A Amazon confirmou que seu serviço de internet via satélite, chamado Amazon Leo, está pronto para iniciar as operações comerciais ainda em 2026.
O anúncio veio após o 14º e último lançamento da campanha com o foguete Atlas V, realizado em 2 de julho na Flórida, que colocou mais 29 satélites em órbita e elevou a constelação para 396 unidades ativas, tornando o Amazon Leo a terceira maior constelação de satélites em operação no mundo.
“Ainda há muito trabalho pela frente, incluindo elevar todos esses novos satélites até sua altitude designada, mas já concluímos lançamentos suficientes para iniciar o serviço ainda neste ano”, escreveu Chris Weber, vice-presidente da Amazon responsável pela linha Leo, em publicação no X.
Amazon Leo

O Amazon Leo é o atual nome do que antes se chamava Project Kuiper, rebatizado em novembro de 2025. O trocadilho no nome não é acidental: LEO é a sigla em inglês para Low Earth Orbit, ou Órbita Terrestre Baixa, que é exatamente onde esses satélites operam, a cerca de 630 quilômetros de altitude em sua posição operacional final.
Os satélites são inseridos inicialmente a 465 quilômetros e depois elevados até a altitude definitiva, onde passam por comissionamento antes de entrar em serviço.
A proposta central do Amazon Leo é a mesma da Starlink da SpaceX: oferecer internet de banda larga via satélite para usuários em regiões sem infraestrutura de cabos terrestres, como áreas rurais, remotas e países com conectividade limitada.
A Escala da Constelação: Terceiro Lugar, Com Muita Distância Para a Líder
Com 396 satélites em órbita, o Amazon Leo se tornou a terceira maior constelação em operação atualmente. O segundo lugar ainda está a alguma distância, e o primeiro é a Starlink, da SpaceX de Elon Musk, que já ultrapassa 10 mil satélites em operação e conta com milhões de assinantes ao redor do mundo, vantagem construída desde 2015.
A Amazon tem licença da FCC, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos, para lançar 3.236 satélites ao total. A licença original exigia que metade desse número estivesse em órbita até julho de 2026, meta que não foi atingida: 396 satélites representam cerca de 12% do total licenciado.
A empresa entrou com pedido de extensão de prazo em janeiro de 2026 e teve o pedido atendido pela FCC em junho, com condições ainda não detalhadas publicamente. O prazo final para completar a constelação da primeira geração permanece em 30 de julho de 2029.
Os Três Receptores Disponíveis Para o Consumidor
A Amazon revelou três modelos de terminal de recepção para o serviço, cada um com tamanho e velocidade diferentes.
O Nano, o menor dos três, mede 17,8 x 17,8 centímetros e suporta velocidades de download de até 100 Mbps. O Pro mede 27,9 x 27,9 centímetros e alcança até 400 Mbps. O Ultra, o modelo mais robusto, mede 50,8 x 76,2 centímetros e foi projetado para velocidades de até 1 Gbps.
Nenhum preço foi revelado ainda, tanto para os equipamentos quanto para os planos de serviço mensal.
Onde o Serviço Começará e Como Chegará ao Brasil
A Amazon ainda não informou oficialmente em quais regiões o serviço será inaugurado primeiro. A expectativa, com base no comportamento típico de constelações LEO, é que o serviço comece perto dos polos Norte e Sul, onde a cobertura de uma constelação em estágio inicial tende a ser mais densa, e se expanda gradualmente em direção à linha do Equador conforme mais satélites forem lançados.
Para os usuários brasileiros e latino-americanos, o serviço tem parceiros comerciais confirmados. No Brasil, a distribuição e a comercialização do Amazon Leo ficarão a cargo da Sky, do grupo DirecTV. Na América Latina em geral, a DirecTV será a parceira comercial responsável pela expansão regional.
Quem quiser entrar na lista de espera para ser um dos primeiros usuários pode se cadastrar diretamente no site oficial do Amazon Leo.
O Próximo Passo: Foguete Vulcan e Mais Satélites
Com a campanha de lançamentos pelo Atlas V encerrada, a Amazon passará a usar o Vulcan, também da United Launch Alliance (ULA), nas próximas missões. O Vulcan tem capacidade de carga maior e deve transportar pelo menos 40 satélites por voo, acelerando o ritmo de expansão da constelação. Chris Weber confirmou que a empresa já está pronta para os próximos lançamentos com o Vulcan.
A expansão é necessária porque o serviço inicial de 2026 cobrirá apenas “latitudes iniciais”. A cobertura global completa só virá com o crescimento contínuo da constelação ao longo dos próximos anos.
Vale mencionar que um dos contratempos enfrentados pela Amazon durante a campanha de lançamentos foi um acidente com um foguete New Glenn, da Blue Origin, empresa também ligada a Jeff Bezos, que explodeu em maio durante testes de solo e causou danos à infraestrutura de lançamento na Flórida. Esse episódio foi um dos fatores que contribuíram para o atraso em relação às metas originais da FCC.
A Competição Com a Starlink
A entrada do Amazon Leo no mercado é relevante para o consumidor justamente pela competição que vai gerar. A Starlink opera praticamente sem concorrência direta no segmento de internet via satélite em LEO desde que começou a ganhar escala, o que lhe permitiu definir preços com menos pressão competitiva.
Com o Amazon Leo chegando ao mercado, dois dos maiores grupos empresariais do mundo, a Amazon de Jeff Bezos e a SpaceX de Elon Musk, vão competir diretamente por assinantes, o que tende a beneficiar o consumidor final com mais opções e eventual pressão sobre os preços ao longo do tempo.
Entendendo os Termos Técnicos Mencionados
LEO (Low Earth Orbit): órbita terrestre baixa, região do espaço entre aproximadamente 200 e 2.000 quilômetros de altitude acima da Terra. Satélites nessa faixa orbitem o planeta em cerca de 90 minutos e oferecem latências muito menores do que os satélites geoestacionários tradicionais, que operam a 36.000 quilômetros.
Latência: tempo que um sinal leva para ir do dispositivo do usuário até o satélite e voltar. Em LEO, a latência típica fica entre 20 e 40 milissegundos, enquanto em satélites geoestacionários pode ultrapassar 600 milissegundos.
Comissionamento: processo de verificação e ativação de um satélite após ele atingir a órbita operacional, envolvendo testes de todos os sistemas antes de ser integrado à rede de serviço.
FCC (Federal Communications Commission): agência regulatória americana responsável por licenciar e regular o uso do espectro de radiofrequências e as comunicações por satélite, entre outras atribuições.
Receptor ou terminal: equipamento instalado no solo que se comunica com os satélites para receber e transmitir dados, funcionando como o ponto de entrada da internet via satélite no dispositivo do usuário.
Considerações Finais
O Amazon Leo chegou a um marco concreto: satélites suficientes em órbita para iniciar operações comerciais. O serviço inicial, previsto para ainda em 2026, não terá cobertura global, mas representa o começo de uma alternativa real à Starlink no segmento de internet via satélite em órbita baixa.
Para o mercado brasileiro, a presença da Sky como distribuidora local sugere que a chegada ao país está no planejamento, embora a sequência de expansão regional ainda não tenha sido confirmada oficialmente pela Amazon.
Com o ritmo de lançamentos esperado a partir do Vulcan, a expectativa é que a constelação cresça de forma acelerada nos próximos anos, ampliando progressivamente tanto a área de cobertura quanto a capacidade de atendimento.
Fontes Consultadas
TELETIME News, Amazon Leo se aproxima de 400 satélites e promete estreia em 2026


