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(Imagem: Reprodução/websummit)
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Web Summit Rio 2026: IA, Geopolítica e Criadores de Conteúdo no Maior Evento de Tecnologia da América Latina

Se você acompanha o calendário de tecnologia e inovação no Brasil, já sabe que junho no Rio de Janeiro ganhou um peso especial nos últimos anos. O Web Summit Rio 2026 chegou como uma aposta arriscada — uma das maiores conferências de tecnologia do mundo apostando na América Latina. Três edições depois, o evento deixou de ser uma aposta para se tornar uma âncora.

A quarta edição do Web Summit Rio acontece de 8 a 11 de junho de 2026 no Riocentro, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense. Com mais de 34 mil participantes esperados, aproximadamente 1.500 startups inscritas e mais de 600 investidores presentes, o evento consolidou o Brasil como o principal polo de encontro entre tecnologia, negócios e inovação da América Latina.

A IA aparece como eixo central da programação, mas as conversas também devem abordar geopolítica, criatividade, mídia, marketing, futuro do trabalho, fintechs e construção de comunidades digitais. Não é mais o evento onde se discute o que é inteligência artificial. É o evento onde se discute o que ela vai fazer com o mundo — e quem vai controlar esse processo.

O Evento e Sua Escala: Números que Explicam o Peso do Web Summit Rio

(Foto: Reprodução/G1)

Para entender o que é o Web Summit Rio, é preciso entender o que é o Web Summit. Fundado em Dublin, Irlanda, em 2009, o Web Summit cresceu até se tornar um dos maiores eventos de tecnologia do mundo, com edições em Lisboa, Qatar e Rio de Janeiro. A edição portuguesa, que ocorre anualmente em novembro, reúne mais de 70 mil participantes e é considerada o maior encontro de tecnologia da Europa.

A edição carioca é mais jovem, mas cresce rapidamente. A edição 2025 do Web Summit Rio atraiu 1.397 startups — alta de 31% em relação ao ano anterior — consolidando-se como o maior evento de tecnologia da América do Sul, com participação total de 34.552 pessoas de 102 países.

O impacto vai além dos dias do evento. O impacto econômico gerado pelo Web Summit Rio chega a mais de R$ 170 milhões por ano na economia da cidade, com retorno projetado de R$ 1,8 bilhão até 2030, considerando as oito edições da conferência. O contrato com o Rio de Janeiro foi renovado até 2030 — confirmando que o evento veio para ficar.

Conforme Sidney Levy, presidente da Invest.Rio, agência de promoção e atração de investimentos da Prefeitura do Rio de Janeiro, o Rio já provou que é a capital da inovação da América Latina, e o Web Summit é o palco onde o ecossistema carioca se apresenta para o mundo.

Inteligência Artificial: Não Mais Tendência, mas Infraestrutura

Se nas primeiras edições a inteligência artificial aparecia como promessa futurista, em 2026 ela ocupa um papel diferente na programação: o de infraestrutura estratégica que governos e empresas precisam dominar ou perder relevância.

Neste ano, mais do que olhar para novas tecnologias e tendências, o objetivo do evento é entender como todas essas novidades podem ir além das promessas futuristas, levantando debates sobre regulação, concentração de poder e os impactos econômicos e sociais na chamada era da inteligência artificial.

Os debates cobrem computação em nuvem, chips para IA, data centers, agentes autônomos — sistemas de IA que executam tarefas complexas de forma independente —, formação de profissionais e aplicações corporativas. Mas o que mais chama atenção em 2026 é o componente geopolítico da conversa.

A disputa pelo controle da infraestrutura de inteligência artificial — quem fabrica os chips, quem constrói os data centers, quem define os padrões — é um dos eixos centrais da programação. E essa disputa envolve diretamente três blocos: Estados Unidos, China e Europa. O Brasil, por sua posição geográfica, por seu mercado e por suas parcerias históricas com os três, tem um papel singular nesse contexto.

Os Palestrantes que Definem a Pauta

Web Summit Rio 2026
(Foto: Reprodução/G1)

O Web Summit Rio 2026 reúne executivos de grandes corporações globais ao lado de autoridades públicas, criadores de conteúdo e atletas. A diversidade de perfis é intencional: o evento não quer ser apenas uma conferência corporativa, mas um espaço de convergência entre mundos que raramente se encontram.

Bruno Lewicki — OpenAI

Chefe de Políticas Públicas da OpenAI para a América Latina, Bruno Lewicki participa de um painel sobre o futuro da inteligência artificial, sua regulamentação e os desafios para o desenvolvimento da tecnologia na região. A OpenAI, criadora do ChatGPT, é um dos atores centrais da corrida global de IA. Sua participação no evento sinaliza o quanto a empresa trata o mercado latino-americano como prioritário.

Rodrigo Moran — Meta

Diretor Global de Criação para a família de aplicativos da Meta — que inclui Facebook, Instagram e WhatsApp —, Moran discutirá como a produção de conteúdo está sendo transformada pela ascensão dos vídeos espontâneos e pelas ferramentas de inteligência artificial. O painel reúne Fábio Porchat e Juliette para debater o futuro da chamada economia dos criadores.

Márcio Aguiar — Nvidia

O diretor executivo da Nvidia para a América Latina apresentará iniciativas relacionadas à construção de infraestrutura de IA no Brasil. A Nvidia é hoje a empresa mais valiosa do mundo — em alguns momentos de 2025 e 2026, superando a Apple e a Microsoft —, porque seus chips são o componente fundamental para treinar e rodar modelos de inteligência artificial. Onde a Nvidia investe, a infraestrutura de IA cresce.

Patrícia Muratori — YouTube

A diretora-geral do YouTube para a América Latina discutirá como criadores de conteúdo vêm assumindo o papel de novos estúdios de mídia. O YouTube, com mais de 2 bilhões de usuários ativos mensais no mundo, é hoje uma das principais plataformas de distribuição de conteúdo do planeta — e no Brasil tem penetração especialmente alta.

Priscyla Laham — Microsoft

A presidente da Microsoft Brasil apresentará investimentos e iniciativas da empresa relacionados à expansão da inteligência artificial no país. A Microsoft investiu mais de US$ 13 bilhões na OpenAI e integrou ferramentas de IA como o Copilot em praticamente todos os seus produtos.

Fábio Coelho — Google

O presidente do Google Brasil discutirá os desafios para consolidar um ecossistema tecnológico sustentável no país. O Google é o buscador dominante no Brasil, com mais de 95% de participação de mercado, e tem expandido seus investimentos em IA com o Google Gemini e com infraestrutura de data centers.

Rebeca Andrade

A maior medalhista olímpica da história do Brasil participa de uma conversa sobre construção de carreira, superação e gestão da própria imagem. Sua presença evidencia o quanto o Web Summit Rio ampliou seu escopo para além da tecnologia pura — esportes e entretenimento são hoje vetores de transformação digital tanto quanto qualquer startup.

Ivete Sangalo e Bernardinho

O evento também abre espaço para o setor criativo, com a participação de personalidades brasileiras como Ivete Sangalo, que discutem a digitalização da cultura e o engajamento de comunidades na era das plataformas digitais. No campo corporativo, o destaque fica para reflexões conduzidas por nomes como Bernardinho, que abordam a gestão de equipes em ambientes de constante transformação e inovação.

A Presença Chinesa: o Outro Lado da Disputa Global

Uma das leituras mais interessantes do Web Summit Rio 2026 é o que ele revela sobre a China. Enquanto eventos de tecnologia no mundo ocidental costumam ter uma presença dominante de empresas americanas, o Rio traz uma delegação chinesa expressiva que merece atenção.

Hai Wu — China Internet Investment Fund

Hai Wu comanda um fundo estatal chinês de 100 bilhões de yuans (aproximadamente R$ 74 bilhões na cotação atual) criado em 2017 pelo governo chinês, que já investiu em gigantes como ByteDance, SenseTime e Kuaishou. ByteDance é a empresa controladora do TikTok; SenseTime é uma das líderes mundiais em reconhecimento facial; Kuaishou é a maior rival do TikTok na China. Hai Wu é uma das pessoas mais bem posicionadas para explicar como Pequim decide onde canalizar recursos públicos em tecnologia.

Mark Chen — Huawei Cloud

O presidente da Huawei Cloud para a América Latina comanda as operações da empresa no Brasil, México, Chile, Argentina e Peru. Em um momento em que Estados Unidos e China disputam onde a infraestrutura de inteligência artificial será construída, a Huawei é uma das poucas alternativas não americanas de grande escala no mercado global de cloud computing — a computação em nuvem, que é a base sobre a qual a maioria dos serviços digitais modernos opera.

O Robô G1 da Unitree

(Foto:Reprodução/G1)

Um dos destaques não humanos do evento é o G1, um robô humanoide de 1,30m fabricado pela empresa chinesa Unitree.

O robô já realizou uma rotina de kung fu de forma autônoma em apresentação televisionada na China e custa cerca de US$ 16 mil — aproximadamente R$ 85 mil na cotação atual. Para comparação, robôs humanoides ocidentais de capacidade similar custam dez vezes mais. A Unitree também levará o Go2W, seu cão-robô quadrúpede, ao evento.

A presença desses dois robôs no Web Summit Rio não é apenas uma demonstração de produto. É uma declaração sobre onde a China está na corrida de robótica — e quanto ela consegue competir em preço com fabricantes ocidentais.

A CECPS e as Conexões China-Brasil

A CECPS (Centro de Cooperação Econômica China-Países de Língua Portuguesa e Espanhola) é uma estrutura criada pela China para conectar empresas chinesas a países de língua portuguesa e espanhola.

Ela oferece suporte jurídico, contábil e de tradução, além de um fundo de investimento de 1 bilhão de yuans. Neste ano, traz ao Web Summit Rio empresas como Lark Technologies — plataforma de colaboração para empresas concorrente do Slack —, Anygen AI, plataforma de criação de conteúdo por IA, e Datablau, especializada em governança de dados para IA.

Regulação e Soberania: a Pergunta que Ninguém Quer Responder

Um dos debates mais importantes da programação envolve a regulamentação das plataformas digitais. O Secretário Executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações do Brasil, Luís Fernandes, discutirá as mudanças recentes nas regras brasileiras para responsabilização das empresas de tecnologia por conteúdos criminosos e os possíveis impactos dessas medidas para o futuro da internet no país.

A questão da soberania tecnológica também ocupa espaço relevante. Países europeus têm buscado reduzir dependência de plataformas americanas e chinesas, investindo em alternativas baseadas em tecnologias abertas — o código aberto, ou open source, que permite que qualquer pessoa ou país use e modifique o software livremente. O Brasil, que tem uma tradição histórica de uso de software livre em setores públicos, aparece nessa conversa como um potencial polo de desenvolvimento alternativo.

Economia dos Criadores: de Hobby a Infraestrutura de Mídia

As trilhas voltadas para SaaS, marketing e sociedade ampliam o debate sobre o impacto da tecnologia no comportamento humano e nas estratégias de mercado. SaaS é a sigla em inglês para Software as a Service, ou Software como Serviço — o modelo de negócio em que você paga uma assinatura para usar um software pela internet, sem instalar nada no computador.

A economia dos criadores — o conjunto de profissionais que ganha dinheiro produzindo conteúdo para plataformas digitais — está no centro da programação deste ano. A presença de Jade Picon, Juliette, Fábio Porchat e do italiano Federico Panda Boi, que reúne mais de 60 milhões de inscritos e realizará uma apresentação interativa com o público, sinaliza que o Web Summit Rio trata esse setor como parte legítima do ecossistema tecnológico.

No Brasil, estima-se que mais de 500 mil pessoas trabalham profissionalmente como criadores de conteúdo. O país tem a quinta maior audiência do YouTube no mundo e está entre os maiores mercados do Instagram e do TikTok.

Startups, Pitch e o Ecossistema de Inovação

Uma das vocações mais estabelecidas do Web Summit Rio é conectar startups a investidores. A edição de 2026 mantém essa função com cerca de 1.500 empresas emergentes registradas ao lado de mais de 600 investidores.

As startups apoiadas pelo Sebrae e ApexBrasil participam de atividades exclusivas, como a participação de dinâmicas de pitch reverso. Nesses encontros, delegações internacionais, hubs parceiros e escritórios internacionais da ApexBrasil apresentam diretamente para os representantes desses negócios inovadores diversas oportunidades de mercado, conexão e internacionalização.

Um pitch — do inglês, literalmente “arremesso” — é uma apresentação rápida e objetiva de uma startup para potenciais investidores, geralmente com foco no problema que resolve, no mercado disponível e no modelo de negócio. Nos quatro dias do Web Summit Rio, são realizados 18 pitches ao longo do evento em formato de showcase.

Em 2025, 647 startups tinham fundadoras mulheres, representando 46% do total — um número 34% maior que em 2024. Esse dado reflete um esforço deliberado de inclusão que a organização do Web Summit vem intensificando nas últimas edições.

A Estrutura do Evento: o que Esperar no Riocentro

O Riocentro é um dos maiores centros de convenções da América Latina, localizado na Barra da Tijuca. Para os quatro dias do Web Summit Rio 2026, o espaço é organizado em trilhas temáticas de conteúdo que cobrem marketing, finanças, energia renovável, esportes e mídia, além das áreas voltadas a startups.

A experiência do participante inclui:

Internet gratuita em todo o espaço, tradução simultânea dos debates e palestras por aplicativo, pontos de achados e perdidos, serviço de acessibilidade mediante solicitação prévia e o Food Summit, que reúne cerca de 80 estandes com pratos brasileiros e internacionais. O pagamento nos espaços de alimentação ocorre exclusivamente por meios digitais, sem dinheiro em espécie.

O evento tem regras de acesso para câmeras profissionais, restrições de bagagem, código de conduta com regras antiassédio e restrição de entrada para menores de 18 anos.

Ingressos e Acesso

O acesso ao Web Summit Rio é feito por ingressos adquiridos diretamente na plataforma oficial do evento em rio.websummit.com, na seção “Book tickets”. O sistema destaca campanhas promocionais que podem oferecer reduções de até 65% em determinadas condições de venda.

O suporte ao participante é concentrado em canais digitais e central de atendimento. Para acessibilidade, é necessário solicitar adaptações específicas com antecedência.

Web Summit Rio 2026 no Brasil

O Web Summit Rio não é apenas um evento. Nos quatro anos de existência, ele criou uma dinâmica que transcende os dias de conferência: uma rede de conexões entre o ecossistema brasileiro de inovação e o cenário global de tecnologia que produz efeitos ao longo do ano.

O Web Summit Rio, maior conferência de inovação e tecnologia do mundo, volta à Cidade Maravilhosa pelo quarto ano consecutivo. Com o contrato renovado até 2030, o evento tem estrutura para consolidar o Rio de Janeiro como endereço permanente do debate global de tecnologia na América Latina.

Para quem atua no setor de tecnologia, inovação, negócios digitais ou criação de conteúdo no Brasil, o Web Summit Rio 2026 representa o momento em que os debates que definem o futuro próximo acontecem no mesmo país — com tradução simultânea em português e com espaço para que empresas brasileiras se apresentem ao mundo.

Foto de Equipe ClicaTech

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