e Iêmen (2 milhões).

Até países geralmente associados a altos padrões de segurança digital não escaparam. O Canadá teve 12 milhões de registros expostos, a Austrália também 12 milhões, e a Noruega 4 milhões.

No total, 26 países foram afetados, mostrando a escala verdadeiramente global desse vazamento. E cada um desses números representa pessoas reais, com vidas reais, que agora podem estar vulneráveis a uma série de ameaças digitais.

Que Tipo de Informação foi Exposta? Os Dados que os Criminosos Adoram

Aqui está onde a situação fica realmente preocupante. Não estamos falando apenas de endereços de e-mail ou números de telefone. O banco de dados exposto continha uma verdadeira mina de ouro de informações pessoais sensíveis.

Entre os dados expostos estavam nomes completos, endereços residenciais completos e códigos postais. Isso já seria suficiente para preocupar, mas a lista continua. Datas de nascimento também foram expostas, uma informação que muitos sistemas de segurança ainda usam como forma de verificação.

Documentos de identidade nacionais, incluindo provavelmente CPFs no caso dos brasileiros, também estavam no banco de dados. Números de telefone, informações sobre gênero e endereços de e-mail completam o pacote básico de dados pessoais que qualquer criminoso adoraria ter em mãos.

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Mas há mais. O banco de dados também continha metadados de telecomunicações. Metadados são informações sobre as comunicações, não necessariamente o conteúdo delas. Por exemplo, com quem você se comunica, quando e por quanto tempo, mesmo que o conteúdo das conversas em si não esteja incluído.

Ainda mais intrigante é a presença de informações sobre status de violação e anotações do perfil social. Isso sugere que o banco de dados pode ter informações sobre violações anteriores que afetaram esses usuários, além de notas ou observações sobre seus perfis em redes sociais.

E aqui está um detalhe técnico que torna tudo ainda pior: todos esses dados estavam estruturados. O que isso significa? Em termos simples, imagine a diferença entre ter um monte de papéis jogados aleatoriamente em uma sala e ter esses mesmos papéis organizados alfabeticamente em arquivos etiquetados. Dados estruturados são organizados de forma que podem ser facilmente pesquisados, filtrados e utilizados.

Para um criminoso, isso é o cenário perfeito. Eles não precisam gastar tempo organizando ou processando as informações. Tudo já está pronto para ser usado em ataques direcionados, golpes personalizados ou até mesmo vendido em mercados ilegais na dark web, aquela parte obscura da internet onde acontecem transações ilícitas.

Os Perigos Reais: Como Seus Dados Expostos podem ser usados contra Você?

Um Bilhão de Registros Expostos, Um Bilhão de Registros Expostos: O Vazamento de Dados que colocou 39 Milhões de Brasileiros em Risco
(Imagem Crédito/ Shutterstock)

Agora que você sabe quais informações foram expostas, vamos falar sobre o que realmente importa: como criminosos podem usar esses dados contra você. E acredite, as possibilidades são numerosas e preocupantes.

O primeiro e mais comum risco é o phishing direcionado, também conhecido como spear phishing. Phishing é aquela técnica onde criminosos enviam mensagens falsas fingindo ser de empresas legítimas para roubar suas informações. A versão direcionada é ainda mais perigosa porque os criminosos usam dados reais sobre você para tornar a mensagem mais convincente.

Imagine receber um e-mail que menciona seu nome completo, seu endereço, e faz referência a um serviço que você realmente usa. A mensagem diz que houve uma tentativa de acesso suspeito à sua conta e pede que você clique em um link para verificar seus dados. Com tantas informações corretas sobre você, seria talvez mais fácil cair nesse golpe, não seria?

Outro risco sério é a apropriação de contas, um ataque onde criminosos tentam acessar suas contas existentes usando as informações vazadas. Muitas pessoas ainda usam informações pessoais como data de nascimento ou endereço em suas senhas ou como respostas para perguntas de segurança. Com esses dados em mãos, um atacante tem muito mais chances de sucesso.

A fraude de cartão de crédito também se torna mais fácil. Criminosos podem usar suas informações pessoais para solicitar cartões de crédito em seu nome ou para passar por verificações de identidade quando fazem compras fraudulentas. Afinal, eles sabem seu nome completo, endereço, data de nascimento e outros dados que empresas frequentemente pedem para confirmar a identidade.

Há também a troca de SIM card, um golpe particularmente insidioso. Nele, o criminoso usa suas informações pessoais para convencer sua operadora de telefonia a transferir seu número para um novo chip que está com ele. Uma vez que eles controlam seu número de telefone, podem receber códigos de verificação por SMS, resetar senhas e acessar diversas contas suas.

E o risco mais grave de todos: o roubo completo de identidade. Com tantas informações pessoais em mãos, um criminoso pode literalmente se passar por você. Abrir contas bancárias, fazer empréstimos, firmar contratos, tudo em seu nome. E você só descobre quando começam a chegar cobranças ou quando tenta fazer algo e descobre que seu nome está sujo.

Como saber se seus Dados foram expostos?

Uma das perguntas mais frequentes após notícias de vazamentos como essa é: como posso saber se meus dados estavam nesse banco de dados específico? Infelizmente, nem sempre é fácil obter essa resposta.

Em alguns casos de violação de dados, as empresas afetadas são obrigadas por lei a notificar os usuários cujos dados foram comprometidos. Você pode receber uma carta pelo correio ou um e-mail oficial informando sobre o incidente e oferecendo, às vezes, acesso gratuito a serviços de monitoramento de crédito ou proteção contra roubo de identidade.

No entanto, neste caso específico, por se tratar de um vazamento em uma empresa de verificação de identidade que atua nos bastidores, a situação é mais complicada. Você pode nem saber que seus dados estavam nos sistemas da IDMerit, porque você nunca interagiu diretamente com eles. Foram outras empresas que você usa que contrataram os serviços deles.

Existem algumas ferramentas online que podem ajudar. Sites como o Have I Been Pwned (https://haveibeenpwned.com/) e do Avast (https://www.avast.com/hackcheck#pc) que permitem que você insira seu e-mail para verificar se ele aparece em vazamentos de dados conhecidos. No entanto, esse serviço específico pode não ter informações sobre este vazamento particular, especialmente se os dados ainda não foram amplamente circulados.

Outras opções envolvem a verificação de CPFs, como no caso do Registrato do Banco Central (https://www.bcb.gov.br/meubc/registrato), onde guarda as informações da vida financeira, do e-mail e do telefone, como no caso do Cybernews (https://cybernews.com/personal-data-leak-check/)

Outra opção é a consulta ao Serasa, que mostra se há dívidas no CPF e o score de crédito (https://www.serasa.com.br/premium/darkweb/). Em ambos os casos a consulta pode ser realizada de forma gratuita.

Outra opção é ficar atento a comunicações das empresas e serviços que você usa. Se algum deles utilizava os serviços da IDMerit, eles podem eventualmente enviar notificações aos usuários. Bancos digitais, fintechs, aplicativos de investimento e plataformas que exigem verificação de identidade são prováveis candidatos.

Independentemente de saber com certeza se seus dados estavam nesse vazamento específico, a verdade é que todos nós estamos em risco constante. Vazamentos e violações de dados acontecem com frequência alarmante. Portanto, o melhor a fazer é agir preventivamente, assumindo que suas informações podem estar comprometidas e tomando as medidas de proteção.

Proteção Imediata: O que fazer agora mesmo?

Se você chegou até aqui, provavelmente está se perguntando qual é o próximo passo na prática. O que você pode fazer hoje, agora mesmo, para se proteger? Vamos às ações concretas.

1- A primeira e mais importante medida é ativar a autenticação de dois fatores em todas as suas contas importantes. Também conhecida como verificação em duas etapas, essa funcionalidade adiciona uma camada extra de segurança. Mesmo que alguém descubra sua senha, ainda precisará de um segundo código, geralmente enviado para seu celular, mas o mais recomendado é utilizar um aplicativo que possua um token de números, para acessar a sua conta.

Priorize ativar isso em suas contas de e-mail (especialmente o e-mail principal), bancos, aplicativos financeiros, redes sociais e qualquer serviço que contenha informações sensíveis e a opção de verificação em duas etapas. A maioria dos serviços importantes já oferece essa opção nas configurações de segurança.

2- Em segundo lugar, revise e atualize suas senhas. Eu sei, eu sei, todo mundo fala isso e parece cansativo. Mas é fundamental. E não estou falando apenas de mudar para uma senha mais complexa. Estou falando de usar senhas únicas e diferentes para cada serviço importante.

Por quê? Porque se sua senha for exposta em um vazamento e você usa a mesma senha em vários lugares, criminosos tentarão usar aquela senha em outros serviços. É o que chamamos de ataque de credencial stuffing. Use um gerenciador de senhas se quiser facilitar sua vida nesse processo.

3- Terceiro ponto importante: fique extremamente atento a comunicações suspeitas. Nos próximos meses, esteja especialmente vigilante com e-mails, mensagens de texto e ligações telefônicas. Criminosos que obtiveram acesso a esses dados vazados provavelmente tentarão explorá-los através de ataques de phishing.

Desconfie de mensagens urgentes pedindo que você clique em links ou forneça informações pessoais, mesmo que pareçam vir de empresas legítimas. Quando em dúvida, não clique em links. Em vez disso, abra seu navegador e digite você mesmo o endereço do site da empresa para verificar se realmente há algum problema com sua conta. Verifique diretamente em seu aplicativo bancário ou no site oficial da empresa e não por meio de opções de terceiros.

4- Outra medida importante é monitorar suas contas bancárias e extratos de cartão de crédito com mais frequência do que o habitual. Procure por transações suspeitas, por menores que sejam. Criminosos às vezes testam cartões roubados com pequenas compras antes de fazer transações maiores. Caso não use frequentemente o seu cartão, considere bloqueá-lo temporariamente pelo aplicativo.

Proteção Digital no Longo Prazo: Construindo Sua Fortaleza Pessoal

Além das medidas imediatas, é essencial adotar hábitos de segurança digital que vão protegê-lo não apenas desse vazamento específico, mas de ameaças futuras. Vamos falar sobre como construir uma verdadeira fortaleza digital ao redor de suas informações pessoais.

1- Comece mantendo seu software sempre atualizado. Isso inclui o sistema operacional do seu computador, seu navegador, aplicativos de celular e especialmente seu software antivírus. Atualizações não são apenas sobre novos recursos. Na maioria das vezes, elas corrigem vulnerabilidades de segurança que criminosos poderiam explorar.

Falando em antivírus, se você ainda não tem um bom programa de proteção instalado, esse é o momento de investir nisso. Não precisa ser o mais caro do mercado, mas precisa ser de uma empresa confiável e estar sempre ativo. E isso vale tanto para computadores Windows quanto para Macs. A ideia de que Macs não pegam vírus é um mito perigoso. Eu recomendo a Kaspersky. Você pode comprar o antivírus, incluindo o gerenciador de senhas

2- Desenvolva o hábito de revisar regularmente as permissões que você concedeu a aplicativos e serviços. Aquele aplicativo de edição de fotos que você instalou há dois anos realmente precisa ter acesso aos seus contatos, localização e câmera o tempo todo? Provavelmente não. Entre nas configurações do seu celular e computador e limite as permissões ao mínimo necessário.

3- Seja extremamente criterioso sobre quais informações pessoais você compartilha online. Antes de preencher um formulário ou criar uma conta em um novo serviço, pergunte-se: essa empresa realmente precisa dessas informações? Muitas vezes fornecemos dados desnecessários simplesmente porque o formulário pede, mas nem sempre isso é obrigatório.

4- Considere usar e-mails diferentes para propósitos diferentes. Você pode ter um e-mail principal para comunicações importantes como banco e trabalho, outro para cadastros em lojas online e um terceiro para serviços menos importantes. Assim, se um desses e-mails for comprometido, o impacto é mais limitado.

5- E aqui está uma dica que poucos seguem mas que pode fazer uma enorme diferença: congele seu crédito nas principais agências de proteção ao crédito. No Brasil, você pode fazer isso através do Cadastro Positivo. Isso não afeta seu score de crédito, mas impede que terceiros abram contas ou façam empréstimos em seu nome sem que você desbloqueie primeiro.

O Papel das Empresas: Por que isso continua acontecendo?

Você pode estar se perguntando: se vazamentos como esse são tão graves e perigosos, por que continuam acontecendo? A resposta é complexa e envolve tanto questões técnicas quanto de cultura corporativa.

Muitas empresas, especialmente startups e empresas em crescimento rápido, priorizam velocidade e funcionalidade sobre segurança. O pensamento é lançar o produto rápido, ganhar mercado e resolver problemas de segurança depois. Só que depois pode ser tarde demais.

Há também a questão de recursos. Implementar segurança de verdade custa dinheiro. Requer contratar especialistas em cibersegurança, investir em infraestrutura robusta, fazer auditorias regulares e treinar funcionários. Muitas empresas veem isso como um custo em vez de um investimento necessário.

Outro fator é a complexidade técnica. À medida que empresas crescem e adicionam mais serviços, seus sistemas se tornam cada vez mais complexos. E quanto mais complexo um sistema, mais pontos de falha potenciais existem. Um banco de dados esquecido, uma configuração incorreta, uma senha padrão não alterada. Qualquer um desses pequenos erros pode resultar em um vazamento massivo.

Existe também um problema de incentivos desalinhados. Para uma empresa, um vazamento de dados é ruim, pode resultar em multas e perda de confiança. Mas para quem realmente sofre as consequências de verdade são os usuários, cujos dados foram expostos. A empresa pode pagar uma multa e seguir em frente. Você é quem terá que lidar com tentativas de fraude pelos próximos anos.

As regulações estão melhorando. A LGPD no Brasil, o GDPR na Europa e leis similares em outros países estão forçando as empresas a levarem a segurança de dados mais a sério, com multas pesadas para quem falha. Mas ainda há um longo caminho pela frente.

Como consumidores, o melhor que podemos fazer é valorizar empresas que levam a segurança a sério, cobrar transparência quando vazamentos acontecem e apoiar regulações mais fortes de proteção de dados. E, claro, tomar as medidas de proteção pessoal que discutimos anteriormente.

Olhando Para o Futuro: O que esperar dos próximos capítulos

Este vazamento específico está longe de ser o último que veremos. Na verdade, se você acompanha notícias de tecnologia, já deve ter percebido que anúncios de vazamentos e violações de dados se tornaram quase semanais. Mas o que podemos esperar daqui para frente?

É provável que nos próximos dias e semanas surjam mais informações sobre esse vazamento da IDMerit. A empresa pode divulgar um comunicado oficial explicando exatamente o que aconteceu, por quanto tempo os dados ficaram expostos e quais medidas estão sendo tomadas. Ou podem optar pelo silêncio, o que infelizmente também é comum.

As autoridades de proteção de dados de vários países podem iniciar investigações. No Brasil, a ANPD pode investigar o caso e eventualmente aplicar sanções. Na Europa, onde as leis de proteção de dados são ainda mais rigorosas, as consequências podem ser severas.

Do ponto de vista técnico, é possível que esses dados expostos comecem a circular em fóruns da dark web. Criminosos podem começar a vender pacotes de dados, organizados por país ou tipo de informação. Infelizmente, uma vez que os dados são expostos, é praticamente impossível fazê-los desaparecer completamente da internet.

Isso significa que, mesmo meses ou anos após este vazamento, criminosos ainda podem estar usando essas informações para conduzir golpes. É por isso que as medidas de proteção que discutimos não são temporárias. Elas precisam se tornar parte permanente da sua rotina de segurança digital.

Por outro lado, incidentes como esse também impulsionam a inovação em segurança. Cada grande vazamento serve como um alerta para a indústria de tecnologia e pode acelerar o desenvolvimento e a adoção de tecnologias de segurança mais robustas. Criptografia mais forte, arquiteturas de segurança zero trust onde nada é confiável por padrão, e melhores práticas de gerenciamento de dados estão sendo constantemente refinadas.

Seus Dados são Valiosos: Trate-os como Tal

Se há uma lição fundamental para tirar de tudo isso é esta: seus dados pessoais são extremamente valiosos, e você precisa tratá-los como tal. Não são apenas números e letras aleatórias. São as chaves da sua identidade digital, e por extensão, da sua vida real.

Pense nos seus dados como você pensaria em dinheiro. Você não deixaria sua carteira aberta em um lugar público, certo? Então por que deixaria suas informações pessoais desprotegidas online? Você não daria seu dinheiro para qualquer pessoa que pedisse, então por que fornecer seus dados para qualquer aplicativo ou serviço que solicita?

Este vazamento específico nos lembra que, não importa o quão cuidadosos sejamos, ainda dependemos de empresas de terceiros para proteger nossas informações. E nem sempre podemos confiar que farão um bom trabalho. É uma realidade frustrante, mas é a realidade do mundo digital em que vivemos.

Portanto, a responsabilidade final recai sobre você. Não porque as empresas não deveriam fazer melhor, elas definitivamente deveriam. Mas porque, no final das contas, você é quem mais tem a perder se suas informações forem mal utilizadas.

Implemente as medidas de segurança que discutimos. Torne-as hábitos, não exceções. Fique informado sobre ameaças de segurança emergentes. E lembre-se sempre: na era digital, um pouco de paranoia sobre segurança não é exagero, é prudência necessária.

Este vazamento afetou potencialmente um bilhão de pessoas em 26 países. Mas cada um desses números é uma pessoa real, com uma vida real. Pode ser você, pode ser alguém que você ama. E embora não possamos voltar no tempo e prevenir esse vazamento específico, podemos aprender com ele e nos preparar melhor para o futuro.

A jornada para uma vida digital mais segura começa com pequenos passos. Ative aquela autenticação de dois fatores que você vem adiando. Atualize aquelas senhas que você sabe que são fracas. Revise as permissões dos seus aplicativos. Cada ação conta.

E da próxima vez que uma empresa pedir seus dados, pause por um momento e questione: eles realmente precisam disso? O que farão com essas informações? Como as protegerão? São perguntas que todos deveríamos fazer mais frequentemente.

O mundo digital está cada vez mais integrado à nossa vida cotidiana, e isso não vai mudar. Mas podemos escolher ser participantes conscientes e preparados nesse mundo, em vez de vítimas passivas de incidentes de segurança. A escolha é sua, e o momento de agir é agora.

Foto de Rodrigo dos Anjos

Rodrigo dos Anjos

Rodrigo é redator do ClicaTech e formado em Ciências da Computação com Especialização em Segurança da Informação. Amante declarado da tecnologia, dedica-se não apenas a acompanhar as tendências do setor, mas também a compreender, aplicar, proteger e explorar soluções que unam inovação, segurança e eficiência.

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Conteúdo elaborado e revisado pela redação do ClicaTech.  Pode conter tradução com auxílio de Inteligência Artificial.

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