Revista TIME elegeu os Arquitetos de IA como a Pessoa do ano em 2025

Jensen Huang, Mark Zuckerberg, Elon Musk e outros líderes da tecnologia são reconhecidos pela revista como as figuras que inauguraram a era das máquinas pensantes e mudaram para sempre a forma como vivemos

Arquitetos de IA como a Pessoa do ano em 2025

A revista TIME acaba de fazer um anúncio que resume perfeitamente o momento histórico que estamos vivendo. Pela primeira vez em décadas, a tradicional escolha da Pessoa do Ano não recaiu sobre um político, atleta ou artista individual.

Em vez disso, a publicação reconheceu os Arquitetos de IA como a Pessoa do ano em 2025. Um grupo coletivo que está literalmente moldando o futuro da humanidade: os Arquitetos de IA.

Essa decisão, anunciada no dia 11 de dezembro de 2025, não é apenas simbólica. Ela representa o reconhecimento de que estamos atravessando uma transformação tecnológica sem precedentes, comparável apenas à invenção da eletricidade, do motor a combustão ou da internet. E desta vez, diferente de outras revoluções tecnológicas, não há como ficar de fora ou optar por não participar.

O editor-chefe da TIME, Sam Jacobs, foi direto ao ponto em sua carta aos leitores: “Este foi o ano em que todo o potencial da inteligência artificial se revelou, e quando ficou claro que não haverá como voltar atrás ou optar por não participar”. As palavras carregam peso porque refletem uma verdade inescapável. A inteligência artificial deixou de ser ficção científica ou experimento de laboratório para se tornar parte essencial do nosso cotidiano.

Jacobs continua explicando o raciocínio por trás da escolha: “Por inaugurar a era das máquinas pensantes, por impressionar e preocupar a humanidade, por transformar o presente e transcender o possível, os Arquitetos da IA são a Pessoa do Ano de 2025 da TIME”. É uma frase que captura perfeitamente a dualidade dessa revolução tecnológica, que ao mesmo tempo fascina e assusta, promete soluções e levanta questões éticas profundas.

Arquitetos de IA como a Pessoa do ano em 2025: As Capas que simbolizam uma Revolução Tecnológica

A edição de 2025 da TIME dedicada à Pessoa do Ano apresenta duas capas internacionais distintas, cada uma visualizando de forma única essa revolução tecnológica. A escolha de criar duas capas diferentes não foi acidental, refletindo as múltiplas facetas e interpretações dessa transformação impulsionada pela inteligência artificial.

Uma das capas, ilustrada por Peter Crowther, apresenta uma composição artística das letras AI cercadas por trabalhadores. Essa imagem carrega um simbolismo poderoso, representando tanto a construção dessa nova era quanto as preocupações sobre o impacto da tecnologia nos empregos e na força de trabalho humana.

Os trabalhadores ao redor das letras gigantes sugerem que, apesar de toda a automação, ainda são as pessoas que constroem, mantêm e direcionam essa revolução.

Arquitetos de IA como a Pessoa do ano em 2025
‘Almoço no topo de um arranha-céu’ de Charles C. Ebbets; foto foi tirada em 1932,
em Nova York — Foto: Reuters/Charles C. Ebbets/Corbis

A segunda capa, uma pintura criada por Jason Seiler, traz uma homenagem visual impressionante. A imagem recria a icônica fotografia de 1932 que mostra operários almoçando sentados em uma viga de aço durante a construção do Rockefeller Plaza em Nova York. Nessa nova versão, porém, os operários foram substituídos pelos titãs da tecnologia que estão construindo a infraestrutura da inteligência artificial.

Leia Mais: De Cofundadores a Rivais: A História da Guerra entre Elon Musk e Sam Altman pela OpenAI

Sentados nessa viga digital estão Mark Zuckerberg da Meta, Lisa Su da AMD, Elon Musk da Tesla e SpaceX, Jensen Huang da Nvidia, Sam Altman da OpenAI, Dario Amodei da Anthropic, além da cientista Fei-Fei Li, considerada a madrinha da IA, e Demis Hassabis, líder do laboratório de inteligência artificial do Google.

A escolha dessa composição não poderia ser mais apropriada, equiparando os construtores da era digital aos construtores da era industrial.

Curiosamente, a imagem dessa segunda capa foi gerada usando inteligência artificial, adicionando uma camada extra de significado e ironia. Os arquitetos da IA foram retratados usando a própria tecnologia que eles ajudaram a criar, tornando a capa uma meta-representação do momento histórico que estamos vivendo.

Os Rostos por trás da Revolução da Inteligência Artificial

Entender quem são essas pessoas e o que cada uma representa é fundamental para compreender como chegamos até aqui. Cada figura na capa da TIME desempenhou um papel crucial em aspectos diferentes da revolução da IA.

Jensen Huang, CEO da Nvidia, é possivelmente o personagem mais central dessa história. Não faz muito tempo, ele dirigia uma empresa bem-sucedida, porém pouco conhecida, especializada em processadores gráficos para videogames.

Hoje, a Nvidia é a empresa mais valiosa do mundo, graças a um quase monopólio nos chips avançados que impulsionam o boom da inteligência artificial. Os processadores gráficos que originalmente foram projetados para renderizar mundos virtuais em jogos se revelaram perfeitos para treinar modelos de IA. Huang teve a visão de perceber isso cedo e posicionar sua empresa como a fornecedora essencial da infraestrutura de IA.

Mark Zuckerberg da Meta representa a transformação de uma gigante das redes sociais em uma potência de inteligência artificial. Depois de anos investindo pesadamente em realidade virtual através do metaverso, Zuckerberg reorientou a Meta em torno da IA.

Seus chatbots de inteligência artificial foram incorporados aos aplicativos populares da companhia, incluindo WhatsApp, Instagram e Facebook, colocando ferramentas de IA nas mãos de bilhões de usuários diariamente.

Sam Altman, CEO da OpenAI, é o homem por trás do ChatGPT, o aplicativo que realmente iniciou a corrida atual da IA quando foi lançado no final de 2022. Em setembro de 2025, Altman revelou que o ChatGPT é usado por cerca de 800 milhões de pessoas todas as semanas.

Esse número impressionante demonstra como rapidamente a inteligência artificial conversacional se tornou mainstream. Ironicamente, Altman foi um dos primeiros a alertar sobre os perigos potenciais da IA, mesmo enquanto trabalhava para desenvolvê-la.

Elon Musk ocupa uma posição peculiar nesse grupo. O bilionário fundou a OpenAI junto com Altman, mas posteriormente deixou a empresa devido a divergências sobre sua direção. Musk então criou sua própria empresa de IA, a xAI, demonstrando sua crença de que a tecnologia precisa ser desenvolvida, mas com diferentes princípios orientadores. Sua presença na capa representa a complexidade e as tensões dentro da comunidade de desenvolvedores de IA sobre qual caminho seguir.

Fei-Fei Li, frequentemente chamada de madrinha da inteligência artificial, é uma cientista da computação cuja pesquisa foi fundamental para os avanços atuais. Seu trabalho no ImageNet, um banco de dados massivo de imagens usado para treinar sistemas de reconhecimento visual, estabeleceu as bases para muitos desenvolvimentos posteriores em aprendizado profundo e visão computacional. Li também é uma voz importante nas discussões sobre ética em IA e representa a comunidade científica por trás dessas inovações.

Demis Hassabis lidera o DeepMind, o laboratório de inteligência artificial do Google que alcançou marcos históricos como criar sistemas que dominaram jogos complexos como Go e StarCraft II.

Mais recentemente, o DeepMind desenvolveu o AlphaFold, que resolveu um problema de décadas sobre como prever estruturas de proteínas, uma conquista com implicações enormes para a medicina e a biologia. Hassabis representa a aplicação da IA para resolver problemas científicos fundamentais.

Lisa Su, CEO da AMD, e Dario Amodei, líder da Anthropic, completam o grupo. Su comanda a principal competidora da Nvidia no mercado de chips, desenvolvendo processadores alternativos para alimentar a revolução da IA.

Amodei, que anteriormente trabalhou na OpenAI, fundou a Anthropic com foco específico em desenvolver IA segura e alinhada com valores humanos, representando a corrente dentro da indústria preocupada com implementar salvaguardas desde o início.

Como a IA transformou completamente o ano de 2025

A escolha da TIME não foi arbitrária ou prematura. O ano de 2025 realmente marcou um ponto de virada na adoção e impacto da inteligência artificial. Essa tecnologia, que há poucos anos parecia distante ou experimental, tornou-se onipresente de maneiras que talvez você nem perceba conscientemente.

A reportagem de capa da TIME foi um esforço jornalístico ambicioso, produzida em três continentes e baseada em dezenas de entrevistas com executivos, cientistas da computação, economistas, políticos, artistas, investidores, adolescentes e famílias. Essa amplitude de fontes reflete como a IA tocou praticamente todos os aspectos da sociedade.

Thomas Husson, analista da consultoria Forrester, observou que 2025 pode ser visto como um ponto de virada para a frequência com que a IA agora é usada em nosso dia a dia. A maioria das pessoas a utiliza sem sequer perceber, explicou em entrevista à BBC. Essa observação é fundamental porque captura como a IA se tornou invisível, integrada aos sistemas que usamos constantemente.

Pense em quantas vezes por dia você interage com inteligência artificial sem conscientemente reconhecê-la como tal. Quando você usa reconhecimento facial para desbloquear seu smartphone, é IA. Quando o corretor automático prevê a próxima palavra que você vai digitar, é IA. Quando você recebe recomendações personalizadas de músicas, filmes ou produtos, é IA. Quando um filtro automático bloqueia um email de spam, é IA. A tecnologia se tornou o tecido invisível que conecta nossas experiências digitais.

Mas a transformação vai muito além de conveniências pessoais. A inteligência artificial está sendo integrada a hardwares, softwares e serviços de formas que significam que sua adoção é muito mais rápida do que durante as revoluções da internet ou do celular, observou Husson. Essa velocidade de adoção sem precedentes é o que torna este momento histórico tão significativo e, para alguns, tão preocupante.

A Mudança de comportamento que ninguém previu

Um dos aspectos de 2025 foi observar como as pessoas mudaram fundamentalmente a maneira como interagem com a tecnologia. Algumas pessoas já preferem chatbots a mecanismos de busca e redes sociais para planejar viagens, encontrar presentes de Natal e descobrir receitas.

Essa mudança de comportamento representa algo profundo. Por mais de duas décadas, o Google definiu como buscamos informações online. Digitávamos palavras-chave, recebíamos uma lista de links azuis e clicávamos em páginas para encontrar respostas. Agora, cada vez mais pessoas simplesmente perguntam a um chatbot de IA e recebem uma resposta sintetizada imediatamente, sem precisar navegar por múltiplos sites.

A diferença não é apenas de eficiência, mas de natureza. Conversar com uma IA se sente fundamentalmente diferente de buscar informações em um mecanismo de busca tradicional. É mais natural, mais contextual e, para muitos, mais satisfatório. Você pode fazer perguntas de acompanhamento, pedir esclarecimentos ou explorar tangentes, tudo dentro da mesma conversa fluida.

Empresas estão percebendo essa mudança e correndo para se adaptar. O Google, que durante anos dominou completamente a busca online, agora enfrenta o que alguns analistas chamam de ameaça existencial de chatbots de IA. A empresa respondeu integrando IA generativa em seus próprios produtos, mas o fato de que precisa reagir a uma nova categoria de produto é revelador.

Marcas e criadores de conteúdo também estão se adaptando. O tráfego de sites tradicionais está mudando conforme as pessoas obtêm informações diretamente de chatbots em vez de clicar em links. Isso tem implicações profundas para modelos de negócios baseados em publicidade e tráfego web, forçando uma reavaliação fundamental de como conteúdo é criado, distribuído e monetizado.

A Corrida desenfreada da Indústria da Tecnologia

A reportagem da TIME destaca uma mudança crucial que ocorreu em 2025: “Este ano, o debate sobre como usar a IA de forma responsável deu lugar a uma corrida para implantá-la o mais rápido possível”. Essa frase captura talvez o aspecto mais preocupante do momento atual.

Durante anos, líderes da indústria, incluindo Sam Altman e Elon Musk, alertaram publicamente sobre os riscos da inteligência artificial. Altman chegou a testemunhar perante o Congresso americano pedindo regulamentação da tecnologia que sua própria empresa estava desenvolvendo.

Musk repetidamente chamou a IA de ameaça existencial à humanidade. Esses alertas vieram das próprias pessoas construindo a tecnologia, o que deveria ter sido um sinal de alerta preocupante.

Mas algo mudou. A TIME observa que os avessos ao risco não estão mais no comando. Graças a Huang, Son, Altman e outros, a humanidade agora está acelerando pela estrada, pé totalmente no acelerador, rumo a um futuro altamente automatizado e altamente incerto. Essa metáfora da estrada é apropriada e aterrorizante. Estamos acelerando em direção a um destino que não podemos ver claramente, e ninguém está pisando no freio.

As grandes empresas de tecnologia estão investindo bilhões de dólares em IA e na infraestrutura por trás dela na tentativa de se manter à frente dos concorrentes. A Nvidia sozinha viu seu valor de mercado explodir para mais de três trilhões de dólares.

A Microsoft investiu bilhões na OpenAI. O Google acelerou os seus esforços em IA após perceber que estava ficando para trás. A Meta reorientou toda sua estratégia corporativa em torno da tecnologia.

Essa corrida não é impulsionada apenas por ganância ou ambição corporativa, embora esses fatores certamente estejam presentes. Existe um medo genuíno entre essas empresas de que ficar para trás em IA significa tornar-se irrelevante. A história da tecnologia está repleta de exemplos de empresas dominantes que perderam sua posição por não se adaptarem suficientemente rápido a novas tecnologias. Ninguém quer ser a próxima Kodak ou Blockbuster.

O Investimento pesado de Masayoshi Son e outros Bilionários

A reportagem da TIME inclui entrevistas exclusivas com figuras-chave dos investimentos em inteligência artificial, notavelmente Masayoshi Son, CEO do SoftBank. Son é conhecido por fazer apostas pesadas e às vezes arriscadas em tecnologias emergentes, e ele claramente acredita que a IA será a maior transformação de todas.

O SoftBank tem um histórico de investimentos transformadores em tecnologia. A empresa foi investidora inicial no Alibaba, aposta que rendeu retornos extraordinários. Son também investiu pesadamente no WeWork, aposta que acabou desastrosamente. Sua abordagem à IA parece ser ainda mais agressiva do que investimentos anteriores, refletindo sua crença de que estamos no início de uma mudança tectônica na economia global.

Outros investidores bilionários também estão apostando pesado. Peter Thiel, Reid Hoffman, Vinod Khosla e inúmeros outros capitalistas de risco de destaque direcionaram fortunas para startups de IA. Fundos de investimento especializados em IA levantaram bilhões de dólares. O mercado de fusões e aquisições na área de inteligência artificial atingiu níveis recordes.

Esse influxo massivo de capital tem efeitos múltiplos. Por um lado, acelera a inovação ao fornecer recursos para pesquisa e desenvolvimento. Por outro, cria pressão intensa para que empresas entreguem retornos rapidamente, o que pode levar a atalhos em segurança e testes adequados. O dinheiro também está elevando as expectativas a níveis potencialmente insustentáveis, criando preocupações sobre uma possível bolha de IA.

Os Aspectos sombrios que não podem ser ignorados

A TIME não pintou um retrato exclusivamente positivo dos Arquitetos da IA. A reportagem também abordou os aspectos preocupantes e até trágicos da tecnologia. Um dos casos mais comoventes mencionado é o de Adam Raine, um jovem americano de 16 anos que cometeu suicídio em abril de 2025.

Os pais de Adam processaram a OpenAI, culpando a empresa pela morte do filho devido a conversas que ele teve com o ChatGPT. Embora os detalhes específicos do caso não tenham sido totalmente divulgados publicamente, ele levanta questões profundas e perturbadoras sobre a responsabilidade das empresas de IA quando suas tecnologias são usadas de formas que causam danos.

Essa tragédia não é um incidente isolado. Existem crescentes preocupações sobre jovens desenvolvendo dependências emocionais de chatbots de IA, pessoas tomando decisões importantes baseadas em informações incorretas fornecidas por sistemas de IA e a tecnologia sendo usada para criar conteúdo enganoso ou prejudicial.

Alina Timofeeva, consultora em cibersegurança e IA, ofereceu uma perspectiva equilibrada em entrevista à BBC. Ela disse que a decisão da TIME de reconhecer os arquitetos da IA destaca a tecnologia como uma força definidora na forma como nossas economias, instituições e vidas diárias funcionam hoje.

Mas ela também alertou que é a forma como milhões de pessoas escolherem aplicar a IA que determinará se ela se tornará um multiplicador de inclusão e oportunidade, ou um catalisador de desigualdades ainda mais profundas.

Essa observação captura perfeitamente a encruzilhada onde nos encontramos. A inteligência artificial é uma ferramenta poderosa, mas como todas as ferramentas poderosas, pode ser usada para construir ou destruir, elevar ou oprimir, ajudar ou prejudicar. O resultado não está predeterminado, depende das escolhas que fazemos coletivamente sobre como desenvolver, implementar e regular essa tecnologia.

Preocupações com o consumo de energia e impacto ambiental

Outro aspecto sombrio que ganhou atenção crescente em 2025 é o impacto ambiental da inteligência artificial. Treinar modelos grandes de IA requer quantidades astronômicas de poder computacional, o que por sua vez consome enormes quantidades de energia.

Os data centers que hospedam e executam sistemas de IA estão consumindo porcentagens cada vez maiores da geração global de eletricidade. Algumas estimativas sugerem que o treinamento de um único modelo grande de linguagem pode consumir tanta energia quanto várias casas usam em um ano inteiro. E esses modelos precisam ser retreinados regularmente conforme são atualizados e melhorados.

Essa demanda energética tem várias consequências:

  1. Contribui para emissões de carbono, a menos que a energia venha de fontes renováveis.
  2. Está criando pressão sobre redes elétricas, especialmente em regiões onde data centers de IA estão sendo construídos rapidamente.
  3. Por último, está incentivando a construção de novas usinas de energia, nem todas elas limpas ou renováveis.

A reportagem da TIME incluiu uma entrevista com Chris Wright, Secretário de Energia dos Estados Unidos, refletindo como as questões de infraestrutura energética se tornaram centrais para a discussão sobre a inteligência artificial. O governo precisa planejar como atender à demanda crescente de energia enquanto também cumpre compromissos climáticos, um equilíbrio difícil de alcançar.

Algumas pessoas, preocupadas com essas questões ambientais e éticas, estão optando ativamente por não usar tecnologias de IA quando possível. Esse movimento de resistência ainda é minoritário, mas representa um reconhecimento importante de que adoção universal não é inevitável e que escolhas individuais importam.

Dados de treinamento e questões de propriedade intelectual

Outro ponto controverso que explodiu em 2025 envolve os dados usados para treinar sistemas de inteligência artificial. Modelos de linguagem como o ChatGPT foram treinados raspando enormes quantidades de texto da internet, incluindo livros, artigos, sites e postagens em redes sociais. Modelos de geração de imagens foram treinados com bilhões de fotografias e obras de arte encontradas online.

Artistas, escritores, fotógrafos e outros criadores começaram a processar as empresas de IA, argumentando que seu trabalho protegido por direitos autorais foi usado sem permissão ou compensação para treinar sistemas que agora competem com eles. Esses casos legais estão testando os limites da lei de direitos autorais em contextos que os legisladores originais nunca imaginaram.

A questão é complexa. Por um lado, grande parte da inovação humana envolve aprender com trabalhos anteriores e construir sobre eles. Artistas estudam mestres do passado, escritores leem extensivamente antes de desenvolver suas próprias vozes. Por outro lado, existe uma diferença entre inspiração humana e cópia automatizada em escala industrial.

Alguns argumentam que o treinamento de IA se qualifica como uso justo, uma doutrina legal que permite uso limitado de material protegido por direitos autorais para fins como crítica, comentário, reportagem de notícias, ensino, bolsa de estudos ou pesquisa. Outros argumentam que empresas lucrativas usando milhões de obras criativas para desenvolver produtos comerciais vai além dos limites do uso justo.

Essas batalhas legais provavelmente levarão anos para serem resolvidas e estabelecerão precedentes importantes sobre como a propriedade intelectual funciona na era da inteligência artificial. As decisões terão impactos profundos tanto para criadores quanto para a indústria de IA.

O Impacto nos empregos e no futuro do trabalho

Uma das preocupações mais persistentes sobre a inteligência artificial envolve seu impacto potencial sobre empregos. A primeira capa da TIME, mostrando trabalhadores ao redor das letras AI, reconhece visualmente essas ansiedades. A pergunta que todos fazem é: a IA vai substituir meu emprego?

A resposta honesta é complexa. Historicamente, avanços tecnológicos eliminaram alguns tipos de trabalho enquanto criavam novos tipos de oportunidades. A revolução industrial eliminou muitos empregos agrícolas, mas criou empregos em fábricas.

A automação das fábricas eliminou alguns trabalhos manuais, mas criou empregos em manutenção, programação e design. A internet eliminou alguns empregos tradicionais, mas criou categorias inteiras de trabalho que não existiam antes.

A IA seguirá esse padrão? Provavelmente, mas com algumas diferenças importantes. Primeiro, a velocidade da mudança parece ser mais rápida do que transições anteriores, dando às pessoas menos tempo para se adaptar. Segundo, a IA está começando a afetar trabalhos de conhecimento e criativos que anteriormente pareciam seguros de automação.

Advogados, escritores, artistas, programadores e até médicos estão descobrindo que algumas de suas tarefas podem ser executadas por sistemas de IA.

Mas é importante distinguir entre tarefas e empregos. Uma IA pode ser capaz de executar tarefas específicas que um trabalhador humano faz, sem necessariamente substituir completamente esse trabalhador. Na realidade, muitos especialistas preveem que a IA será mais frequentemente usada para aumentar a capacidade humana do que para substituí-la completamente.

Um contador pode usar IA para automatizar partes tediosas de seu trabalho, liberando tempo para consultoria estratégica de maior valor. Um médico pode usar IA para analisar exames de imagem mais rapidamente, permitindo que dedique mais tempo conversando com pacientes. Um escritor pode usar IA para pesquisa e rascunhos iniciais, concentrando seu tempo criativo no refinamento e na voz única que traz ao trabalho.

A Perspectiva Internacional sobre o Boom da IA

A reportagem da TIME foi produzida em três continentes, refletindo como a revolução da IA é verdadeiramente global. A entrevista com Robin Li, CEO do Baidu, maior mecanismo de busca da China, oferece perspectiva sobre como o país asiático está abordando a tecnologia.

A China vê a inteligência artificial como estrategicamente crucial para sua competitividade econômica e militar. O governo chinês tem investido pesadamente em pesquisa e desenvolvimento de IA, estabeleceu metas ambiciosas para liderança global na tecnologia e está implementando IA em tudo, desde vigilância em cidades até sistemas de crédito social.

Empresas chinesas como Baidu, Alibaba e Tencent estão desenvolvendo seus próprios modelos de linguagem grande e sistemas de IA, criando um ecossistema tecnológico que em muitos aspectos rivaliza com o do Vale do Silício. A China também está focando intensamente em aplicações práticas de IA em manufatura, logística e infraestrutura urbana.

Essa competição entre Estados Unidos e China pela supremacia da Inteligência Artificial tem implicações geopolíticas profundas. Alguns analistas comparam a corrida atual da IA à corrida espacial da Guerra Fria, onde questões de prestígio nacional, segurança e vantagem estratégica estão todas em jogo.

A diferença é que, enquanto apenas dois países competiram seriamente na corrida espacial, dezenas de nações agora estão investindo em capacidades de IA.

Europa, Índia, Israel, Canadá e muitos outros países desenvolveram seus próprios ecossistemas de pesquisa e empresas de IA. Cada região traz diferentes pontos fortes, perspectivas culturais e abordagens regulatórias para a tecnologia. Essa diversidade global pode ser saudável, criando múltiplas abordagens e sistemas de verificação, mas também complica esforços para coordenação internacional e governança da IA.

Responsabilidade e a necessidade de desenvolvimento ético

Nik Kairinos, fundador e diretor-executivo do laboratório Fountech AI, ofereceu uma avaliação ponderada em resposta às capas da TIME. Ele disse que eram uma avaliação honesta da influência da tecnologia, mas alertou que o reconhecimento não deve ser confundido com prontidão.

“Neste momento, a IA ainda pode ser uma salvação ou uma ameaça para a humanidade”, observou Kairinos. “Ainda estamos nos estágios iniciais de construir sistemas de IA que sejam confiáveis, responsáveis e alinhados aos valores humanos. Para aqueles de nós que desenvolvem a tecnologia e levam ferramentas de IA ao mercado, há uma responsabilidade enorme”.

Essa responsabilidade enorme que Kairinos menciona é algo que muitos na indústria reconhecem, pelo menos retoricamente. A questão é se as ações correspondem às palavras. Quando pressões competitivas incentivam velocidade sobre segurança, quando investidores exigem crescimento rápido, quando o medo de ficar para trás supera a prudência, é fácil as considerações éticas serem deixadas de lado.

Várias organizações e pesquisadores estão trabalhando especificamente no problema de alinhamento de IA, tentando garantir que sistemas de inteligência artificial ajam de acordo com valores e intenções humanas.

Esse é um desafio técnico e filosófico extraordinariamente difícil. Como você codifica ética em uma máquina? Quais valores devem ser priorizados quando culturas diferentes têm normas diferentes? Como você previne que sistemas de IA desenvolvam comportamentos inesperados e potencialmente prejudiciais?

A Anthropic, empresa cofundada por Dario Amodei depois de deixar a OpenAI, foi criada especificamente com foco em IA segura.

A empresa adota uma abordagem que eles chamam de IA constitucional, tentando construir sistemas que são treinados para serem úteis, inofensivos e honestos desde o início. Outras empresas e laboratórios de pesquisa também estão desenvolvendo suas próprias abordagens para tornar a IA mais segura e alinhada.

Lições do Passado: Quando a TIME reconheceu grupos ao invés de indivíduos

Esta não é a primeira vez que a revista TIME escolheu um grupo ou conceito ao invés de um indivíduo como Pessoa do Ano. Olhar para escolhas anteriores similares oferece contexto interessante e às vezes irônico.

Em 2014, a TIME reconheceu os combatentes do ebola, homenageando profissionais de saúde que arriscaram suas vidas para combater a epidemia na África Ocidental. Em 2002, os denunciantes receberam o título, reconhecendo pessoas que expuseram má conduta corporativa e governamental apesar de riscos pessoais significativos.

Mas talvez as escolhas mais relevantes para comparação sejam de anos anteriores relacionados à tecnologia. Em 1982, a TIME fez algo sem precedentes: nomeou o computador como Máquina do Ano. A revista observou que os americanos tinham uma paixão vertiginosa pelo aparelho, que era parte modismo, parte a percepção de como a vida poderia ser melhorada.

Aquela escolha em 1982 veio no início da revolução dos computadores pessoais. Steve Jobs da Apple e John Opel da IBM foram destacados como empreendedores de tecnologia representando essa transformação.

Olhando retrospectivamente, sabemos que aquela escolha estava correta, o computador realmente mudou o mundo de maneiras que mal podíamos imaginar em 1982.

Depois, em 2006, a TIME escolheu Você como Pessoa do Ano, uma forma de representar o poder dos indivíduos online. A revista citou contribuidores da Wikipedia, primeiros usuários do YouTube e usuários do MyRevista. Um Reconhecimento que define uma Era Inteira

O Que Vem a Seguir: A Humanidade no banco do Motorista

Apesar de toda a atenção nos Arquitetos da IA, o editor-chefe da TIME, Sam Jacobs, fez questão de enfatizar algo crucial: “A humanidade determinará o caminho do futuro da IA, e cada um de nós pode desempenhar um papel na definição de sua estrutura e de seu futuro”.

Essa observação é vital porque contrabalança a narrativa de inevitabilidade tecnológica. Sim, a IA está avançando rapidamente. Sim, mudanças significativas já estão ocorrendo. Mas a direção futura dessa tecnologia não está gravada em pedra. Ainda temos escolhas a fazer, individual e coletivamente.

Como indivíduos, podemos escolher como usar ou não usar tecnologias de IA. Podemos fazer perguntas críticas sobre os sistemas que usamos. Podemos apoiar empresas que priorizam desenvolvimento ético de IA. Podemos educar a nós mesmos e outros sobre como essa tecnologia funciona, seus benefícios e seus riscos.

Como sociedade, podemos exigir regulamentação apropriada que proteja contra danos enquanto ainda permite a inovação. Podemos insistir em transparência sobre como sistemas de IA são treinados e usados.

Podemos garantir que os benefícios da tecnologia sejam distribuídos amplamente ao invés de concentrados nas mãos de poucos. Podemos investir em educação e retreinamento para trabalhadores cujos empregos são afetados pela automação.

Como espécie, podemos decidir coletivamente quais aplicações de IA queremos perseguir e quais queremos evitar. Podemos estabelecer normas internacionais sobre usos aceitáveis da tecnologia. Podemos priorizar o desenvolvimento de IA que resolve problemas humanitários urgentes como mudança climática, doenças e pobreza.

Outras Personalidades reconhecidas pela TIME em 2025

Além da Pessoa do Ano principal, a TIME também anunciou outras categorias de reconhecimento para 2025, cada uma destacando figuras influentes em seus respectivos campos.

Neal Mohan foi nomeado CEO do Ano. Como líder do YouTube, Mohan supervisionou a transformação contínua da plataforma e sua adaptação à era da IA, incluindo a integração de ferramentas de criação assistidas por inteligência artificial e sistemas de recomendação cada vez mais sofisticados.

Leonardo DiCaprio foi escolhido como Artista do Ano. O ator, que além de sua carreira cinematográfica é conhecido por seu ativismo ambiental, representa a interseção entre arte, cultura e consciência social. Sua escolha reconhece tanto suas contribuições artísticas quanto seu papel como voz importante em questões globais.

A’ja Wilson recebeu o título de Atleta do Ano. A estrela da WNBA continuou dominando o basquete feminino e usando sua plataforma para defender igualdade e justiça social, exemplificando como atletas modernos são mais do que performers esportivos.

O grupo de K-Pop Demon Hunters foi nomeado Revelação do Ano, reconhecendo o impacto contínuo da música coreana na cultura global e como novos artistas continuam quebrando barreiras internacionais.

A TIME e a TIME Studios também nomearam a organização Direct Relief como Sonhadora do Ano em parceria com a American Family Insurance, destacando o trabalho humanitário da organização e seu impacto em comunidades ao redor do mundo.

Fonte: https://www.prnewswire.com/news-releases/time-names-the-2025-time-person-of-the-year-the-architects-of-ai-302639246.html?utm_source=chatgpt.com

Reflexões sobre um momento histórico singular

Enquanto folheamos as páginas da edição de 2025 da TIME dedicada à Pessoa do Ano, uma verdade se torna inescapável: estamos vivendo um momento que será estudado por gerações futuras. Nossos netos aprenderão sobre esta época em aulas de história, da mesma forma que aprendemos sobre a Revolução Industrial ou a invenção da imprensa.

A questão que permanece em aberto é como essa Era será lembrada. Será vista como o momento em que a humanidade deu um salto gigantesco em direção a um futuro de abundância, onde a IA nos libertou de trabalho tedioso e nos permitiu focar em criatividade, conexão e realização? Ou será lembrada como o momento em que aceleramos imprudentemente em direção a consequências que não previmos totalmente?

A resposta provavelmente não será nem inteiramente positiva nem inteiramente negativa. A história da tecnologia raramente é simples. A eletricidade trouxe luz e poder, mas também novos perigos e novas formas de guerra.

A internet conectou bilhões de pessoas, mas também criou novos vetores para desinformação, divisão e crimes. O automóvel revolucionou o transporte, mas também mudou paisagens urbanas e contribuiu para mudança climática.

A inteligência artificial seguirá um padrão similar, trazendo benefícios extraordinários junto com desafios significativos. Nossa responsabilidade coletiva é maximizar os primeiros enquanto mitigamos os segundos. E diferente de algumas revoluções tecnológicas passadas, desta vez estamos mais conscientes dos riscos potenciais desde o início.

O Futuro está sendo escrito agora

A decisão da revista TIME de reconhecer os Arquitetos da IA como Pessoa do Ano de 2025 é um reconhecimento de que estamos em um ponto de inflexão histórico, um momento onde as escolhas que fazemos hoje terão repercussões por décadas ou até séculos.

Jensen Huang, Mark Zuckerberg, Sam Altman, Elon Musk, Fei-Fei Li e os outros líderes destacados nas capas certamente desempenharam papéis cruciais em trazer a inteligência artificial até onde está hoje. Eles imaginaram possibilidades, mobilizaram recursos, construíram infraestrutura e criaram produtos que colocaram o poder da IA nas mãos de bilhões de pessoas.

Mas, como a própria TIME observa, a história da inteligência artificial está longe de terminada. Os próximos capítulos serão escritos não apenas por esses arquitetos, mas por desenvolvedores, reguladores, educadores, artistas, trabalhadores e usuários comuns ao redor do mundo. Cada escolha que fazemos sobre como usar, desenvolver e governar essa tecnologia contribui para o resultado final.

A Era das máquinas “pensantes” chegou. Não há como voltar atrás ou optar por não participar, como o editor da TIME observou. Mas isso não significa que somos passageiros impotentes nessa jornada. Ainda temos escolhas, ainda temos vozes sobre que tipo de futuro queremos construir.

A pergunta não é se a IA mudará o mundo, isso já está acontecendo. A pergunta é que tipo de mundo transformado queremos criar. E a resposta a essa pergunta depende de todos nós daqui para frente.

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